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21 Março 2014, 10:06

Dilma e suas duas realidades antagônicas: nas urnas e na Câmara

A poucos meses das eleições federais, Dilma Rousseff vive duas realidades que não poderiam ser mais antagônicas. De um lado, surfa tranquila o apoio de seu eleitor, que parece não se abalar com o alarde de economistas e nem com os casos teoricamente duvidosos de gestão pública. De outro, sofre um abandono repentino no âmbito legislativo, motivado pela inablidade da mandatária em conduzir um jogo político que ela mesmo ajudou a construir.

Tamanho é o abismo que separa essas duas realidades que, no momento, o Brasil vive uma situação rara: se as eleições fossem hoje, Dilma seria eleita sem qualquer problema no primeiro turno, com 43% dos votos. Todos os demais presidenciáveis, juntos, (Aécio Neves e Eduardo Campos/Marina Silva) não conseguiriam mais do que 26%, segundo pesquisa divulgada nesta quinta-feira, 20, pelo Ibope.

De outro lado, eleita e reempossada, a presidente não teria maioria na Câmara dos Deputados para aprovar seus pleitos. Ou seja, falamos de uma presidente aclamada por mais quatro anos por uma maioria esmagadora da população, mas tendo de correr atrás de capital político para conseguir um mínimo de governabilidade.

Bom, mas isso tudo é bobagem. Afinal de contas, a crise política capitaneada pelo PMDB, o partido que exemplifica a fisiologia da política brasileira, não pode ser levada muito em consideração. A cada quatro anos, sejamos justos, o PMDB se presta a esse papel. Faz birra e inventa uma crise para, quem sabe, ganhar um pedaço ali, outro naco acolá do próximo gabinete presidencial.

Nas eleições anteriores, a estratégia do PMDB foi bem-sucedida. Em grande medida devido ao mandatário de então, Luiz Inácio Lula da Silva, que tem na política de acordos e de distribuição de cargos seu DNA de gestão de conflitos. Dessa vez, o PMDB bateu em outra porta, a de Dilma, famosa por sua inflexibilidade, mais do que conhecida por seu perfil autoritário e descortês quando contrariada.

E foi assim mesmo que a presidente encarou o recente embate entre seu governo e o bloco de PMDBistas descontentes na Câmara, união de deputados apelidada de Blocão, liderada por Eduardo Cunha, líder da legenda. Ele infernizou a semana de Dilma Rousseff. Enquanto a presidente tentava evitar o confronto direto, dizendo que o PMDB só dá "alegrias" ao governo, Cunha conduzia um bloco de aliados insatisfeitos que impôs derrotas constrangedoras ao Planalto.

Mas essa crise tem data para acabar. Lula já foi acionado e está no circuito para conduzir um tipo de trabalho que Dilma não tem estômago. E quando tudo parecia caminhar para um final de semana tranquilo, eis que a Petrobras volta a dar trabalho. Estourou a notícia de uma refinaria adquirida pela Petrobras nos Estados Unidos em 2006. Um negócio temerário que trouxe ao país um prejuízo de US$ 1 bilhão e uma inédita investigação conduzida pela Polícia Federal, Tribunal de Contas da União e Ministério Público por suspeita de superfaturamento e evasão de divisas.

Dilma correu para se explicar. Mas antes não tivesse feito. Como resume a jornalista Dora Kramer no jornal O Estado de S. Paulo, não há mistério nem mérito na confissão da presidente Dilma Rousseff de que aprovou sem ler os termos do contrato de compra da refinaria de Pasadena, no Texas, quando era ministra da Casa Civil e presidia o Conselho de Administração da Petrobras.

Ou seja: a presidente simplesmente quis sair pela tangente, tirar o corpo dessa negociação que, agora se sabe, custou à Petrobras US$ 1,18 bilhão, sendo que tinha sido negociada a US$ 42 milhões sete anos antes.

Essa história parece dar pano para a manga. E eu não me vou estender nela sobre o risco de acabar redigindo um tratado, não um artigo. Vamos aguardar o desenrolar dos fatos. Eu, particularmente, acho que o assunto é técnico demais para que seja empregada pela oposição em uma campanha política. Não consigo imaginar Aécio Neves no palanque de campanha cobrando Dilma do erro de não ter lido um artigo de um contrato de compra internacional devidamente. Imagino, no meio desse discurso, alguém levantando a mão e inquirindo o candidato sobre o bolsa família e os rumos que ele pretende dar ao seguro desemprego.

 

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