05:45 11 Dezembro 2017
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    Metralhador Pchelnetsov ataca o inimigo na região de Stalingrado (foto de arquivo)

    Há 75 anos, começou batalha histórica que predestinou derrota da Alemanha nazista

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    Rússia
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    Uma derrota maciça dos exércitos alemão, italiano e romeno, o maior cerco de unidades da Wermacht e novo ponto de contagem na Segunda Guerra Mundial – tudo isso tem a ver com contraofensiva das forças soviéticas perto da cidade de Stalingrado que começou precisamente há 75 anos.

    A contraofensiva se realizou entre 19 de novembro de 1942 e 2 de fevereiro de 1943, terminando com o cerco e a liquidação do agrupamento alemão de 300 milhares de homens comandado por Friedrich Paulus. Foi lá, nas estepes cobertas de neve, perto das margens do rio Volga, que a máquina militar dos nazistas sofreu o mais duro golpe na sua história e do qual nunca chegou a recuperar totalmente. Após a derrota na batalha de Stalingrado, a Alemanha declarou luto nacional pela primeira vez desde o início da guerra.

    Inferno na Terra

    O avanço das tropas soviéticas perto de Stalingrado foi precedido por 75 dias da segunda etapa defensiva. Os defensores da cidade de Stalingrado conseguiram resistir a 4 assaltos, pois desde setembro de 1942 as unidades mecanizadas nazistas estiveram pressionando sem parar as posições das tropas soviéticas da região, com a artilharia varrendo da face da terra bairros inteiros.

    Contudo, nunca chegaram a tomar o cais do rio Volga e a parte central da cidade, apesar de terem cinco vezes mais forças e poder de fogo.

    "Stalingrado é o Inferno na Terra, um Verdun [a batalha mais violenta da Primeira Guerra Mundial, entre os exércitos alemão e francês], um Verdun Vermelho com armamentos novos. Atacamos todos os dias. Se conseguirmos de manhã tomar 20 metros, ao fim do dia os russos já nos rechaçaram de volta", escreveu na época um dos soldados da Wermacht.

    No total, contra as paredes inexpugnáveis de Stalingrado se destroçaram mais de 1.000 tanques alemães, cerca de 1.400 aviões, 2.000 peças de artilharia e morteiros e 700 mil soldados e oficiais da Wehrmacht morreram ou ficaram feridos no campo de batalha.

    Operação Urano

    Ao fazer uma avaliação rápida da situação, o comando soviético decidiu não dar fôlego ao inimigo e desferir um golpe de resposta devastador. A elaboração do plano da contraofensiva foi chefiada pelo general de exército Georgy Zhukov e pelo coronel-general Aleksandr Vasilevsky. A operação recebeu o nome de código "Urano".

    Do ponto de vista tático, em novembro de 1942 nas cercanias de Stalingrado a Wermacht se encontrava em uma situação pouco vantajosa. Empenhados no assalto, os alemães levaram até à cidade as suas melhores unidades de ataque, defendendo os flancos com as fracas divisões romenas e italianas. Foi precisamente contra eles que a Frente do Sudoeste e a Frente de Stalingrado desferiram seus ataques poderosos a partir de posições diferentes.

    "Chocados e pasmados, nós não tirávamos os olhos dos nossos mapas de planejamento", escrevia um oficial alemão. "As linhas grossas e flechas vermelhas colocadas neles marcavam as direções dos ataques incessantes do inimigo, suas manobras de contorno, zonas onde quebraram nossas posições. Com todos os nossos pressentimentos, nós nem imaginávamos a hipótese de uma tal catástrofe monstruosa!", exclamava.

    Ao enfraquecer os flancos do inimigo, o comando soviético dirigiu os grupos de choque de ambas as Frentes um em direção ao outro.

    Em 22 de novembro, o 26º Corpo de Blindados tomou a ponte através do rio Don e ocupou o povoado situado precisamente "atrás das costas" das tropas alemãs. Deste modo, em apenas alguns dias, o grupamento de ataque nazista, com 300 mil soldados, ficou sufocado entre as unidades soviéticas, ficando elas bloqueadas por completo em 30 de novembro.

    Efeito de cerco

    As tropas alemãs cercadas ocupavam uma área de mais de 1.500 quilômetros quadrados, a frente externa estava a 170-250 km de distância do cerco soviético.

    Os soldados e oficiais de Paulus estavam privados de alimentos, munições, medicamentos e combustíveis, em meio a um inverno russo com 30 graus negativos. Morrendo de fome, eles comeram quase todos os cavalos, caçavam cachorros, gatos e aves. Apesar da situação evidentemente desesperada, Berlin continuava mandando "aguentar até o fim e não se renderem".

    • Uma das cenas da batalha de Stalingrado
      Uma das cenas da batalha de Stalingrado
      © Sputnik/ George Zelma
    • Aviões de assalto soviéticos se preparam para atuar, durante a batalha de Stalingrado, em 1943
      Aviões de assalto soviéticos se preparam para atuar, durante a batalha de Stalingrado, em 1943
      © Sputnik/ Zelma
    • Soldados do Exército Vermelho combatem com inimigo nas ruas de Stalingrado
      Soldados do Exército Vermelho combatem com inimigo nas ruas de Stalingrado
      © Sputnik/ Natalia Bode
    • Chegada triunfal dos soldados soviéticos que cercaram os alemães em Stalingrado
      Chegada triunfal dos soldados soviéticos que cercaram os alemães em Stalingrado
      © Sputnik/ Anatoly Arkhipov
    • Piloto Mikhail Baranov, participante da batalha de Stalingrado e Herói da União Soviética
      Piloto Mikhail Baranov, participante da batalha de Stalingrado e Herói da União Soviética
      © Sputnik/ Georgy Zelma
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    © Sputnik/ George Zelma
    Uma das cenas da batalha de Stalingrado

    Em janeiro e fevereiro de 1943, as tropas da Frente do Don comandadas pelo general Konstantin Rokossovsky dividiram o grupo cercado em várias partes e o eliminaram. O marechal de campo Paulus se rendeu, bem como quase todos os efetivos nazistas, entregando suas armas. Em resultado, 91 mil homens foram feitos prisioneiros, inclusive 2.500 oficiais e 24 generais.

    Durante a operação de Stalingrado foram derrotadas o 6º Exército e o 4º Exército Blindado da Alemanha, o 3º e 4º exércitos da Romênia e o 8º Exército da Itália. As perdas totais do inimigo somaram 1,5 milhões de homens.

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    Tags:
    guerra, batalha, Segunda Guerra Mundial, Itália, Romênia, Alemanha, URSS
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