19:41 22 Outubro 2018
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    Candidato à Presidência da Rússia, Vladimir Putin, agradece a seus apoiadores pelo apoio, no centro de Moscou, em 18 de março de 2018

    Presença internacional da Rússia após reeleição de Putin será irrefreável, avalia analista

    © Sputnik / Vladimir Astapkovich
    Rússia
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    O presidente russo Vladimir Putin correspondeu às expectativas e venceu as eleições gerais com 76,67% dos votos. Com um novo mandato de seis anos, o político chegará a 25 anos no poder. A discussão mais relevante no momento então passa a ser: o que esperar do governo da Rússia até 2024?

    Doutor em Ciência Política pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e profundo conhecedor dos BRICS, Diego Pautasso acredita que a vitória de Putin se deu pelo reconhecimento do papel do político na reconstrução do país após a União Soviética, "retomando o pagamento de salários, o padrão de vida, diminuindo a pobreza e o endividamento público".

    Para Pautasso, mesmo com as dificuldades econômicas enfrentadas pelo país nos últimos dois anos, a liderança de Putin é inconteste. O especialista argumenta que a população aprendeu a ver as dificuldades macroeconômicas como o resultado de um cenário internacional complicado e não como "incompetência pessoal" do presidente.

    "Evidentemente que ainda há alguns gargalos específicos, Vladimir Putin tem consciência disso, ele tem o compromisso de diversificar a matriz produtiva. Creio que há preocupações domésticas, nos últimos 2, 3 anos houve um período econômico menos entusiástico que no período anterior", avalia o professor, completando que mesmo os opositores mais fortes do Partido Comunista russo reconhecem os méritos na reconstrução do país desde os anos 2000.

    Estratégia doméstica e participação internacional

    Diante da promessa feita por Putin durante o discurso de vitória, dedicando esforços para melhorar a saúde, a educação, previdência e empregabilidade, Pautasso acredita que é uma jogada inteligente do presidente focar em temas mais presentes no cotidiano do cidadão russo. O desafio será como equilibrar os interesses domésticos com a agenda internacional.

    "Putin tem tentado sistematicamente reiniciar as relações com o Ocidente, tentou fazer com o Obama, sinalizou com o Trump e na Europa teve relações muito proveitosas com o [ex-chanceler Gerhard] Schröder na Alemanha", diz o especialista. "Contudo, há revoluções na UE, revoluções coloridas no entorno russo, estabelecimento de curdos etnicistas na sua fronteira imediata, a Guerra na Síria que aproxima grupos islâmicos na fronteira idealizada da federação russa, tudo isso são fatores que azedam as relações da Rússia com o Ocidente, o caso da Ucrânia sendo o mais emblemático destes todos".

    O reposicionamento do país na agenda internacional, porém, é para Pautasso um caminho sem volta e que tende a se acentuar nos próximos seis anos. Citando parcerias estratégicas estabelecidas pelo presidente, como as realizadas pela União Econômica Euroasiática e com a Organização para a Cooperação em Xangai, Pautasso desenhou o papel russo a partir de agora.

    "Entendo que a Rússia vai se tornar ainda mais assertiva no cenário internacional (…) É uma presença irrefreável e parte importante do capital político que o Putin conquistou. A Rússia tem uma tradição de liderança internacional sendo Putin o mais habilidoso estrategista em geopolítica hoje no mundo". 

    Tags:
    Organização para a Cooperação em Xangai, Partido Comunista da Rússia, União Econômica Euroasiática, UFRGS, BRICS, Gerhard Schröder, Donald Trump, Diego Pautasso, Barack Obama, Vladimir Putin, União Soviética, Síria, Europa, Alemanha, Ucrânia, Rússia
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