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    Especialistas britânicos investigando a área onde foi envenenado o ex-agente russo Sergei Skripal e sua filha, 16 de março de 2018

    Relatório da OPAQ prova que Skripal não foram envenenados com agente nervoso, diz criador

    © AFP 2018 / Ben Stansall
    Rússia
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    Caso Skripal: as vítimas se recuperam (28)
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    O relatório da Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ) sobre o envenenamento do ex-espião russo Sergei Skripal e sua filha em Salisbury mostra que eles não poderiam ter sido envenenados com o agente tóxico A-234 (também conhecido como "Novichok"), afirmou à Sputnik um dos criadores da substância, Leonid Rink.

    O relatório da OPAQ, apresentado nesta semana, indica que o ataque foi feito com uma substância tóxica de grande pureza.

    "Os dados da OPAQ sobre uma substância tóxica de grande pureza provam que não se tratou do Novichok  [substância A-234] […] O Novichok é um agente nervoso complexo, constituído por uma mistura de vários componentes e aditivos que se descompõem de forma diferente. Se foi encontrada uma substância pura, então não é Novichok", explicou Rink.

    Segundo ele, se os Skripal tivessem sido envenenados com o Novichok, os especialistas da OPAQ teriam encontrado componentes diferentes que, com o tempo, se decomporiam em elementos não tóxicos. Mas, neste caso, eles não poderiam falar de envenenamento por uma substância tóxica.

    Além disso, segundo Rink, o relatório da OPAQ contradiz as palavras de Vil Mirzayanov, que afirma ser um dos criadores do agente nervoso Novichok. Mirzayanov disse que os Skripal não poderiam ter sido envenenados com esta substância pois ela é vulnerável à humidade, e, no dia de envenenamento, em 4 de março, havia nevoeiro no Reino Unido.

    "É uma observação justa, porque o Novichok é uma substância muito instável que depende da água, dos alcalinos, de tudo. Mas então os especialistas deveriam ter encontrado produtos de hidrólise e não uma substância pura", afirmou.

    De acordo com Rink, Sergei Skripal e sua filha Yulia poderiam ter sido envenenados com fentanil, utilizado na produção de substâncias narcóticas populares no Reino Unido. Ele acrescentou que as características de recuperação dos Skripal foram similares ao quadro que se observa após envenenamento com fentanil, quando as vítimas se recuperam muito rapidamente.

    Rink acredita que o ex-agente e sua filha poderiam ter sido vaporizados com fentanil quando estavam sentados no banco onde foram depois encontrados inconscientes.

    "O Fentanil paralisa imediatamente uma pessoa, que logo cai. A substância tem um efeito instantâneo", opinou.

    Ainda por cima, o fato de ninguém ter visto os Skripal pessoalmente após o ataque indica que o suposto uso de Novichok é uma falsificação e, além disso, "muito mal feita", afirma Rink. Ele também sublinhou que o agente nervoso afeta os olhos das vítimas, enquanto as autoridades britânicas nunca mencionaram tal sintoma ao falarem sobre o estado dos Skripal nem publicaram fotografias das vítimas.

    No dia 4 de março, o ex-agente da inteligência russo Sergei Skripal, que também trabalhava para a inteligência britânica, foi encontrado inconsciente junto com sua filha em um banco de um shopping na cidade de Salisbury.

    Especialistas britânicos acreditam que eles tenham sido atacados com o agente nervoso A-234 (também conhecido como "Novichok"). Os britânicos alegam que esta substância tóxica teria sido desenvolvida na União Soviética e colocam a culpa do ocorrido na Rússia. Moscou tem desmentido repetidamente todas as acusações, qualificando-as de infundadas.

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    substâncias tóxicas, envenenamento, Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ), Yulia Skripal, Sergei Skripal, Reino Unido, Rússia
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