13:33 20 Setembro 2017
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    A Russian serviceman, left, trains Syrian soldiers to search and detect explosive devices in Palmyra. File photo

    Trump 'provavelmente se unirá à Rússia e à Síria para libertar Raqqa do Daesh'

    © Sputnik/ Mikhail Voskresenskiy
    Rússia
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    A única maneira de o presidente dos EUA, Donald Trump, libertar Raqqa, a "capital" do Daesh (ISIS/EI), é unir forças com a Rússia e com a Síria em campo, informou à Radio Sputnik o especialista militar russo Ivan Konovalov.

    "A principal ofensiva do exército sírio é a única maneira de realizar essa tarefa: a captura de Palmira, a libertação de Deir ez-Zor e depois o avanço em Raqqa. E [para Trump] isso significa trabalhar com [o presidente sírio Bashar] Assad e com a Rússia", disse Konovalov à rádio Sputnik.

    O Washington Post noticiou na quinta-feira que a administração Trump que cancelou o plano de Barack Obama de tomar Raqqa, a capital do Daesh.

    "Eles forneceram as informações, mas descobrimos enormes lacunas, era um trabalho deficiente", disse um alto funcionário da Casa Branca que analisou o documento.

    O funcionário especificou que o plano de Obama, que prevê o armamento e treinamento de combatentes curdos sírios, não tem detalhes sobre onde exatamente o treinamento ocorrerá e quantos soldados americanos serão necessários.

    Membros das Unidades de Proteção do Povo do Curdistão (YPG) monitoram as posições do grupo do Estado Islâmico (Daesh) na cidade síria de Ras al-Ain, perto da fronteira turca em 13 de março de 2015
    © AFP 2017/ DELIL SOULEIMAN
    Membros das Unidades de Proteção do Povo do Curdistão (YPG) monitoram as posições do grupo do Estado Islâmico (Daesh) na cidade síria de Ras al-Ain, perto da fronteira turca em 13 de março de 2015

    Para complicar ainda mais as coisas, o plano proposto não inclui nenhuma disposição para coordenar as operações com a Rússia ou uma estratégia política clara para aliviar as tensões com Ancara sobre a cooperação entre os EUA e o Curdistão, destacou o funcionário.

    O Governo turco considera as Unidades de Proteção Popular do Curdistão (YPG) como uma filial do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), que é designado como uma organização terrorista na Turquia. Ancara criticou repetidamente a política do governo Obama de armar e treinar militantes curdos sírios.

    Embora a estratégia síria de Trump ainda não tenha sido articulada, os observadores americanos referiram-se ao fato de que o presidente dos EUA considera a erradicação de Daesh como uma prioridade número 1. Citando a retórica eleitoral do presidente, eles assumem que Trump pode se juntar à coalizão russo-síria para derrotar o grupo terrorista.

    "Antigas administrações dos EUA teriam sido extremamente cautelosas com a cooperação tática turca com a Rússia, mas aparentemente, não é o caso do presidente Trump, que mencionou juntar-se com a Rússia e o governo de Assad para despachar o Estado Islâmico (esperando, ao mesmo tempo, separar o Irã dessa carruagem) ", disse Aaron Stein, do American Interest, nesta quinta-feira.

    Enquanto isso, o presidente Trump instruiu o secretário de Defesa James Mattis e altos funcionários do Pentágono a elaborar outro plano para tomar Raqqa dentro de 30 dias.

    Militares americanos durante operação perto de Raqqa, em 6 de novembro de 2016
    © REUTERS/ Rodi Said
    Militares americanos durante operação perto de Raqqa, em 6 de novembro de 2016

    "O presidente Donald Trump é um homem de negócios e um homem que está acostumado a pensar direito. Ele obviamente percebeu que Obama não tinha nenhum plano completo. É ridículo confiar isso [exclusivamente] aos curdos, no entanto, eles [a administração Obama] tinham feito dessa forma. Ao mesmo tempo, os EUA têm sérias contradições com os turcos, seus aliados da OTAN [na região]", disse Konovalov, acrescentando que esta controvérsia, obviamente, minou a eficiência das operações militares dos EUA em campo.

    Aparentemente, portanto, Trump decidiu acabar com este "plano sem perspicácia" do governo Obama, enfatizou o especialista russo.

    De acordo com Konovalov, é possível que Trump decida coordenar esforços anti-Daesh mais próximo da Rússia e do presidente sírio Bashar Assad.

    Talvez, Trump entenda que ele só pode ter sucesso em tomar Raqqa, fazendo parceria com o Exército Árabe Sírio, que é apoiado pela Rússia, o especialista deduz.

    Konovalov também se referiu ao plano de Trump de criar "zonas seguras" na Síria. Se este plano é realmente projetado para acelerar a resolução da crise síria, pode funcionar, observou.

    Na verdade, o ministro russo das Relações Exteriores, Sergei Lavrov, sinalizou recentemente que a Rússia não considera a proposta de Trump de construir zonas seguras na Síria uma tentativa de repetir o "cenário líbio".

    "Nós entendemos que a administração de Donald Trump ainda precisa especificar sua abordagem.A idéia de zonas seguras foi discutida no início da crise síria. Então, eles queriam repetir o cenário líbio, anunciando a criação de uma zona segura, onde as forças anti-governo foram localizadas. Eu não vejo que Washington tenta seguir o mesmo caminho agora", disse Lavrov quarta-feira em uma conferência de imprensa em Abu Dhabi.

    Por sua vez, Mohammed Kheir Jasim Nadir, um membro do parlamento sírio, enfatizou que o plano deve ser coordenado com o governo sírio.

    "Qualquer proposta deve ser aprovada e coordenada com o governo sírio, pois é a primeira e última a tomar decisões", disse Nadir ao Sputnik.

    "De acordo com a resolução 2254 do Conselho de Segurança da ONU, as autoridades sírias são responsáveis pela proteção de seu povo, e se Trump quiser ter êxito em qualquer proposta, deve primeiro bater à porta certa, coordená-la diretamente com Damasco ou Moscou, que coordena totalmente com Damasco. O governo sírio é o administrador exclusivo para seu povo e sua geografia", ele elaborou.

    Konovalov observou que a Turquia tentou criar uma espécie de zona segura no norte da Síria. No entanto, há desconfiança mútua entre Damasco e Ancara por causa da operação turca no norte da Síria. No entanto, agora Síria, Turquia, Irã Rússia estão tomando esforços para derrotar os jihadistas islâmicos e garantir o cessar-fogo sírio.

    Trump vê que Washington precisa mudar sua estratégia síria; Seria um passo na direção certa se ele decidir unir forças com Moscou e Damasco em campo.

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    Conselho de Segurança da ONU, Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Departamento de Defesa dos EUA, American Interest, Pentágono, Unidades de Proteção Popular (YPG), Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), Washington Post, Exército Árabe Sírio, OTAN, Mohammed Kheir Jasim Nadir, James Mattis, Sergei Lavrov, Ivan Konovalov, Donald Trump, Barack Obama, Bashar Assad, Síria, Washington, Moscou, Damasco, Abu Dhabi, Líbia, Irã, Turquia, Astana, Estados Unidos, Rússia, Palmira
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