23:39 22 Abril 2019
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    Lançamento de um míssil (foto de arquivo)

    Lançamento de Sarmat: Como testam o míssil 'Satã 2' russo

    © AFP 2019 / KIRILL KUDRYAVTSEV
    Rússia
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    Este míssil pesado é o topo do pensamento russo em engenharia e o futuro do escudo nuclear da Rússia.

    Sua massa de lançamento é de 110 toneladas, o alcance supera 11.000 quilômetros, a carga militar útil pode ser de 10 a 15 ogivas de orientação individual com potência de até 750 quilotons cada uma. Os especialistas estrangeiros e a mídia já o apelidaram de Satã 2. O vice-ministro da Defesa da Rússia, Yuri Borisov, comunicou que os testes do Sarmat se iniciarão até o fim de 2017. Espera-se que o Sarmat seja adotado ao serviço até 2020. Durante este tempo, o míssil vai passando por vários outros testes que são descritos neste artigo.

    Teste de arranque

    Antes de realizar testes a partir de um polígono, qualquer míssil balístico passa por uma fase longa de investigação e desenvolvimento. Os trabalhos de I&D do Sarmat se iniciaram ainda em 2011. Nesta fase, várias equipes de especialistas se focam em uma análise compreensiva de tudo: testes de motores, sistema de combustível, separador de estágios, parte de combate, corpo do míssil, sistema de lançamento e assim por diante. Para os mísseis modernos e perspectivos são desenvolvidos separadamente sistemas de superação da defesa antimíssil, meios de guerra eletrônica e outros tipos de tecnologias de ponta.

    De acordo com várias fontes da mídia, os testes de queima dos motores a combustível líquido do primeiro estágio do Sarmat, que foram realizados em 2016, foram considerados como bem-sucedidos. Nesta fase, os especialistas certificam o funcionamento de motores em condições reais, "de combate": verifica-se o funcionamento das câmaras de combustão, turbobombas, gasogênios e outros componentes. Isto é, o motor é fixado em uma bancada especial, equipado com uma calha para desvio da chama e dos gases, o motor é abastecido de combustível e oxidante, e depois é feito o arranque. Caso tudo dê certo, os testes são reconhecidos como bem-sucedidos. A fase seguinte é a de lançamento inicial.

    Míssil balístico intercontinental russo R-36M2, antecessor do RS-28 Sarmat
    CC BY 3.0 / Wikipedia / Michael/ Nuclear silo
    Míssil balístico intercontinental russo R-36M2, antecessor do RS-28 Sarmat

    "Este tipo de testes é um experimento que visa verificar o arranque do míssil, sua saída segura de silo e o funcionamento inicial do motor", explicou à Sputnik o major-general aposentado Vladimir Dvorkin, ex-chefe de uma unidade do Ministério da Defesa que se dedica a questões de construção e desenvolvimento de mísseis.

    "A partir do silo, é lançada uma maqueta com um motor real de primeiro estágio e uma carga substituindo todos os outros componentes do míssil. Em termos de tamanho e de peso, a maqueta é equivalente ao míssil real. Tem pouco combustível, só para alguns segundos de voo", assinala o especialista.

    Os mísseis balísticos modernos são lançados via um esquema de morteiro: são empurrados com um acumulador de pressão a pólvora. Esta tecnologia tem sido usada na Rússia desde os tempos soviéticos. Da mesma forma é lançado o "antecessor" do Sarmat, o ICBM de dois estágios pesado R-36M Voevoda, que o Ocidente apelidou de Satã.

    Prova de maturidade

    A fase seguinte por que cada míssil intercontinental passa antes de ser adotado ao serviço são os testes de voo. Até então, todos os componentes separados do míssil já estão praticamente prontos, o que, por sua vez, leva aos testes do míssil completo. Primeiro, os especialistas se certificam que todos os componentes e mecanismos do míssil são ajustados apropriadamente e não há necessidade de alterar o projeto. Segundo, é necessário conferir que a capacidade de voo real da carga militar e a precisão de ataque correspondem às mencionadas nas especificações técnicas. Em vez da carga de combate, o míssil é equipado com uma carga inerte. Até o início de testes de voo, a fábrica responsável pela produção já deve ter produzido um lote experimental de mísseis balísticos intercontinentais equipados com todos os elementos necessários.

    "Nesta fase, é realizado o lançamento de um míssil completamente equipado que segue uma trajetória predeterminada […] Testes de voo podem ser realizados junto com os estatais, durante os quais é preciso tomar a decisão sobre a adoção do míssil ao serviço. Geralmente, é necessário realizar com êxito cerca de 15-20 lançamentos. Também é preciso entender que durante os testes podem ter lugar avarias. Neste caso, são necessários lançamentos adicionais a fim de se assegurar que todos as avarias e falhas foram eliminadas", assinala Dvorkin.

    Os mísseis são um tipo de tecnologia muito "caprichoso", nem tudo é possível fazer à primeira vez. Por exemplo, dos primeiros 17 lançamentos do míssil balístico intercontinental R-39, mais de metade falharam. Contudo, o Sarmat tem todas as chances de passar esta fase rapidamente e se tornar "maduro" devido à grande experiência que acumularam os especialistas russos na produção e manutenção de mísseis de silo. Apesar disso, nos próximos dois ou três anos, os criadores do míssil perspectivo terão que se esforçar muito e tentar evitar erros, já que apenas uma pequena falha é capaz de adiar a data do último teste por vários anos.

    Em futuro próximo, os mísseis Sarmat, junto com Yars e Topol, devem virar a principal arma da Força Estratégica de Mísseis russa.

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    Tags:
    míssil balístico intercontinental, lançamento, RS-28 Sarmat, Rússia
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