01:07 23 Agosto 2017
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    Tanaka Akio

    Confira a história do soldado japonês que permaneceu na Rússia após Segunda Guerra Mundial

    © Foto: Artyom Kurtov
    Rússia
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    No minúsculo povoado de Pogi, na região de São Petersburgo, vive Tanaka Akio, um aposentado de 89 anos, que é cidadão do Japão que não visita seu país desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

    "Desejo olhar para o Japão ao menos com um olho. Queria observar como se alterou a minha pátria, como é que vive o meu povo hoje em dia. E o processo como floresce a sakura [cerejeira]. Para mim é como a bétula branca para um russo. É mais do que uma arvore ou um símbolo. É uma coisa sacral que está ligada ao clã, à história, às origens", comunicou ao semanário Argumenty i Fakty Tanaka Akio.

    Ele nasceu em 1927 na cidade de Ebetsu, província de Hokkaido. Quando tinha 17 anos, ele entrou para o Exército de Guangdong (grupo de exércitos do Exército Imperial Japonês, no início do século XX). Na frente, ele revelou coragem e foi promovido a sargento e condecorado com a Estrela de Ouro. Em 1944, ele perdeu um olho e em 1945 foi feito prisioneiro pelo Exército Soviético e enviado da China para a cidade de Khabarovsk.

    ​Ele passou 10 anos no campo de prisioneiros de guerra № 16 trabalhando junto com os outros prisioneiros. Segundo ele, os prisioneiros eram bem tratados e alimentados a tempo. Quando se iniciou o processo de libertação dos prisioneiros, os soldados se dirigiram para o Japão, mas os comandantes permaneceram na Rússia porque estavam convencidos que seriam executados como traidores.

    Ex-militar japonês Tanaka Akio
    © Foto: Artyom Kurtov
    Ex-militar japonês Tanaka Akio

    Após a libertação, ele se deslocou para Vladivostok, onde recebeu o passaporte soviético e mudou de nome para Pyotr em vez de Akio. Ele se formou como motorista e começou a trabalhar no navio de passageiros a vapor Ivan Kulibin. Nos meados dos anos de 1960, ele se mudou para a região de São Petersburgo e começou trabalhando para a fazenda estatal Fyodorovskoie. Após 18 anos de trabalho, ele se aposentou.

    Hoje, Tanaka Akio vive num apartamento de um quarto no povoado de Pogi. Ele se casou várias vezes, mas sobreviveu a todas as suas esposas. Ele não tem filhos.

    "Nos anos 70, fui a São Petersburgo, ao consulado geral do Japão, e compartilhei minha história. Eles enviaram uma inquirição para o Japão. Se descobriu que meu pai já tinha morrido há muito e a irmã não me respondeu. É possível que ela me continue considerando como traidor e não consegue me desculpar. Segundo a tradição, toda a família de um traidor fica desonrada", acrescentou ele.

    Agora, passados mais de 70 anos desde a Segunda Guerra Mundial e nas vésperas do seu 90º aniversário, ele sonha visitar sua pátria. O Consulado do Japão tenta encontrar seus parentes no Japão e as organizações filantrópicas locais começaram recolhendo fundos para a sua viagem. 

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    Tags:
    vida, pós-guerra, trabalho, soldado, aniversário, viagem, libertação, história, prisioneiros, Segunda Guerra Mundial, Japão, Rússia
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