13:32 19 Maio 2019
Ouvir Rádio
    Um míssil nuclear ICBM Titan II desativado é visto em um silo no Missile Museum Titan. 12 de maio, 2015, Green Valley, Arizona.

    Saída dos EUA do Tratado INF põe em risco acordo de não proliferação, diz chanceler russo

    © AFP 2019 / BRENDAN SMIALOWSKI
    Rússia
    URL curta
    120

    A retirada dos EUA do Tratado das Forças Nucleares de Alcance Intermediário (INF) vai pôr em risco o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares, disse o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov.

    "É óbvio que o colapso desse Tratado terá as consequências mais negativas para a estabilidade estratégica global", declarou Lavrov em uma coletiva de imprensa com seu homólogo alemão, Heiko Maas.

    De acordo com o chanceler russo, após a saída dos EUA do Tratado INF "toda a arquitetura de controle de armas está em risco, incluindo o Tratado de Redução de Armas Estratégicas (START) e as perspectivas de desarmamento nuclear, bem como a estabilidade do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares", explicou o ministro russo.

    Segundo Lavrov, apesar do "fracasso" das consultas russo-americanas de 15 de janeiro em Genebra sobre o futuro do Tratado INF, Moscou está disposta a dialogar para preservar este documento.

    "A Rússia ainda está disposta a continuar um diálogo profissional com os fatos em mãos para salvar este Tratado crucial, que garante de forma significativa a estabilidade estratégica", revelou ele.

    O ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Heiko Maas, por sua vez, declarou que Berlim fará todo o possível para garantir que o Tratado INF continue em vigor.

    "Estamos muito interessados em preservar esse Tratado, isso afeta consideravelmente nossos interesses no campo da segurança, nosso governo federal faz todo o possível para que o pacto tenha um futuro", afirmou Maas.

    Além disso, o ministro alemão opinou que é necessário ampliar o Tratado, incluindo nele outros países, por exemplo, a China.

    "Não apenas a Rússia e os EUA como parceiros do Tratado, mas também outros Estados que trabalham nesse campo, não apenas a China, devem ser envolvidos em uma nova forma de controle internacional de armas e em uma nova arquitetura nesse campo", declarou Maas.

    Em 16 de janeiro o vice-secretário de Estado dos EUA declarou que os EUA vão suspender suas obrigações no Tratado INF em 2 de fevereiro se a Rússia não apresentar provas de que está cumprindo o acordo.

    O Tratado INF, assinado por Washington e Moscou em 1987, não tem data de expiração e proíbe as partes de terem mísseis balísticos terrestres ou mísseis de cruzeiro com alcance entre 500 e 5.500 quilômetros.

    Nos últimos anos, Moscou e Washington têm se acusado regularmente de violar o Tratado INF. A Rússia declarou repetidas vezes que cumpre rigorosamente todas as obrigações dos termos do acordo. O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, observou que a Rússia tem sérios questionamentos em relação à implementação do Tratado pelos próprios norte-americanos. Segundo ele, as acusações dos EUA são infundadas, uma vez que o míssil 9M729 foi testado no alcance permitido pelo acordo.

    Mais:

    Após ultimato dos EUA, Putin diz que saída do Tratado INF tem outra razão: novos mísseis
    'Temos armas hipersônicas': Rússia dará resposta à saída dos EUA do Tratado INF, diz Putin
    Rússia e Cuba expressam 'séria preocupação' sobre saída dos EUA do INF
    Tags:
    Tratado INF, Sergei Lavrov, Heiko Maas, Alemanha, Rússia, EUA
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar no FacebookComentar na Sputnik
    • Comentar