18:39 03 Abril 2020
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    Impasse na evolução: foi assim que um grupo de analistas do centro militar norte-americano Stratfor qualificou as relações entre a Rússia e os países ocidentais para 2018. Segundo o centro, nenhum dos assuntos disputados (como as sanções, Ucrânia ou Síria) chegará a uma solução.

    O relatório reconhece que em janeiro de 2017, com a cerimônia de tomada de posse do presidente Donald Trump, que tinha declarado durante a campanha eleitoral sua intensão de melhorar as relações com a Rússia, esperava-se uma aproximação entre os dois países.

    Além disso, os países europeus atravessaram um aumento explosivo do número dos movimentos eurocéticos e até na OTAN havia desentendimento sobre como desenvolver relações com a Ucrânia, Moldávia e Geórgia — todos de importância histórica e estratégica para a Rússia.

    Tudo isso prometia uma mudança nas relações com Moscou. Entretanto, hoje é evidente que essas expectativas não se tornarão realidade em breve.

    A pressão das sanções contra a Rússia se intensificou. O próprio Trump, sob suspeita de um hipotético "conluio com os russos", foi obrigado a ceder uma parte de seus poderes sobre o regime de sanções ao Congresso dos EUA, que mantém linha dura.

    Os eurocéticos na França e na Alemanha não atingiram altos níveis de poder e são suspeitos de "interferência russa" em suas eleições respectivas — algo que Moscou tem rejeitado e de que não há nenhuma prova, o que fez esfriar as relações.

    Finalmente, a OTAN não se desviou da sua estratégia de contenção da Rússia, implantando mais forças nas fronteiras do bloco e não revisou sua posição em relação à Ucrânia, com os EUA mesmo considerando fornecer armas letais a Kiev. Ambas as iniciativas provocaram reação negativa de Moscou.

    O que esperar em 2018? 

    As questões da Ucrânia e da Síria, bem como a crescente presença militar da OTAN nas fronteiras russas e as acusações de "interferência" dominarão a agenda russo-ocidental, de acordo com o Stratfor.

    Na Ucrânia a ideia apresentada pelo presidente russo Vladimir Putin sobre o envio dos "capacetes azuis" (Forças de Paz da ONU) pode dar um impulso positivo nos contatos diplomáticos locais e contribuir para o fim do conflito, mas é pouco provável que as partes consigam acordar o formato da missão.

    Nos EUA, se forem confirmadas as acusações contra Trump sobre a cooperação com a Rússia durante sua campanha eleitoral, Washington pode endurecer as sanções. Além disso, existe a opção de fornecer armas letais a Kiev.

    No entanto, segundo o relatório, a Rússia pode dar uma resposta assimétrica a qualquer desses passos.

    O crescimento da presença militar na fronteira leste da OTAN – a fronteira ocidental da Rússia – continuará. Os sistemas de mísseis russos Iskander chegarão à região de Kaliningrado enquanto a OTAN vai inaugurar um novo comando europeu.

    Rússia sentirá falta do Ocidente 

    Em sua previsão, o centro analítico destaca a mudança da política externa da Rússia.

    Enquanto o estreitamento das relações com a China já se manifestava claramente, nota-se também a crescente influência da Rússia nos países árabes e nas zonas de interesse estratégico dos EUA e da Europa como a Síria e Coreia do Norte.

    A presença militar russa no Oriente Médio e na Ásia-Pacífico está aumentando junto com outras regiões de importância como o Afeganistão, Venezuela e Líbia. Embora o interesse russo tenha tido inicialmente um caráter tático, as relações da Rússia nessas regiões hoje inclui interesses políticos, econômicos e de segurança, lê-se no documento.

    "Manter as relações com o Ocidente já não é o objetivo principal da política externa da Rússia. Moscou criou uma sofisticada rede de relações em todo o mundo e se o enfrentamento com a Europa e os EUA continuar em 2018, não será nada mais que um dos focos do grande número de interesses e prioridades da Rússia", concluiu o artigo.

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    Tags:
    previsões, Oriente Médio, Síria, Ocidente, EUA, Rússia
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