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11 Agosto 2014, 21:04

Argentina reencontra cinema russo e firmará acordo de parceria cinematográfica com Rússia

Argentina, Rússia, cinema

A Semana do Cinema Russo na Argentina, que se realizará entre 18 e 24 de setembro, será um “reencontro”, depois de 20 anos de pausa, do público argentino com as obras-mestres da cinematografia russa. Tal é a opinião de Julio Ludueña, diretor de cinema e membro da DAC, Diretores Argentinos Contemporâneos, que organiza o evento em Buenos Aires.

A mostra argentina é dedicada aos 90 anos do Mosfilm, maior consórcio cinematográfico russo, e que viu e documentou quase todos os principais eventos da história da Rússia e do mundo. E não é só Argentina: neste ano, o consórcio faz toda uma turnê pelo mundo inteiro. E no Brasil, a coisa vai além de salas de cinema, os filmes clássicos russos entram em casas, graças a um projeto de lançamentos de DVD.

Os filmes escolhidos para serem mostrados na Argentina são, segundo o site do evento, “Andrei Rublev”, “Balada sobre o soldado”, “Moscou não acredita em lágrimas”, “Quarto de hospital №6”, “Tigre branco”, “A Família”, “Alguns dias da vida de I.I. Oblomov”, “Sol branco do deserto”, “Dersu Uzala” e “Cuidado com o automóvel”.

Em entrevista exclusiva à Voz da Rússia, Julio Ludueña comenta os detalhes do projeto.

– Como surgiu a ideia do projeto?

– Neste ano se comemoram os 90 anos do Mosfilm. Nós recebemos do consórcio, através da embaixada russa na Argentina, a proposta de mostrar uma retrospectiva. À DAC lhe pareceu muito boa a ideia de tal mostra, que significa um verdadeiro reencontro do público argentino com o cinema russo, que, por distintos motivos, faz uns 20 anos que está interrompido. Faz 20 anos está interrompido o intercâmbio cinematográfico entre a Rússia e a Argentina. Porém, nós os argentinos admiramos muito o cinema russo, todos vimos esses filmes com muito carinho e muita admiração. Eu, como diretor de cinema, me formei assistindo cinema russo, e nós todos o consideramos uma arte cinematográfica superior.

De modo que imediatamente aceitamos com muita alegria essa iniciativa da Mosfilm, e a DAC pôs-se a preparar e organizar o evento. Conseguimos umas salas de Arte Multuplex em Belgrano e do Cinemark em Palermo (salas de cinema em bairros de Buenos Aires), cinemas muito representativos da cidade de Buenos Aires para que a Semana se realizasse nessas salas com a colaboração do Instituto de Cinema e Artes Audiovisuais (INCAA) e também do Ministério da Cultura argentino.

Assim que estamos já trabalhando intensamente na preparação da mostra e temos mantido uma teleconferência com Karen Shakhnazarov na quarta-feira passada, dia 6 de agosto. Está tudo combinado para que ele venha também a Buenos Aires para presenciar o evento. Esperamos estabelecer finalmente vínculos de reencontro entre o cinema russo e o cinema argentino para o bem de todo o público argentino e, suponho, para o bem do público russo.

– A que se deve essa interrupção de 20 anos?

– Suponho que eram umas questões alheias às culturais. Eu suponho que, fundamentalmente, no cinema, as questões de distribuição são fundamentais e eu acredito que anteriormente, até a queda do Muro de Berlim, havia formas de distribuição de cinema a um e outro lado. Posteriormente, isso se cortou, porque o cinema mundial é distribuído pelos grandes distribuidores norte-americanos . E eles não distribuem nem filmes argentinos nem filmes russos, já que a única possibilidade que há é fazer um intercâmbio direto, como o que estamos inventando agora entre a Rússia e a Argentina para distribuição em um país de filmes do outro, e inclusive para coprodução cinematográfica. Durante a conversa com Karen Shakhnazarov, ele disse que gostava muito de autores argentinos e que com muito prazer trabalharia com algum deles e que gostava muito de Borges. Tudo isso é já uma base para uma coprodução. Muitos de nós também gostaríamos de contar histórias russas na Argentina.

– Como vai ser, segundo o senhor, a reação do público argentino na Semana, os espectadores irão gostar dos filmes que vão mostrar?

– Eu acredito que o público argentino irá ficar muito agradecido de ter a possibilidade de tornar a assistir as grandes obras do cinema russo. E por outra parte, são grandes obras do cinema mundial. Por outra parte, vai ficar muito agradecido de retomar o contato com o cinema russo. A Argentina, e Buenos Aires em particular têm um público cinematográfico muito grande e muito ávido de bons filmes. Vai estar muito contento por ter a opção de poder ver o cinema russo, que lamentavelmente neste momento não tem. Eu acredito que é importante para a cultura e também para a sua vontade de ir ao cinema e poder ver outro tipo de filmes que por outra parte como disse antes todos os argentinos supõem que são de boa qualidade cinematográfica superior. A reação do público, acredito, vai ser muito boa.

– Segundo o próprio Mosfilm, existe a ideia de adaptar a obra de Jorge Luis Borges para o cinema. O senhor gostaria de vê-la?

– Seria muito, muito interessante ver uma adaptação de uma obra de Borges feita pelo Mosfilm, que são muito profundas e interessantes e sobre todo muito universais e seria muito interessante vê-las convertidas em um filme russo. Acredito que isso seria um grande primeiro passo de produção conjunta. Seria muito importante e muito interessante tanto para a Rússia, como para a Argentina e um grande trabalho conjunto das nossas cinematografias sobre o grande autor argentino mundialmente conhecido.

– Há outros projetos nacionais ou internacionais que o senhor destacaria na DAC?

– Sim, acredito que nesse momento há muitos projetos que poderiam encaminhar-se até as bases de uma futura coprodução entre a Rússia e a Argentina. Esperamos que venha Karen Shakhnazarov para juntamente com o INCAA estabelecer as bases de um acordo para que esse sistema de coprodução seja facilitado e comece a fluir normalmente. Começaria a nova possibilidade de coprodução internacional.

– Existe um critério de seleção dos filmes?

– Fizemos a seleção juntamente com o Mosfilm, através do material que o consórcio nos disponibilizou para poder fazer uma mostra retrospectiva que servisse para poder voltar a contatar e produzir este reencontro do público argentino com o cinema russo. Há gerações que não viram esses filmes e que não têm tido possibilidade de vê-los e que agora, através da Semana do cinema Russo, vão se encontrar com eles. Escolhemos as obras-mestres do cinema russo. E, além disso, filmes atuais, como “Tigre Branco”, que vão permitir criar uma visão do cinema russo atual. Fizemos a seleção dos filmes para poder traçar e contemplar uma recorrida da trajetória do cinema russo do que podemos chamar de cinema soviético até a atualidade.

– Se o senhor me permitir essa pergunta, o default argentino afeta a indústria do cinema?

– Não. Eu acredito sinceramente que não é um default. Acredito que é uma manobra dos “fundos abutres”, para afetar na liberdade e soberania de países como a Argentina. Não sendo um default, também não afeta realmente a atividade econômica argentina. Acredito que vai afetar mais os próprios tribunais de Nova York que invadiram a soberania de outros países. Não afeta nem ao cinema nem a nenhuma outra atividade essa manobra econômica, absolutamente fora da lei que os “fundos abutres” estão realizando.

 

As opiniões expressas são da responsabilidade do entrevistado

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