14:46 23 Fevereiro 2020
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    As decrescentes vendas do Boeing 737 depois de desastres com o modelo podem permitir o aumento da quota de mercado de aeronaves russas.

    A principal razão para a queda da multinacional aeronáutica dos EUA foi a crise do Boeing 737 MAX, informou o portal Business Insider, referindo-se a relatórios sobre as vendas de aeronaves de passageiros. O avião sofreu duas catástrofes, na Indonésia e na Etiópia.

    No final de outubro, a Boeing tinha encomendas de 15.136 aviões da família 737. No mesmo período a Airbus havia assinado contratos para 15.193 aeronaves da família A320, segundo a mídia.

    No entanto, não é apenas a Airbus que pode se beneficiar da queda nas vendas do fabricante americano. Esta situação aumenta as oportunidades para o MC-21 russo, que poderia competir com o Boeing 737 no futuro, diz Oleg Smirnov, piloto honorário da URSS e presidente da Fundação de Desenvolvimento de Infraestruturas do Transporte Aéreo da Rússia, em declarações ao diário Vzglyad.

    MC-21 antes de levantar o seu primeiro voo, em 28 de maio de 2017
    © Foto / Assessoria de imprensa da corporação Irkut
    MC-21 antes de levantar o seu primeiro voo, em 28 de maio de 2017

    Smirnov salienta que o uso extensivo de materiais compostos pode ajudar o MC-21 a tornar-se um verdadeiro concorrente da Boeing.

    "Quanto ao conforto dos passageiros, o MC-21 até vence o Boeing porque será o mais largo da classe de aviões com fuselagem estreita", diz o especialista.

    Segundo Smirnov, "haverá espaço para passageiros, cotovelos e joelhos" dentro da aeronave. Outra das vantagens é o consumo de combustível.

    "Os modernos motores russos PD-14, que estão prestes a entrar em produção em série, são mais baratos que seus análogos da Boeing. Até agora, parece que tudo isso pode dar sérias vantagens competitivas."
    Smirnov também observa que o MC-21 tem mais elementos de produção nacional, cerca de 80%, segundo os projetistas. Isso é uma muito menor participação de componentes ocidentais do que no SSJ 100 (Sukhoi Superjet).

    Aviões Sukhoi Superjet 100 na seção de montagem final de aviões Sukhoi Superjet 100 na fábrica Yury Gagarin em Komsomolsk-no-Amur
    © Sputnik / Mikhail Voskresensky
    Aviões Sukhoi Superjet 100 na seção de montagem final de aviões Sukhoi Superjet 100 na fábrica Yury Gagarin em Komsomolsk-no-Amur

    No entanto, o ex-piloto assinala que neste momento estas são apenas suposições.

    "O MC-21 ainda não está certificado [...] A certificação vai mostrar os números reais sobre o peso da aeronave, seu alcance de voo, velocidade, consumo de querosene e todos os outros parâmetros. Então será possível discutir suas vantagens e desvantagens", argumenta Smirnov.

    É verdade que as condições para os fabricantes de aviões russos estão mais favoráveis, mas a distribuição de forças no mercado mundial não vai mudar drasticamente, acredita Vladimir Popov, vice-editor-chefe da revista Aviapanorama.

    "A Boeing pode apanhar a Airbus em qualquer momento e recuperar as posições perdidas [...] Eles estão trabalhando, por isso não se pode dizer que estejam em um beco sem saída. Os aviões serão melhorados e os erros serão tidos em conta. A Boeing tem sido e continuará sendo uma referência para toda a indústria aeronáutica mundial", explica Popov.

    No entanto, o nível geral do setor da aviação, especialmente da aviação civil, é quase o mesmo para todos os fabricantes, incluindo a Rússia.

    "Em geral, todas as tecnologias são muito semelhantes. Isso se refere à aerodinâmica, motores e outros parâmetros. Aquilo em que estamos competindo é no comprimento das aeronaves, no conforto e nos níveis de ruído", conclui Popov.

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    Tags:
    MC-21, Airbus, Boeing 777, Boeing 737, Boeing
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