22:56 18 Agosto 2017
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    Primeiro-ministro da Rússia, Dmitry Medvedev

    Rússia: uma nova dinâmica econômica

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    Rússia
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    Poucos dias após as eleições parlamentares na Rússia, o primeiro-ministro e chefe do governo russo Dmitry Medvedev publicou um artigo em que analisa os resultados preliminares do programa de reestruturação econômica do país.

    No seu texto intitulado "Rússia: nova dinâmica", o alto funcionário destacou que a economia russa tem percorrido uma fase de mudanças estruturais devido à queda dos preços do petróleo — a principal fonte de renda, restrições econômicas de alguns países e problemas estruturais que não foram resolvidos anteriormente. Medvedev também se concentrou nas escolhas que o governo fez para atravessar as dificuldades e quais serão os próximos passos. 

    A Sputnik apresenta as 10 teses nas quais o primeiro-ministro se focou. 

    1. As dificuldades econômicas na Rússia são um caso particular da crise global 

    A crise já está na agenda econômica desde 2008 e até hoje continua influenciando a estabilidade dos mercados mundiais. O mercado financeiro global é capaz de transferir grandes somas de dinheiro quase instantaneamente, no entanto, ele carece de um sistema regulatório adequado. A economia também cedeu a interesses políticos e até, por vezes, é substituída por eles. As restrições econômicas sobre a Rússia são nada mais de um claro exemplo desta tendência. 

    2. A economia russa é menos afetada pelos preços do petróleo e sanções que pelos problemas estruturais

    Em 2015, o preço do petróleo caiu pela metade em alguns seis meses, algo que não tem precedentes na história moderna. No entanto, o principal fator que impede o crescimento rápido da economia russa reside no esgotamento do próprio modelo econômico do início dos anos 2000. Uma redução substancial nas taxas de crescimento ocorreu muito antes de os preços do petróleo caírem e países ocidentais imporem suas restrições econômicas. 

    3. A Rússia tem mantido uma economia de mercado, apesar das ameaças 

    No final de 2014, os especialistas previram uma queda da economia russa. E isso poderia ter acontecido se o governo decidisse fixar a taxa de câmbio, aumentar os gastos do orçamento, congelar preços e tomar uma série de medidas restritivas. Em vez disso, as autoridades econômicas do país trabalharam incansavelmente para amortecer o impacto inicial, permitindo que o mercado se adaptasse às novas condições. Os resultados superaram as previsões em quase todos os aspectos. 

    4. A dependência do sector petrolífero diminuiu 

    Ao contrário dos anos anteriores à crise, hoje mais de 60% do orçamento nacional é composto por receitas não relacionadas com a indústria de hidrocarbonetos. A decisão de passagem para um regime de definição das metas de inflação permitiu ao país preservar suas reservas de divisas e metais preciosos e garantir a estabilidade do seu sistema monetário. Depois do primeiro impacto, a inflação caiu para seus níveis anteriores à crise. 

    5. O sistema bancário se manteve estável 

    O Banco Central da Rússia retirou as licenças a 93 bancos em 2015 e a mais 48 nos primeiros seis meses de 2016. Esta medida permitiu evitar a propagação de ativos tóxicos no mercado e avançar na defesa das poupanças da população e organizações. O sistema bancário é geralmente muito mais estável hoje do que era em 2008. Em 2015, os depósitos bancários da população aumentaram 25%, enquanto as contas corporativas aumentaram 20%. 

    6. A fuga de capitais da Rússia se reduziu

    As restrições econômicas por parte de alguns países causaram a fuga de capitais da Rússia, uma tendência que em 2015 caiu em mais de 2,5 vezes, para US $ 58,1 bilhões, em comparação com $ 153 bilhões em 2014. Nos primeiros seis meses de 2016, esse valor chegou a US $ 10,5 bilhões, com US $ 51,5 bilhões no mesmo período de 2015. Por sua vez, a dívida externa da Rússia caiu quase um terço – do seu pico de $ 733 bilhões alcançado em meados de 2014, para se fixar em US $ 516 milhões em meados de 2016. 

    7. Redução do sector primário e crescimento industrial 

    A queda dos preços do petróleo e as restrições externas atingiram o setor primário da economia, desviando recursos para o setor industrial e impulsionando seu crescimento. Assim, em 2015, enquanto a produção de petróleo cresceu apenas 0,3%, a produção química em geral aumentou 6,3% e 26% foi o crescimento do sector farmacêutico. A agricultura e indústria alimentar, por sua vez, estão mostrando um crescimento constante, com 3% em 2015 e 3,2% nos primeiros sete meses de 2016. 

    8. Substituição de importações

    O crescimento da produção doméstica permitiu substituir substancialmente as importações. Esta tendência teve um efeito maior sobre a indústria automóvel. Através da criação de empresas industriais conjuntas dentro do país, as importações caíram 22,5% em 2015. Além disso, a indústria metalúrgica tem substituído 4,5% das importações; 7,8% foi o resultado nas indústrias ligeira e têxtil e 4,1% na produção de alimentos. 

    9. As empresas estão melhor que os indivíduos 

    No entanto, todas estas medidas de estabilização têm sido até agora incapazes de compensar integralmente a principal consequência da crise: a diminuição das receitas dos russos. No entanto, o governo está desenvolvendo o sistema de ajuda social. Estes gastos têm crescido mais depressa do que outros.

    10. Governo espera um impulso no investimento

    A fim de impulsionar o crescimento sustentável, a Rússia está se preparando para encorajar o investimento dos atuais 20% para 22-24% do PIB. Para isso, diz Medvedev, é necessário desenvolver medidas que não só incentivem a poupança, como também se transformem em investimentos. O principal problema não são as taxas de juro, mas o alto nível das flutuações econômicas.

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    economia, Dmitry Medvedev, Rússia
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