05:26 31 Outubro 2020
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    Apesar de várias acusações de tentativa de assassinato do opositor do Kremlin, muitos dados apontados por especialistas não russos contradizem a narrativa.

    Em 20 de agosto, Aleksei Navalny, opositor russo, passou mal durante um voo da cidade russa de Tomsk (Sibéria) para Moscou, obrigando os pilotos a fazer um pouso de emergência em Omsk. Navalny foi internado na UTI do Hospital de Emergência de Omsk № 1 após ter entrado em coma.

    Em 22 de agosto, Navalny foi transferido para o hospital alemão Charité, em Berlim. Dois dias depois, na segunda-feira (24), a equipe médica informou que os dados dos exames clínicos apontavam para um envenenamento por uma substância do grupo dos inibidores da colinesterase, enzima vital para o funcionamento normal do sistema nervoso.

    Embora a mídia ocidental tenha ecoado acusações de envenenamento, por Navalny ser opositor do Kremlin, nem todo o mundo está convencido dessa teoria.

    Usaram medicamento certo

    Segundo Igor Pellicciari, professor da Universidade LUISS Guido Carli, Roma, e da Universidade de Urbino, citado pelo Il Giornale, o jornal com maior circulação na Itália, Aleksei Navalny não representava uma grande ameaça para as autoridades russas, pelo que envenená-lo traria maiores problemas do que o tolerar pacientemente ao longo dos anos.

    Líder da oposição russa, Aleksei Navalny, acusado de participar de uma manifestação de protesto não autorizada, caminha para uma audiência em Moscou, Rússia, 1º de julho de 2019
    © REUTERS / Tatiana Makeeeva
    Aleksei Navalny indo para corte de processo criminal

    "Navalny sobreviveu, mas outra coisa importante é que ele passou 44 horas no hospital de Omsk, onde o equipamento médico utilizado está longe de ser perfeito", avalia.

    "Ele chegou ao hospital com uma rapidez incomum para a Rússia, meia hora após a chamada de emergência enviada pelo avião durante o pouso", sublinha.

    O opositor do Kremlin fez oito análises bioquímicas do sangue, 11 análises do sangue, seis análises gerais, cinco eletrocardiogramas, 25 testes de glicose, quatro análises gerais de urina, bem como uma ressonância magnética, refere.

    A injeção de atropina dada a Navalny permitiu estabilizar sua situação de saúde de tal forma que os médicos alemães utilizaram o mesmo medicamento durante seu tratamento.

    "Mais uma vez, é uma eficácia e acessibilidade estranhas para um paciente que supostamente queriam que morresse", conclui Pellicciari.

    Todos os dados foram entregues

    Hamit Can, investigador da Universidade Técnica de Sófia, Bulgária, refere que os médicos da empresa de ambulância aérea que transportaram o opositor russo receberam dados de todos os testes de diagnóstico, e que os médicos de Omsk "deram regularmente ao público todas as informações possíveis sobre a saúde do paciente", à exceção de informações protegidas pela lei do sigilo médico, mesmo em meio à divulgação de informações preconceituosas por muitas publicações.

    "A.A. Navalny está na Alemanha desde a manhã de 22 de agosto de 2020, mas o Hospital Charite somente em 24 de agosto publicou a primeira declaração sobre o seu estado. A coletiva de imprensa, planejada para a manhã de 25 de agosto de 2020, foi posteriormente cancelada sem explicações", refere.

    Além disso, foi confirmado que as táticas de tratamento escolhidas pelos médicos russos estavam certas. Os médicos alemães continuam a tratar Navalny com atropina, um medicamento prescrito na Rússia. Nos primeiros minutos após a admissão de Navalny no hospital de Omsk, o paciente recebeu injeções deste medicamento.

    Segundo o cientista, os russos também já entregaram as imagens da ressonância magnética do paciente para seus colegas alemães.

    Os médicos do hospital de Omsk também "forneceram aos médicos da clínica alemã os resultados dos testes de laboratório e amostras de biomateriais de Navalny. Isto permitiu aos especialistas alemães ter uma anamnese completa do paciente, para conhecer toda a dinâmica clínica de seus sinais vitais".

    Depois que os médicos alemães declararam o envenenamento como causa, os clínicos russos pediram os dados dos testes que teriam levado a essa conclusão, sem, no entanto, receber resposta até quinta-feira (27).

    Médicos russos salvaram a vida dele

    De acordo com Pierre Malinowski, presidente do Fundo de Desenvolvimento de Iniciativas Históricas Russo-Francesas, foi graças aos médicos de Omsk que a vida de Aleksei Navalny foi salva, recebendo este também a possibilidade de transporte logo no dia seguinte ao seu alegado envenenamento.

    "Por volta das 19h00 [horário de Omsk] do dia 21 de agosto de 2020, foi decidido que Navalny poderia ser transportado para a Alemanha. Duas horas depois, às 21h20 [horário de Omsk], Yulia Navalnaya [esposa do opositor] e a equipe médica alemã foram informadas da decisão final sobre a possibilidade de transportar o paciente", diz.

    Além disso, nota, já às 23h10 [horário de Omsk], a equipe médica da empresa internacional de aviação sanitária recebeu informação sobre a prontidão para o voo com destino à Alemanha às 08h00 [horário de Omsk] do dia 22 de agosto, com o lado alemão se recusando a apressar a hora de partida.

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    Tags:
    Il Giornale, Moscou, Sibéria, Tomsk, Omsk, Alemanha, Kremlin, Rússia, Aleksei Navalny
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