19:34 18 Outubro 2018
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    Imagem do ex-espião russo Sergei Skripal em 9 de agosto de 2006, quando falava com o seu advogado atrás das grades fora de um tribunal de Moscou

    Máfia russa pode estar por trás do envenenamento dos Skripals, diz historiador

    © AP Photo / Misha Japaridze
    Rússia
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    O ex-espião russo Sergei Skripal ainda está sendo interrogado no hospital por detetives britânicos sobre reuniões com seu suposto contato no MI6 e suas viagens a Londres, 10 semanas depois de ter sido envenenado por um agente nervoso, relatou a rede britânica Sky News.

    Acredita-se que eles querem averiguar detalhes da vida de Skripal na Grã-Bretanha, na tentativa de identificar suas reuniões mensais em um restaurante em Salisbury com seu suposto contato com um ex-agente do MI6 e suas viagens regulares a Londres.

    Segundo reportagens, Skripal estivera em contato com agências de inteligência da Estônia e da República Tcheca, informando-os sobre vários métodos usados por espiões russos. O agente duplo supostamente deu uma palestra em 2016 na República Tcheca.

    As reuniões foram postuladas por algumas publicações na imprensa britânica e norte-americana como um motivo para o Kremlin envenenar Skripal.

    Falando à Sky News, o historiador de espionagem Alexander Vassiliev sugeriu outro culpado: a máfia russa. Vassiliev disse que os criminosos provavelmente estão por trás do ataque do agente nervoso contra Sergei e sua filha Yulia Skripal. Sua motivação? Embaraço para o presido russo Vladimir Putin e seu governo.

    "O governo russo não tinha motivos para matar Skripal", afirmou Vassiliev.

    Vassiliev detalhou as razões para acreditar na inocência do Kremlin.

    "Tenho certeza de que, quando Putin o libertou e o perdoou, ele sabia que Skripal estaria cooperando com os serviços secretos britânicos e outras agências europeias de espionagem. Todos os desertores estão fazendo isso, eles trabalham como consultores, dão palestras, escrevem livros — é uma coisa normal. Ele teve que ganhar sua vida de alguma forma — ele não teria sido um motorista de táxi", analisou.

    O historiador relembrou que "Skripal foi preso em 2004 — isso foi há muito tempo e ele não sabia detalhes específicos sobre objetivos atuais ou operativos". "O governo russo não tinha motivos para matar Skripal — ele não era ninguém e ele não era um perigo", acrescentou.

    Na opinião de Vassiliev, os responsáveis pelo ataque sabiam que a ação traria problemas para o governo Putin e para a Rússia.

    "Era óbvio que matá-lo criaria um enorme escândalo internacional que prejudicaria a reputação russa em todo o mundo", completou.

    O governo britânico insiste que o Kremlin estava por trás do ataque contra os Skripals, que teriam sido envenenados por um agente nervoso administrado na maçaneta da porta da casa de Sergei em Salisbury. Yulia recebeu alta do hospital há cinco semanas, mas não deu entrevistas desde que foi libertada.

    A Rússia nega qualquer envolvimento com o caso e, embora tenha feito várias tentativas, não conseguiu participar das investigações por falta de colaboração do Reino Unido.

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    Tags:
    agente nervoso, Novichok, A234, envenenamento, diplomacia, armas químicas, máfia russa, Kremlin, MI6, Alexander Vassiliev, Vladimir Putin, Yulia Skripal, Sergei Skripal, Salisbury, Reino Unido, Rússia
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