02:04 09 Março 2021
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    Especialistas dos EUA avaliaram a saída da Rússia do Tratado dos Céus Abertos, divulgando a influência desta decisão de Moscou sobre o futuro deste tratado.

    A decisão de se retirar do Tratado dos Céus Abertos é um sinal para a administração de Joe Biden sobre a necessidade de se começar negociações sobre o controle de armamentos, segundo afirmou à Sputnik Heather Conley, chefe do programa para a Europa, Rússia e Eurásia do Centro de Pesquisas Internacionais e Estratégicas em Washington, EUA.

    "Considero a decisão de Moscou de iniciar o processo de saída do Tratado dos Céus Abertos como uma maneira de concentrar as mentes da próxima administração de Biden na necessidade de começar negociações com o Kremlin sobre vários assuntos ligados ao controle de armamentos", disse Conley.

    Esse tratado não é tão vital como o acordo nuclear START III, mas é uma lembrança de que toda a arquitetura internacional do controle sobre armamentos começa a desmoronar, de acordo com Conley.

    Opinião semelhante foi expressada pelo professor de História das Relações Internacionais dos EUA Osamah Khalil, da Universidade de Syracuse, Estados Unidos.

    "Não estou surpreso. Na realidade, isso pode ajudar às tentativas de prolongar o START III. Espero. Atualmente, tudo o que pode contribuir para o regresso a uma espécie de situação normal entre Moscou e Washington será útil", comentou Khalil à Sputnik.

    Sem a Rússia e os EUA o tratado não tem sentido, declarou o professor de Relações Internacionais Steven David, da Universidade Johns Hopkins, à Sputnik.

    "Um tratado que fornece transparência e confiança é algo que é do interesse de todos. Se a América e a Rússia estiverem fora dele, não tem utilidade real", segundo afirmou David.

    A retirada dos EUA e da Rússia de tratados desse tipo não é do interesse da segurança global, conforme o professor. Ele lembrou que, quando os EUA saíram do tratado, eles estavam preocupados com seu cumprimento pela Rússia.

    "Mas acho que essas questões poderiam ter sido resolvidas", disse David.
    Avião de reconhecimento russo Tu-124ON criado para sobrevoar territórios dos países-membros do Tratado de Céus Abertos
    © Sputnik / Maksim Blinov
    Avião de reconhecimento russo Tu-124ON criado para sobrevoar territórios dos países-membros do Tratado de Céus Abertos

    Falando sobre a posição anteriormente divulgada pela Rússia que uma das causas da saída é a impossibilidade de vigiar o território do país líder da OTAN, os Estados Unidos, enquanto outros países teriam acesso aos dados dos voos sob o território russo, David comentou que Washington agora poderia dizer o mesmo.

    "Entendo essa posição, mas lamento isso. Especialmente por a Rússia sair dele agora, antes da chegada da administração de Biden. Se a Rússia permanecesse no tratado, não haveria razões para a administração de Biden não tornar a fazer parte dele e cancelar o que fez Trump. Mas sem a Rússia nele a América poderá dizer o mesmo que a Rússia: para que estar nele sem a Rússia?", afirmou David à Sputnik, acrescentando que é um caminho errado.

    O Tratado dos Céus Abertos, assinado em 1992 em Helsinque, permite que observadores militares realizem voos de vigilância aérea para obter imagens de movimentos de tropas e navios.

    Em 21 de maio de 2020, Trump anunciou sua intenção de retirar os EUA do tratado com base em supostas violações por parte da Rússia.

    Em 15 de janeiro de 2021, a Rússia anunciou o início do processo formal de retirada do Tratado dos Céus Abertos, após a saída dos EUA em novembro de 2020. O Ministério das Relações Exteriores russo observou que, depois que os EUA se retiraram do tratado, o equilíbrio de interesses dos Estados participantes, alcançado na conclusão do documento, foi significativamente violado e que os parceiros de Moscou no tratado não apoiaram as propostas russas para manter sua viabilidade nas novas condições.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    Moscou, Washington, Europa, voo, avião, tratado, Rússia, EUA
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