15:20 27 Outubro 2020
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    Nesta terça-feira (22), o presidente da Rússia, Vladimir Putin, discursou na 75ª sessão da Assembleia Geral da ONU. Putin criticou o uso ilegal de sanções, pediu reformas no Conselho de Segurança, elogiou o papel da ONU e comentou sobre o desenvolvimento da vacina russa contra a COVID-19.

    O presidente russo, Vladimir Putin destacou em seu discurso que os desafios econômicos impostos pela pandemia da COVID-19 indicam a necessidade de livrar o comércio mundial de "sanções ilegítimas" e abordou o papel do Conselho de Segurança da ONU, afirmando que o órgão deve considerar os interesses de todos os Estados de forma mais ampla.

    "Nosso pensamento é que o Conselho de Segurança da ONU deve ser mais inclusivo com os interesses de todos os países, bem como da diversidade de suas posições, basear seu trabalho no princípio do consenso mais amplo possível entre os Estados e ao mesmo tempo continuar a servir como a pedra angular da governança global [...]", destacou o presidente russo, ressaltando que o direito de veto dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança é um instrumento de prevenção de conflitos que "ajuda a prevenir ações unilaterais" e o "confronto militar direto entre grandes Estados".
    Membros do Conselho de Segurança das Nações Unidas convocam uma reunião sobre o Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares na sede das Nações Unidas, 26 de fevereiro de 2020
    © AP Photo / Bebeto Matthews
    Reunião do Conselho de Segurança da ONU em Nova York

    Putin elogiou a ONU pelo desempenho ao longo de sua existência, ressaltando o aniversário de 75 anos da organização, que coincide com a comemoração dos 75 anos desde o final da Segunda Guerra Mundial. Putin também alertou contra tentativas de revisar a história do conflito, o que chamou de "um crime contra a memória de quem lutou contra o nazismo", e destacou a Carta da ONU como "a principal fonte do direito internacional até hoje".

    "Estou convencido de que este aniversário obriga todos nós a relembrar os princípios atemporais da comunicação interestatal consagrados na Carta da ONU e formulados pelos fundadores de nossa organização universal nos termos mais claros e inequívocos. Esses princípios incluem a igualdade dos Estados soberanos, a não ingerência nos assuntos internos, o direito dos povos de determinar o seu próprio futuro, o não uso da força ou da ameaça de força, e a resolução política de litígios", afirmou.

    Vacinação gratuita contra a COVID-19 na ONU

    Vladimir Putin destacou que a Rússia está "completamente" aberta e comprometida com a luta contra o novo coronavírus, e propôs a realização de uma conferência on-line sobre vacinas com a participação de Estados interessados ​​na cooperação para a criação de vacinas contra a COVID-19.

    Produção da vacina russa Gam-COVID-Vac, também chamada de Sputnik V, contra o coronavírus SARS-CoV-2, desenvolvida pelo Centro Nacional de Pesquisa de Epidemiologia e Microbiologia Gamaleya e o Fundo Russo de Investimento Direto, 7 de agosto de 2020
    © REUTERS / RFPI / Andrei Rudakov
    Produção da vacina russa Gam-COVID-Vac, também chamada de Sputnik V, contra o coronavírus SARS-CoV-2, desenvolvida pelo Centro Nacional de Pesquisa de Epidemiologia e Microbiologia Gamaleya e o Fundo Russo de Investimento Direto, 7 de agosto de 2020

    O presidente russo sinalizou que seu país está pronto para compartilhar sua experiência e continuar cooperando com todos os Estados e entidades internacionais, incluindo os EUA, no fornecimento de uma vacina russa confiável, segura e eficaz.

    "O coronavírus atingiu os funcionários da Organização das Nações Unidas, sua sede e estruturas regionais como todo o mundo. A Rússia está pronta para fornecer à ONU toda a assistência qualificada necessária; em particular, estamos oferecendo nossa vacina gratuitamente para a vacinação voluntária dos funcionários da ONU e de seus escritórios. Recebemos solicitações de nossos colegas da ONU a esse respeito, e vamos responder a eles", disse o presidente russo.

    Negociações de extensão do Tratado Novo START

    Putin mencionou durante sua fala a questão de "importância primária" da extensão do Tratado de Redução de Armas Estratégicas (Novo START) entre a Rússia e os EUA, cuja vigência se encerra em fevereiro de 2021.

    Demonstração do sistema de mísseis Topol-M no polígono de Alabino, nos arredores de Moscou, Rússia
    © Sputnik / Ilya Pitalev
    Demonstração do sistema de mísseis Topol-M no polígono de Alabino, nos arredores de Moscou, Rússia

    O presidente russo disse que seu país está em negociações com os EUA sobre o assunto e que Moscou espera que haja contenção mútua "no que diz respeito à implantação de novos sistemas de mísseis".

    "Gostaria de acrescentar que, já no ano passado, a Rússia declarou uma moratória sobre o posicionamento de mísseis de médio e curto alcance lançados em terra na Europa e outras regiões, desde que os Estados Unidos da América se abstenham de tais ações. Infelizmente, não recebemos qualquer reação à nossa proposta, nem por parte dos nossos parceiros dos EUA, nem de seus aliados", afirmou.

    Ampliação da parceria dentro da Eurásia

    Durante o discurso, Putin também desenvolveu a ideia de ampliar a parceria na Eurásia, que ele disse estar se tornando extremamente relevante na resposta a desafios e crises emergentes para a garantia do crescimento econômico global.

    "Esta mesma ideia de crescimento integrado, qualitativo, a 'integração de integrações', é o que está por trás da iniciativa da Rússia de formar uma Grande Parceria Euro-asiática envolvendo todos os países asiáticos e europeus sem exceção. É puramente pragmática e cada vez mais relevante", acrescentou.
    Presidente da Rússia Vladimir Putin participa de eventos realizados no âmbito da visita à Rússia do presidente da China Xi Jinping
    © Sputnik / Sergei Guneev
    Presidente da Rússia Vladimir Putin participa de eventos realizados no âmbito da visita à Rússia do presidente da China Xi Jinping

    Putin também lembrou a proposta da Rússia de criar os chamados corredores verdes "livres de guerras comerciais e sanções", principalmente para bens essenciais, alimentos, remédios e equipamentos de proteção pessoal necessários para combater a pandemia.

    "Em geral, libertar o comércio mundial de barreiras, proibições, restrições e sanções ilegítimas seria de grande ajuda para revitalizar o crescimento global e reduzir o desemprego", disse o presidente russo.

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    Tags:
    Tratado START, Estados Unidos, COVID-19, Conselho de Segurança da ONU, ONU, Rússia, Vladimir Putin
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