03:25 07 Dezembro 2019
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    Premiê japonês Shinzo Abe apertando a mão do presidente russo Vladimir Putin

    Rússia e Japão: compromisso inevitável ou impossível?

    © AFP 2019 / IVAN SEKRETAREV / POOL
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    A visita de Vladimir Putin ao Japão em 15-16 de dezembro não irá resolver o problema territorial, mas vai melhorar as relações bilaterais. Este ponto de vista foi compartilhado pelos especialistas do Instituto do Extremo Oriente russo no decurso de uma coletiva de imprensa.

    Valery Kistanov, chefe do centro dos estudos japoneses do Instituto do Extremo Oriente russo, opina que o tema principal do encontro de alto nível serão questões da cooperação econômica, que evidentemente não corresponde às capacidades e aos interesses dos ambos os países.

    A parte da Rússia nas trocas comerciais externas do Japão é de 1,4%, e a parte japonesa no comércio externo russo é de 4,6%. Isto, de acordo com Kistanov, indica um nível inadmissivelmente baixo da cooperação na área comercial e econômica. Aqui, conforme o cientista russo, se vê o fato de que os japoneses não se dão conta das possibilidades de fazer negócios na Rússia e o clima pouco agradável dos investimentos no país. Apesar de tudo, Kistanov manifestou o desejo de que o pacote de documentos, previsto ser assinado, contribua para a ruptura das tendências negativas nas relações econômicas.

    A posição de Shinzo Abe, premiê japonês, com seu desejo de cooperar com a Rússia, irrita os EUA que veem neste comportamento uma violação da solidariedade de posições do G7 em relação à Rússia. Os próprios japoneses acham que Abe pode ir longe demais na cooperação com a Rússia sem receber nada em troca. Mas, como pressupõem os especialistas russos, Shinzo Abe tem um interesse mais amplo na Rússia e que está relacionado com a China.

    "A visita atual servirá para dissipar o mito de que a Rússia promove uma política pró-chinesa. Ao contrário, ela prova a flexibilidade e a independência da política externa russa. Se esta visita não resolver o problema territorial, pelo menos melhorará as relações bilaterais", disse Sergei Luzyanin, chefe do Instituto do Extremo Oriente.

    "O Japão está cercado por 'disputas territoriais' de todos os lados, mas apenas a Rússia tem intenção de realizar conversações sobre o assunto ao mais alto nível", disse Valery Kistanov.

    Vale lembrar que há vários roteiros para o futuro das Ilhas Curilas: desde o governo conjunto de algumas ilhas à criação da legislação conjunta. O presidente da Rússia, Vladimir Putin, durante entrevista ao canal japonês NTV, declarou que a Rússia não tem problemas territoriais com o Japão, mas se Tóquio tem estes problemas, Moscou está pronta a negociar.

    Segundo considera Kistanov, nos dias 15 e 16 de dezembro o ponto final na disputa territorial não será colocado. "É natural que Abe queira acabar com este assunto. Putin também tem essa intenção. Mas cada um deles tem sua própria visão. Os japoneses não podem imaginar um acordo de paz sem resolver este problema. Mas os lados tem pontos de vista bem diferentes em relação às ilhas. Não se pode imaginar que a Rússia entregue todas as quatro ilhas, também não se pode imaginar que o Japão desista de todas as quatro. Isto significa que apenas resta buscar um compromisso…"

    Respondendo à questão da Sputnik Japão sobre a possibilidade da entrega de apenas duas ilhas, Kistanov disse que teoricamente é possível, mais na prática é completamente impossível.

    "Hoje em dia tudo anda em torno do possível compromisso. Será criada alguma formula que permita a ambos os lados salvar a face. Será necessário encontrar alguma 'chave magica' para resolver o problema de modo favorável para todos", frisou Kistanov. Ele disse que a simples elaboração de um plano para resolução da disputa e para assinatura de um acordo de paz já será um bom resultado.

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    Tags:
    acordo de paz, disputa territorial, Shinzo Abe, Vladimir Putin, Ilhas Curilas, Japão, Rússia
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