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    Coronavírus no mundo em meados de agosto (58)
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    A vacina russa Sputnik V cria melhor defesas contra a infecção pelo novo coronavírus do que a imunidade gerada após a doença, afirma cientista russo.

    Em entrevista concedida à Sputnik, o vice-diretor do Centro Nacional de Pesquisa de Epidemiologia e Microbiologia Gamaleya, Denis Logunov, explicou a razão pela qual funcionários do centro aplicaram em si mesmos a vacina Sputnik V.

    Recentemente, a Associação de Organizações de Pesquisa Clínica (AOKI, na sigla em russo), criticou o Centro Gamaleya afirmando que tal prática iria contra os padrões internacionais e seria uma violação das regras.

    "Os cientistas do centro não violaram nada. Eles teriam cometido uma violação se tivessem pegado voluntários nas ruas e os inoculado com a vacina sem fazer um contrato assinado e um seguro. Isso, sim, seria o que a AOKI declarou", afirmou Logunov.

    Contudo, o especialista explicou que "uma vez que o desenvolvedor possui o direito de aplicar em si o que ele cria, e isso não está regulamentado de nenhuma forma, nós aplicamos [a vacina], não por querermos nos vangloriar, mas porque [estas] pessoas trabalham em uma zona de risco, ou seja, com o vírus".

    É válido ressaltar que todo o plasma dos doentes da COVID-19 em Moscou era entregue aos cientistas do Centro Gamaleya.

    "Nós tínhamos que controlar a atividade do plasma contra o vírus vivo, ou seja, nossos funcionários estavam o tempo todo em risco. Além disso, parte destas pessoas já não era jovem e outra tinha doenças concomitantes", acrescentou.

    Desta forma, tendo a possibilidade de proteger o grupo de cientistas com a vacina já existente e criada em uma plataforma tecnológica muito conhecida, os cientistas, confiando no resultado e honestidade de seu trabalho, decidiram aplicar o medicamento em si mesmos.

    "Temos muitas vacinas criadas nesta plataforma tecnológica, algumas delas registradas, e não esperávamos quaisquer surpresas. Quisemos em primeiro lugar proteger-nos e proteger nosso círculo próximo", argumentou Logunov.

    Por outro lado, a Declaração de Helsinque não regulamenta tal questão, mas, sim, o procedimento de realização da pesquisa clínica.

    Logunov ressalta que, na altura da aplicação da vacina nos próprios cientistas, eles não estavam realizando testes clínicos.

    "Ou seja, todas as críticas [da AOKI] teriam fundamento se estivéssemos fazendo pesquisa clínica, tivéssemos juntado nosso pessoal, os vacinado e colocado isso no dossiê sobre os testes clínicos. Isso, é claro, seria uma violação. Mas, na realidade, nada disso aconteceu, portanto é apenas uma forma barata de jogar com os conceitos."

    Testes usados

    Comentando a tecnologia usada nos testes da vacina, Logunov salientou alguns aspectos.

    "Os ensaios são baseados no sistema de Teste por Quimioluminescência [IFA, na sigla em russo], desenvolvido também no Centro Gamaleya, no laboratório do cientista Dmitry Viktorovich Scheblyakov. O teste é baseado na determinação de anticorpos contra o Domínio de Ligação ao Receptor da proteína S do coronavírus. Acontece que a maior parte dos anticorpos neutralizadores do vírus, ou seja, os anticorpos que são capazes de inativar diretamente o vírus, é formada exatamente para esse receptor", afirmou.

    Desta forma, com o uso de tal teste é possível determinar com grande probabilidade que o soro sanguíneo possui ação neutralizadora de vírus pela reação do IFA, sem experimentos com um vírus vivo.

    "Isso simplifica muito o processo, uma vez que habitualmente a reação de neutralização do vírus precisa de cinco dias, mas, com a ajuda deste teste, em um dia, ou até em algumas horas, nas condições de screening primário, você pode retirar soro muito ativo, ou, se for caso de transfusão, um plasma muito ativo. Você pode conservar este plasma rapidamente, ou seja, não perder um doador por cinco dias. Logo em seguida, você pode verificar as amostras na reação de neutralização de vírus no laboratório, que permite trabalhar com vírus vivo, e determinar que tal plasma ou soro são ativos", declarou.

    Vacinados possuem imunidade melhor

    Em todo o mundo estão sendo comparados os níveis de atividade do soro de pessoas curadas da doença e dos voluntários que foram imunizados.

    Os cientistas verificaram que a imunidade gerada pela vacina é melhor do que a produzida durante a doença, de acordo com Logunov.

    "Aqui existe uma diferença bastante considerável em favor dos vacinados pelo fato de que durante a imunização não há intoxicação do organismo, não existe uma doença grave, por isso não é de surpreender que o nível de anticorpos nos vacinados seja maior do que nos que adoeceram e se curaram. Nós já sabemos que nas pessoas que adoeceram são gerados anticorpos, mas eles não duram muito tempo. Já com a vacinação, tudo parece muito mais seguro", acrescentou.

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    COVID-19, novo coronavírus, Rússia, Sputnik V, vacina, vacinação, pandemia
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