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    Exportadores de alimentos brasileiros estão reunidos na Rússia para a tradicional feira Prodexpo, realizada todo mês de fevereiro, em Moscou.

    O Brasil está representado por uma ampla gama de produtos em seu estande coordenado pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (APEX), desde os tradicionais café e carne bovina até os badalados cacau, açaí e água de coco.

    Mas para quem acompanha a trajetória do comércio bilateral entre Rússia e Brasil, o mais impactante é o papel das castanhas, que estão dominando o estande, tradicionalmente tomado pela carne bovina.

    De acordo com Robson Fonseca, representante da exportadora de castanhas Coplana, o "Brasil tem uma relevância muito grande hoje na Rússia", exportando cerca de 60 mil toneladas de amendoim anualmente.

    "É uma relação de interdependência: 60% das importações russas de amendoim são provenientes do Brasil e o Brasil exporta 60% de seu amendoim pra Rússia", confirmou Maurício Martani, da Osinato, que representa diversas empresas do ramo das castanhas.
    Amostra de castanhas no estande do Brasil na feira de alimentos Prodexpo, em Moscou, na Rússia, em 12 de fevereiro de 2020
    © Foto / Ana Livia Esteves
    Amostra de castanhas no estande do Brasil na feira de alimentos Prodexpo, em Moscou, na Rússia, em 12 de fevereiro de 2020

    Martani conta que exporta castanhas, principalmente o amendoim, para o mercado russo há cerca de 10 anos.

    "Quando a Rússia passou por dificuldades e o rublo despencou, nós aumentamos ainda mais nossas vendas e parcerias aqui. Todo mundo ficou com medo, mas nós viemos, conversamos, oferecemos prazo, e aumentamos a nossa participação. A parceria entre Brasil e Rússia no amendoim vem crescendo muito", disse Martani para a Sputnik Brasil.

    Fonseca concorda: "Nos últimos cinco anos, nós avançamos bastante. Se antes exportávamos para três ou quatro importadores, hoje são mais de dez compradores do nosso produto."

    O amendoim é utilizado na Rússia tanto para a fabricação de confeitos e chocolates quanto para a venda como salgadinho. Os russos têm uma cultura forte de consumo de doces e "gostosuras" (vskusnyashki, em russo), que normalmente são consumidos junto com chá preto.

    Landa Giarato (à esquerda) e Maurício Martani, representantes da Ostinato, exportadora de castanhas, na feira Prodexpo, em Moscou, em 12 de fevereiro de 2020
    © Foto / Ana Livia Esteves
    Landa Giarato (à esquerda) e Maurício Martani, representantes da Ostinato, exportadora de castanhas, na feira Prodexpo, em Moscou, em 12 de fevereiro de 2020

    Mas os hábitos de consumo russos estão mudando paulatinamente, seguindo as tendências internacionais de buscar alimentos orgânicos e saudáveis. Nesse contexto, o açaí está cada vez mais presente no estande brasileiro da feira de alimentos de Moscou.

    De acordo com o comerciante de açaí Georgy Khashataev, as perspectivas para o açaí na Rússia "são enormes".

    "O consumidor russo está cada vez mais interessado em produtos orgânicos, todo mundo está preocupado com a saúde, com a aparência. O açaí chegou há poucos anos no mercado russo, e o consumidor está começando a entender do que se trata", contou Khashataev.

    "É como as nossas framboesas, o nosso mirtilo, mas com um gostinho achocolatado no final", descreveu o comerciante. "O consumidor russo adora experimentar produtos novos."

    A entrada do produto no mercado está sendo bem-sucedida. Uma das maiores redes de cafeterias do país, a Shokoladnitsa, incluiu recentemente o açaí na tigela em seu cardápio.

    "Isso irá abrir as portas para vários produtos brasileiros que os russos não conhecem, como cupuaçu, acerola e guaraná", disse Khashataev à Sputnik Brasil.

    Inovação e saúde

    Nessa tendência de alimentação saudável e da preferência dos russos por produtos novos, a diretora de exportação da Coco do Vale, Lis Oliveira, está determinada a abrir o mercado russo para a água de coco.

    "O principal desafio é que os russos ainda não conhecem a água de coco e seus benefícios. Mas quando eles entenderem o quão saudável é essa bebida, eles vão ver que ela tem um valor agregado importante", contou Oliveira.

    Ela conta para a Sputnik Brasil que, por enquanto, os russos que "vão à academia" são os que conhecem o produto, "então a ideia é levar a água de coco para as redes de produtos saudáveis e naturais".

    Representante de empresa encontra clientes em potencial na feira de alimentos Prodexpo, em Moscou, na Rússia, em 12 de fevereiro de 2020
    © Foto / Ana Livia Esteves
    Representante de empresa encontra clientes em potencial na feira de alimentos Prodexpo, em Moscou, na Rússia, em 12 de fevereiro de 2020

    O mercado russo é "estratégico" para a empresa, que hoje exporta sobretudo para os EUA, uma vez que ele pode abrir as portas para o Leste Europeu e para a Ásia Central.

    "A decisão de vir para a Rússia está relacionada ao fato de os russos terem hábitos similares aos dos brasileiros, de ser um mercado que está se abrindo muito para novos produtos e que está com a economia aquecida", explicou.

    Negócios na Rússia

    Alguns dos representantes das empresas brasileiras estão na Rússia pela primeira ou segunda vez, e são unânimes ao dizer que o país é muito diferente do que se imagina.

    "Uma surpresa, principalmente na primeira vez que eu vim. A imagem que temos é de pessoas fechadas, menos comunicativas. Mas é o contrário", conta Oliveira.

    A representante da empresa de café Procafé, Karine Neto, está em visita a Moscou pela segunda vez.

    "O país me encantou. Eu achava que a Rússia era um lugar frio, não frio pelo clima, mas pelo comportamento das pessoas. E aqui eu vi muita luz", revelou para a Sputnik Brasil.

    Mas ela lembra que, para exportar para a Rússia, é necessário ter muita atenção aos procedimentos e com a documentação exigida.

    Karine Mendonça Neto, representante da Prócafé, no estande do Brasil na feira de alimentos Prodexpo, em Moscou, na Rússia, em 12 de fevereiro de 2020
    © Foto / Ana Livia Esteves
    Karine Mendonça Neto, representante da Prócafé, no estande do Brasil na feira de alimentos Prodexpo, em Moscou, na Rússia, em 12 de fevereiro de 2020

    A feira de alimentos Prodexpo é celebrada todo mês de fevereiro, na capital russa, Moscou. O escritório moscovita da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (APEX) organiza anualmente estande para empresas brasileiras interessadas em exportar para a Rússia.

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    Tags:
    açaí, castanha, Apex Brasil, Brasil, Rússia, comércio, feira
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