04:32 05 Agosto 2020
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    Em 16 de março de 2014, as populações da Crimeia e de Sevastopol, então territórios da Ucrânia, foram às urnas participar de um referendo no qual declararam sua vontade de se reintegrar à Federação Russa, já que sempre se consideraram russos.

    Logo após conhecido o resultado do referendo, o Presidente Vladimir Putin expediu uma série de determinações à equipe de Governo para que Crimeia e Sevastopol fossem oficializados como territórios integrantes da Federação Russa. Em menos de uma semana, as determinações foram cumpridas e transformadas em decreto, o que provocou fortes reações tanto por parte da Ucrânia como em vários países da União Europeia e nos Estados Unidos, então sob a presidência de Barack Obama.

    Em razão destes três anos de integração da Crimeia à Federação Russa, Sputnik Opinião divulgou uma pesquisa mundial que revela que 36% dos alemães, 34% dos italianos, 26% dos habitantes do Reino Unido, 23% da população dos Estados Unidos e 20% dos franceses consideram a Crimeia como parte integrante da Rússia.

    A pesquisa foi realizada pela empresa TNS Global para a Agência de Notícias e Rádio Sputnik.

    O especialista Diego Pautasso, da Unisinos – Universidade do Vale dos Sinos no Rio Grande do Sul, fala de História e comenta os resultados da pesquisa de Sputnik Opinião:

    "Apesar da russofobia que passou a imperar na mídia ocidental, não há como sonegar a informação de que a Crimeia fez parte da Rússia e da União Soviética na maior parte do século XX. Na verdade, a Crimeia faz parte da Rússia desde o século XVIII. Portanto, os fatos revelam essa contradição: de um lado, a russofobia e de outro o vínculo orgânico da Rússia com esse território."

    "Em relação ao fato de os alemães serem o povo que mais aprova, na Europa, a integração da Crimeia à Rússia”, comenta Pautasso, "minha convicção vem dos fatos relacionados à Segunda Guerra Mundial. Foi na Crimeia e também em Stalingrado e em Leningrado que a União Soviética e a Rússia demonstraram um forte poder de resistência ao cerco nazista, reverteram a situação, e tudo isso levou os alemães a reconhecer, em maior intensidade, que a Crimeia fez e faz parte, sim, do território russo."

    Já para Creomar de Souza, professor da Universidade de Brasília, existem aspectos que merecem reflexão:

    "Há dois fatores a serem considerados: o primeiro é o fato de que essa questão do pertencimento da Crimeia à Federação Russa é bastante polêmica em termos de Europa Ocidental. O que temos, de um lado, é que habitantes da Alemanha, da Itália e do Reino Unido têm uma aceitação maior deste fato do que os dos Estados Unidos. Mas, de outro lado, o fato é que os níveis de aceitação ainda são menores do que os níveis de rejeição. Por que isso acontece? Porque em determinado sentido ainda há uma resistência dos governantes dos países em que há essa rejeição em estabelecer um diálogo com as autoridades russas para solucionar a questão. De um lado, os russos têm uma posição de que, a partir do referendo de março de 2014, a integração da Crimeia é dada como fato dado, e de outro temos a posição de alguns países europeus e dos Estados Unidos de que algo ainda precisa ser resolvido."    

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    Tags:
    russofobia, independência, Creomar de Souza, Diego Pautasso, Barack Obama, Vladimir Putin, União Europeia, EUA, Ucrânia, Sevastopol, União Soviética, Alemanha, Rússia, Sebastopol, Crimeia
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