13:48 19 Janeiro 2018
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    Especialistas em armas químicas e biológicas

    Rússia está preocupada com armas biológicas americanas perto de suas fronteiras

    © AFP 2018/ Daniel PIRIS
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    O Ministério das Relações Exteriores russo emitiu um comunicado em que expressou sua preocupação pela implantação na povoação georgiana de Alekseevka do Comando de Pesquisa Médica e Logística do Exército dos Estados Unidos.

    Que ameaça pode representar este laboratório americano no território de outro país perto da fronteira com a Rússia?

    Igor Nikulin, ex-membro da Comissão sobre Armas Químicas e Biológicas da ONU, disse ao portal russo BFM que nos últimos anos os americanos tinham estabelecido cerca de 400 laboratórios biológicos por todo o mundo.

    Como ele observou, no território dos países membros da Comunidade dos Estados Independentes (CEI) operam mais de 20 instalações deste tipo: 13 se encontram na Ucrânia, três ou quatro na Geórgia e dois no Cazaquistão, entre outros países.

    "O Pentágono gastou mais de 500 milhões de dólares [R$ 1,5 bilhão] para este fim", disse o especialista.

    De acordo com Nikulin, após a criação destes laboratórios começaram ocorrendo surtos constantes de várias epidemias nos respectivos países. Assim, a Ucrânia sofre frequentemente de gripe suína, enquanto os cidadãos da Geórgia sofrem de pneumonia atípica.

    Por consequência, a Rússia tem repetidamente manifestado sua preocupação com esses fatos que podem ser considerados como uma guerra biológica contra o país eslavo, disse ele.

    "Vamos tentar fazer com que esses laboratórios fechem e sejam removidos das nossas fronteiras", disse ele.

    Todos os especialistas em vírus que trabalham nas instalações biológicas em questão são dos EUA. Além disso, todos os países que permitem construir estes centros em seu território são obrigados a assinar acordos de não divulgação, disse Nikulin.

    "Os Estados Unidos assinaram a Convenção para Proibição de Armas Biológicas e não produzem estas armas em seu país, mas eles fazem isso nas chamadas zonas cinzentas, ou países em condições de Estado frágil", disse o especialista.

    Viktor Baranets, ex-porta-voz do Ministério da Defesa da Rússia, também partilhou sua opinião sobre a questão.

    Segundo ele, de fato, é quase impossível verificar se nestes laboratórios são produzidas armas de destruição em massa ou antissoros e meios que ajudam lutar contra as armas biológicas.

    Alguns anos atrás, a atividade do laboratório de pesquisas científicas Richard Lugar, localizado perto da capital da Geórgia – Tbilisi, recebeu uma grande repercussão na mídia. Por isso, em 2013 o governo georgiano ordenou fechar o centro e, em vez dele, criar numerosos laboratórios menores por todo o país.

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    Tags:
    Convenção sobre Armas Biológicas (BWC), armas biológicas, Comunidade dos Estados Independentes, EUA
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