07:49 21 Novembro 2017
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    Míssil russo Yars

    3 em 1: por que Rússia se recusará a utilizar mísseis balísticos monoblocos?

    © Sputnik/ Vadim Savitsky
    Rússia
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    Menos mísseis mais cargas nucleares. Eis o princípio que aparentemente representará a base do desenvolvimento da Força Estratégica de Mísseis russa para os próximos dez anos.

    De acordo com o chefe da força estratégica, Sergei Karakaev, até 2026 quase todas as divisões de mísseis contarão com complexos de mísseis balísticos intercontinentais RS-Yars, que são equipados com três ou quatro ogivas nucleares de orientação individual, diferentemente dos complexos Topol-M.

    Tal estratégia fará com que a Rússia mantenha seu arsenal nuclear no quadro de tratados internacionais e possa garantir a estabilidade estratégica em meio à expansão do sistema de defesa antimíssil global. 

    Nesta matéria, a Sputnik explica por que várias ogivas são melhores do que uma e por que é tão importante possuir "potencial de retorno".

    Sistema de mísseis Topol na Praça Vermelha, Moscou
    © AFP 2017/ ALEXANDER NEMENOV
    Sistema de mísseis Topol na Praça Vermelha, Moscou

    De acordo com Karakaev, até o fim de 2017, as tropas russas estarão 66% equipadas com armamento moderno e receberão novas oportunidades para a detenção nuclear. Hoje em dia, a Força Estratégica de Mísseis russa conta com aproximadamente 400 complexos de mísseis, incluindo mísseis balísticos intercontinentais de classes e potências diferentes. Trata-se de RS-20M Voevoda, RS-18A Stilet, RS-12M Topol, RS-12M2 Topol-M e RS-24 Yars.

    Entre eles, o Voevoda é o mais pesado e consegue "dispersar" dez ogivas nucleares orientadas independentemente, cujo peso total corresponde a nove toneladas e a potência de cada uma alcança um megaton de TNT. Um golpe do Voevoda pode erradicar da face da Terra uma cidade do tamanho de Nova York. Hoje em dia, a indústria russa está elaborando outro míssil balístico intercontinental ainda mais potente, RS-28 Sarmat, que entrará em serviço daqui a alguns anos, mais precisamente entre 2018 e 2020.

    Jogo com ogivas

    A vantagem dos assim chamados mísseis de reentrada múltipla é que cada um deles pode carregar vários blocos de combate de orientação individual. De acordo com o Tratado de Redução de Armas Estratégicas, um míssil nuclear pode carregar apenas uma ogiva, outros podem ser escondidos em armazéns – para momentos difíceis. Foi assim que os norte-americanos fizeram: retiraram ogivas nucleares "em excesso" dos seus mísseis Minuteman-3 de três cargas úteis, para cumprimento do tratado com a Rússia. Em se tratando de mísseis balísticos monoblocos, a história é mais complicada, pois, caso a situação geopolítica dificulte, seria impossível reforçar sua potência de ataque de forma rápida. 

    Lançamento do míssil Minuteman III
    © REUTERS/ Michael Peterson/USAF/Handout
    Lançamento do míssil Minuteman III

    "A variação da quantidade de cargas úteis é conhecida como 'potencial de retorno'", explicou à Sputnik o especialista militar e ex-chefe do Estado-Maior da Força Estratégica de Mísseis russa, Vektor Esin.

    "Os EUA utilizam essa estratégica ativamente. A Rússia deveria contar com a mesma quantidade de portadores para que em períodos ameaçadores possamos fazer com que os blocos de combate sejam devolvidos a seus mísseis", acrescentou ele. 

    Enganando defesa antimíssil

    Uma das vantagens do míssil monobloco corresponde à sua grande capacidade de carga, que pode ser usada para equipá-lo com um complexo mais potente para superar defesa antimíssil. Mas há solução para isso também. 

    Em um míssil de reentrada múltipla, o complexo pode ser instalado no lugar de blocos de combate para que o míssil supere qualquer “guarda-chuva” de defesa antimíssil.

    © Sputnik.
    Míssil Yars é colocado na base de lançamento

    O vice-ministro da Defesa russo, Yuri Borisov, em 2015, após a apresentação do míssil Yars, qualificou a criação como um "complexo único" capaz de "enganar o inimigo" e superar todos os sistemas de defesa antimíssil. 

    Estratégias de intercepção

    Vale ressaltar que desde 2002, quando os EUA abandonaram o Tratado sobre Mísseis Antibalísticos, o Pentágono vem elaborando seu sistema múltiplo de defesa antimíssil global com subsistemas de baseamento terrestre (THAAD, Patriot PAC-3, Aegis Ashore), naval (Aegis) e aéreo (ABL).

    Mesmo com a falha de quase metade dos lançamentos de mísseis antibalísticos, os norte-americanos conseguiram alcançar determinados êxitos. No início de novembro, a Agência de Defesa de Mísseis dos EUA (MDA) concluiu a instalação de mísseis de intercepção de baseamento terrestre no Alasca. No total, MDA e Boeing instalaram 44 mísseis na região. 

    Lançamento de míssil do sistema norte-americano THAAD
    © flickr.com/ Agência de Defesa de Mísseis dos EUA
    Lançamento de míssil do sistema norte-americano THAAD
    O Estado-Maior russo acredita que as possibilidades de defesa antimíssil dos EUA atingirão um novo nível, incorporando sistemas de entrega de dados do satélite para a placa do antimíssil. Possibilidades informacionais são base dos sistemas de intercepção. Para fortalecimento desta base, Estados Unidos visam reforçar significativamente seu sistema orbital da Terra baixa e controle de mísseis balísticos. 

    De acordo com a versão oficial, os silos com antimísseis situados em Fort Greely são destinados única e exclusivamente para intercepção de mísseis balísticos norte-coreanos e iranianos, contudo, especialistas acreditam que estrategistas norte-americanos levam em consideração mísseis russos e chineses também. Só que não é comum divulgar informações do tipo. 

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    Tags:
    míssil, Topol, Yars, Sarmat, Rússia
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