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    No âmbito da comemoração dos 50 anos do Tratado de Não Proliferação Nuclear, a Sputnik Brasil conversou com especialista em energia nuclear que garante que seu desenvolvimento aumenta a segurança internacional.

    No mês de março, a comunidade internacional comemora os 50 anos do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP). Um dos pilares do tratado é o desenvolvimento da energia nuclear para fins pacíficos.

    A Sputnik Brasil conversou com Vladimir Artisyuk, membro do conselho internacional do secretário-geral da Agência Internacional de Energia Atômica, para saber se o desenvolvimento da energia nuclear em novas regiões do mundo é uma ameaça ou uma contribuição para a segurança internacional.

    Para o especialista, "lições do passado recente mostram que a energia nuclear pode ser um elemento unificador" da comunidade internacional e "aumentar o nível de segurança global".

    O Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares estipula que somente cinco países devem manter arsenais atômicos legais. Em contrapartida, os Estados não nucleares devem ter acesso aos usos pacíficos da energia nuclear.

    "O acesso aos usos pacíficos da energia nuclear fortalece o TNP, uma vez que garante o equilíbrio do acordo", acredita Artisyuk.

    O especialista lembra a declaração feita pelo presidente da Bielorrússia, Aleksandr Lukashenko, que afirmou que seu país "quer ter acesso a energia nuclear para aumentar o potencial intelectual da nação".

    Artisyuk concorda com a afirmação, argumentando que o aumento do potencial intelectual "leva a melhoria da qualidade de vida, o que garante maior segurança internacional".

    Vladimir Artisyuk durante sua exposição no seminário promovido pelo PIR Center, em Moscou, em 12 de março de 2020
    © Foto / PIR Center
    Vladimir Artisyuk durante sua exposição no seminário promovido pelo PIR Center, em Moscou, em 12 de março de 2020

    Para ele, os benefícios da ampliação do acesso à energia nuclear transcendem as questões socioeconômicas e atingem as relações internacionais.

    "Vejo o desenvolvimento da energia nuclear como um fator de estabilização, no sentido de que pode reduzir a tensão entre os países", disse à Sputnik Brasil.

    "Essa tese pode ser confirmada pela usina de Krsko, que é de posse conjunta da Eslovênia e da Croácia", lembrou. A usina é operada por uma empresa mantida pelos dois países, cujo estabelecimento foi fundamental para reduzir as tensões geradas pelo colapso da ex-Iugoslávia.

    O papel da Rússia

    O especialista acredita que a Rússia está particularmente bem posicionada para fornecer energia nuclear a países não nucleares.

    "A primeira usina nuclear do mundo foi inaugurada em 1954 na cidade de Obninsk, na URSS. Fico muito impressionado por esse fato ser somente conhecido na Rússia", notou Artisyuk.

    Além disso, em 2016 a "Rússia foi o primeiro país do mundo a lançar um reator nuclear de nova geração que encarou de frente todas as ameaças colocadas pelo acidente de Fukushima".

    Esse fato é particularmente relevante para o Brasil que, tal como no caso de Fukushima, mantém suas usinas nucleares de Angra 1 e 2 na costa marítima.

    Instituto de Física Nuclear de São Petersburgo
    © Sputnik / Igor Russak
    Instituto de Física Nuclear de São Petersburgo

    Brasília discute atualmente com Moscou a possibilidade de a empresa russa do setor de energia nuclear, Rosatom, finalizar a construção da usina de Angra 3.

    "A Rússia tomou as medidas técnicas necessárias que permitem garantir a segurança das usinas", disse à Sputnik Brasil.

    Outro país latino-americano que poderá receber tecnologia nuclear russa é a Bolívia. Nesse caso, o reator será "de baixa potência, a fim de ser utilizado para fins de pesquisa", contou Artisyuk.

    A Rússia está atualmente cooperando com cerca de 19 países que "têm contratos conosco para a construção de diferentes modalidades de usinas nucleares".

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    Angra 3, Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP), energia nuclear, Rússia
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