02:31 20 Agosto 2019
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    O geólogo soviético Farman Gurban oglu Salmanov

    Raro presente dado à Rússia pelo desbravador do petróleo na Sibéria depois de décadas

    © Sputnik / Nikolai Kuznetsov
    Rússia
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    Com o estreitamento das relações russo-sauditas, a mídia vem analisando muito atenciosamente a colaboração dos países no setor de gás e petróleo. Uma coisa é certa, a herança soviética é percebida muito intimamente na questão.

    'Jazidas de Salman'

    O rei da Arábia Saudita, Salman bin Abdulaziz Saud, visitou Moscou pela primeira vez no início de outubro. Em suas declarações à mídia sobre a visita, o ministro da Energia russo, Aleksandr Novak, assinalou que a empresa russa Novatek espera atrair investimentos da Arábia Saudita ao seu novo projeto: o GNL-2 Ártico. Esta iniciativa é baseada na construção de uma usina na península de Guida para produção de gás natural líquido da jazida Salmanovskoye.

    ​Estas declarações entusiasmaram blogueiros russos, já que o nome da jazida é traduzido em russo como "jazida de Salman". Chegaram Alguns se perguntaram se a Novatek teria conseguido prever a amizade entre Moscou e Riad, fazendo com que batizasse uma de suas jazidas em homenagem ao rei saudita.

    Para infelicidade dos adoradores de teorias de conspiração, Salmanovskoye, com os seus 235,2 bilhões de metros cúbicos de gás, recebeu seu nome não em homenagem ao monarca, mas ao geólogo soviético Farman Gurban oglu Salmanov.

    Precisamente, graças ao seu trabalho, a Rússia é possuidora hoje em dia do petróleo e gás da Sibéria.

    Aventureiro siberiano-azeri

    Salmanov nasceu na República Socialista Soviética do Azerbaijão e desde a infância sonhava com a Sibéria devido aos relatos do seu avô Suleiman, que na época imperial foi enviado como prisioneiro para lá, mas graças às suas façanhas durante a guerra russo-japonesa de 1904-1905 foi liberado e logo voltou à pátria são e salvo, acompanhado pela bonita siberiana, Olga. Anos depois, o ministro da Indústria Petrolífera da URSS, Nikolai Baibakov, visitou a escola onde estudava Farman.

    Como contou Salmanov em 2005 ao jornal russo Rossiiskaya Gazeta: "Na época falava russo melhor do que os meus colegas de turma, por isso me pediram para acompanhar o convidado por nossa escola. No final da reunião, ele me perguntou que profissão queria seguir. Eu respondi: 'petroleiro'. Ele elogiou minha resposta e disse: 'Petróleo é o futuro do nosso país.'"

    Depois de se formar em engenharia, ele foi enviado às montanhas da bacia de Kuznetsk. Por considerar este trabalho sem perspectivas, em agosto de 1957, Salmanov e o seu grupo partiram para Surgut em busca de petróleo.

    Desafiando Khrushchov

    Em 21 de março de 1961, surgiu o primeiro poço de petróleo.

    "Pulei aos gritos: Conseguimos! Conseguimos!", recordou o autor da descoberta.

    O descobridor enviou aos seus oponentes uma carta com o seguinte texto: "Queridos camaradas, conseguimos extrair petróleo em Megion, no poço № 1, a 2.180 metros de profundidade. Ficou claro? Atenciosamente, Farman Salmanov."

    Em resposta, os oponentes escreveram que isso seria uma anomalia natural e que em algumas semanas os poços não teriam nem mesmo uma gota do óleo mineral por ser impossível haver muito petróleo na Sibéria.

    Yuri Erviye e Farman Salmanov, cientistas que descobriram petróleo em Tyumen
    © Sputnik / A.Lidov
    Yuri Erviye e Farman Salmanov, cientistas que descobriram petróleo em Tyumen

    Depois de descobrir mais uma fonte, dessa vez perto de Ust Balyk, Salmanov enviou uma carta ao primeiro-ministro da URSS, Nikita Khrushchov: "Encontrei petróleo. Simples assim. Salmanov".

    O geólogo siberiano-azeri é considerado o descobridor de mais de 130 jazidas de petróleo e gás na Sibéria, e uma deles foi batizada com seu sobrenome Salmanovskoye. Ele morreu em 2007, dez anos antes da chegada do rei Salman à cidade.

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    Tags:
    poços, jazidas, ciência, petróleo e gás, petróleo, Nikita Khrushchev, Salman bin Abdulaziz Al Saud, Sibéria
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