20:36 14 Dezembro 2017
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    António Guterres, candidato ao Secretário-Geral da ONU, fala na sede da ONU, Nova York, EUA, abril de 2016 (foto de arquivo)

    'Não fora isso, Rússia não teria consentido que dirigente da ONU fosse membro da OTAN'

    © AFP 2017/ KENA BETANCUR
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    Vladislav Jovanovic, ex-representante permanente sérvio na ONU, disse que está muito surpreendido com o fato de que António Guterres se tornou o favorito na eleição do secretário-geral da ONU.

    O diplomata disse à Sputnik Sérvia que está seguro que a Rússia e os EUA conseguiram atingir um compromisso porque, se não fosse isso, a Rússia não teria concordado com um candidato de um país-membro da OTAN.

    "Não sabemos o que recebeu em resposta. É possível que em troca desta decisão a Rússia tenha recebido uma outra concessão. Não creio que Moscou simplesmente tenha concordado com uma escolha pouco favorável para o país, ou seja,  que o secretário-geral [da ONU] seja uma pessoa que representa um país do mesmo bloco que os EUA. Pensava que a Rússia votasse por uma candidata da Bulgária. Além de que Guterres não é da Europa de Leste [a Rússia apoiava a ideia de escolher o novo Secretário-Geral da ONU desta região – red.], ele também é de um dos países-membros mais antigos da OTAN".

    Jovanovic afirmou que Guterres, na sua opinião, no cargo do secretário-geral da ONU, não vai opor-se à posição dos EUA e as forças ocidentais em geral.

    "Podemos esperar que expresse desacordo se algum outro país manifestar falta de firmeza de princípios, mas, como representa um país da Aliança, é obrigado a seguir a política deste bloco. Com certeza, não fará isso em público <…>, mas não devemos esperar que o novo secretário-geral seja  contra quaisquer ações da OTAN, mesmo se estas não corresponderem a resoluções da ONU", disse o diplomata sérvio, lembrando que, em 1999, a Aliança iniciou os bombardeamentos da Jugoslávia sem a autorização da ONU.

    Ontem (5), na sexta e última votação dos candidatos a secretário-geral da ONU, António Guterrres, ex-primeiro-ministro de Portugal, recebeu nove votos de apoio necessários com nenhum voto contra entre os membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU. A última votação decisiva será realizada hoje (6) na reunião do Conselho de Segurança, depois da qual o órgão recomendará o candidato escolhido à votação na Assembleia Geral da ONU.

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    secretário-geral, eleição, ONU, António Guterres, Portugal, Sérvia, Rússia
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