08:24 31 Outubro 2020
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    O Ministério das Relações Exteriores da Rússia atribui a Haia a responsabilidade do cancelamento das consultas trilaterais entre Rússia, Austrália e Países Baixos sobre a queda do voo MH17 de Boeing 777 da Malaysia Airlines no céu da Ucrânia em 2014.

    Hoje, o MRE russo informou que a Rússia considera impossível a participação futura nas consultas trilaterais com a Austrália e os Países Baixos sobre a queda do voo MH17.

    Em julho, os Países Baixos apresentaram uma queixa ao Tribunal Europeu de Direitos Humanos (TEDH) contra a Rússia sobre o voo MH17, o que Moscou considerou um "grande golpe" nas relações bilatérias e "demonstração por Haia de forte intenção" de continuar o "mau caminho de atribuição unilateral de responsabilidade" sobre a catástrofe à Rússia.

    "Desde o primeiro dia, os Países Baixos tinham apenas uma versão do que aconteceu e promoveram-na tanto no âmbito da investigação técnica do Conselho de Segurança dos Países Baixos, como durante a investigação penal que está sendo realizada pela Equipe de Investigação Conjunta. É natural que ambas as investigações sejam preconceituosas, superficiais e políticas", segundo declaração da chancelaria russa.

    Como destacaram os diplomatas, tudo foi feito para "corroborar acusações impetuosas contra a Rússia".

    Vale destacar que a Rússia desde o princípio se mostrou a favor da realização de uma investigação completa e independente, em conformidade com as condições da Resolução 2166 do Conselho de Segurança das Nações Unidas, e também apontou várias vezes as imperfeições da investigação.

    Buscas no local da queda do avião Boeing do voo MH17
    © Sputnik / Andrei Stenin
    Buscas no local da queda do avião Boeing do voo MH17

    Segundo declaração do MRE russo, a Rússia concordou com realização das consultas trilaterais com Austrália e Países Baixos sobre todo o complexo das questões ligadas às circunstâncias da queda, enxergando essas consultas como promotoras do estabelecimento das causas reais.

    Além do mais, segundo a chancelaria russa, Haia, sem esperar os resultados intermediários das consultas, "escolheu outro caminho", apresentando a queixa ao TEDH.

    "Tais ações hostis dos Países Baixos destroem o sentido da continuação das consultas trilaterais e nossa participação nelas. A responsabilidade pelo cancelamento das consultas, desta forma, é completamente de Haia", sublinharam diplomatas russos.

    Mesmo assim, a Rússia pretende continuar interagindo com órgãos competentes dos Países Baixos, fazendo isso "em formato diferente".

    Posição dos Países Baixos

    Os holandeses lamentaram a decisão da Rússia de deixar de participar das consultas trilaterais, segundo o ministro holandês das Relações Exteriores, Stef Blok.

    "O gabinete dos ministros dos Países Baixos destaca que, na verdade, gostaria de continuar as negociações para a procura da solução, que permitiria compensar sofrimento e dano, causados pela queda do voo MH17", informou o ministro.

    Investigação da tragédia

    Um Boeing-777, operado pela companhia aérea Malaysia Airlines, com trajeto de Amsterdã a Kuala Lumpur, caiu em 17 de julho de 2012 na região de Donetsk, no leste da Ucrânia, com 283 passageiros e 15 tripulantes de 10 países. Ninguém sobreviveu.

    Para a investigação da tragédia foi criada a Equipe de Investigação Conjunta, composta por Austrália, Bélgica, Malásia, Países Baixos e Ucrânia. O Equipe de Investigação Conjunta, sob a direção de Haia e sem participação da Rússia, publicou os resultados intermediários. Segundo os resultados, Boeing foi abatido pelo sistema de mísseis Buk, pertencido ao complexo de mísseis antiaéreos das Forças Armadas da Rússia em Kursk. A Rússia negou todas as acusações.

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    Tags:
    voo, Austrália, Ucrânia, Países Baixos, Rússia
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