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    O presidente da Rússia, Vladimir Putin, e o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu durante a reunião no Kremlin. 21 de abril, 2016

    Irã, Síria e eleições dominam encontro entre Putin e Netanyahu em Sochi

    © Sputnik / Sergei Guneev
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    O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu está na Rússia, reunindo-se com o presidente Vladimir Putin e os principais ministros do Kremlin. Segundo fontes, as negociações sugerem que Netanyahu pode estar tentando arrastar Moscou para sua luta contra a "desestabilização" vinculada ao Irã.

    Os dois líderes se encontraram na cidade russa de Sochi, no mar Negro, nesta quinta-feira. Oficialmente, as negociações foram descritas como uma discussão sobre relações bilaterais e várias questões de segurança - terrorismo internacional e a situação na Síria. Putin disse que a Rússia e Israel estão "bem cientes" do que é o terrorismo e disse que a cooperação é particularmente importante para combatê-lo.

    Netanyahu, por sua vez, destacou a questão do Irã, afirmando que Tel Aviv "não tolerará as ameaças de Teerã", mais uma vez acusando-o de usar o território da Síria para travar "agressão" contra Israel. O primeiro-ministro israelense gostaria que Moscou compartilhasse essa posição e acabasse vendo a presença iraniana eliminada na Síria, sugeriu o porta-voz de Netanyahu, Evan Gary Cohen.

    "Acho que a presença iraniana na Síria é algo que os russos e israelenses gostariam de terminar. Não é algo que eles desejam", afirmou Cohen à RT.

    Essa opinião parece estar em forte contraste com a de Moscou, que tem se engajado em cooperação militar e econômica com Teerã, enquanto critica repetidamente as tentativas de pintar o Irã como a única fonte de problemas no Oriente Médio. A Rússia condenou os ataques israelenses aos alvos supostamente "ligados ao Irã" na Síria. Um desses ataques resultou na perda de um avião de reconhecimento russo e na morte de todos os 15 a bordo, depois de ter sido acidentalmente abatido pelas defesas aéreas da Síria.

    Cooperação

    Falando aos repórteres nesta quinta-feira, Putin e Netanyahu enfatizaram a importância da cooperação entre as Forças Armadas dos dois países, necessária para evitar possíveis conflitos entre eles e para combater o terrorismo. Antes da reunião com Putin, o primeiro-ministro israelense - que também é ministro da Defesa do país desde a renúncia de Avigdor Lieberman - se encontrou com seu colega russo, Sergei Shoigu.

    Soldado e tanques israelenses perto da fronteira com a Síria
    © AP Photo / Ariel Schalit
    Soldado e tanques israelenses perto da fronteira com a Síria

    Netanyahu elogiou a "conexão natural" e uma "ponte humana entre Israel e os países de língua russa" e chamou as conversas com Shoigu de "importantes". Ele, no entanto, declarou que os militares israelenses devem manter a "liberdade de ação", que é essencial para impedir que o Irã se entrincheire em "nossa região".

    Putin e Netanyahu abordaram outro assunto importante - as próximas eleições parlamentares de 17 de setembro em Israel. Críticos do primeiro-ministro israelense alegaram que a visita de Netanyahu foi um golpe de relações públicas em uma tentativa de garantir sua reeleição.

    O porta-voz de Netanyahu negou veementemente qualquer suposta ligação entre as eleições e as negociações, insistindo que se tratava de segurança.

    Putin comentou que Moscou acompanha de perto as eleições, já que Israel abriga mais de 1,5 milhão de pessoas egressas da antiga União Soviética.

    "Sempre os consideramos nosso povo, os chamamos de compatriotas", disse Putin. Ele não expressou nenhum apoio explícito a Netanyahu, no entanto, dizendo que esperava que "políticos responsáveis" acabassem no comando do Knesset.

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    Tags:
    eleições, diplomacia, relações bilaterais, terrorismo, Irã, Síria, Vladimir Putin, Benjamin Netanyahu, Sochi, Israel, Rússia
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