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20 Março 2014, 16:57

Nacionalistas flamengos prontos a se separar da Bélgica

Bruxelas, na sua qualidade de centro administrativo da União Europeia, é o símbolo da Europa unida. Mas a própria Bélgica, cuja capital é precisamente Bruxelas, tem semtido na pele o fenômeno do separatismo.

As regiões setentrionais do país, ou, por outras palavras, a Flandres, reclamam há muito a soberania. Se estas aspirações dos separatistas flamengos se concretizarem, a Bélgica pode desaparecer por completo do mapa do mundo.

A crise financeira que eclodiu no fim da primeira década dos anos 2000 se tornou no catalisador de tendências separatistas na Europa. As regiões ricas dos Estados bastante bem-sucedidos começaram a declarar cada vez mais altos que estão cansados de alimentar as regiões menos desenvolvidas destes mesmos países. Um exemplo disso é a Bélgica, dividida na Flandres rica, em que se fala o neerlandês, e a Valónia francófona. Note-se que as raízes do separatismo flamengo remontam ao próprio momento de formação da Bélgica.

Acontece que este Estado é uma entidade “bastante artificial”, diz o cientista político Fiodor Lukianov:

“Historicamente, a Flandres e a Valónia, como territórios vizinhos, sempre estiveram interligadas, mas pertencem a diversas tradições culturais e linguísticas. A criação da Bélgica é resultado dos cataclismos que abalaram a Europa nas primeiras décadas do século XIX. Por isso, o próprio fato de unificação de dois povos tão diferentes, como os flamengos e os valões, num Estado único, foi uma decisão arbitrária.”

Anteriormente, a Valónia, com a sua indústria e minas de carvão, era a parte mais rica da Bélgica. Mas, na época da economia pós-industrial, quem prospera mais é a Flandres. Este fator, mais a conscientização de diferenças culturais, intensificou a aspiração dos flamengos à soberania.

De fato, as questões econômicas são provavelmente o maior argumento contra a saída da Flandres da Bélgica, afirma o analista Alexei Kuznetsov:

“A maior barreira para os nacionalistas dos países da Europa Ocidental é a incerteza a respeito do status jurídico da parte autônoma que pode obter a independência dentro da União Europeia. Quando é que eles podem tornar-se membros da União Europeia na qualidade de Estados independentes? E chegarão mesmo a sê-lo? Agora o nacionalismo na Bélgica, Escócia e Catalunha tem, basicamente, uma natureza econômica. É preciso constatar honestamente que aí não se verifica a opressão das minorias étnicas. E se estas últimas não puderem entrar na União Europeia depois de obter a independência, isto vai afetá-las gravemente.”

Apesar de todas estas sutilezas jurídicas, já neste ano na Catalunha e na Escócia devem ser realizados referendos sobre a independência. A Flandres vai acompanhar com atenção os referendos e os seus resultados.

Todavia, Fiodor Lukianov está convencido de que é pouco provável que, ao defender o seu direito à independência, os flamengos aleguem os casos de proclamação da independência da Crimeia ou do Kosovo:

“Creio que é pouco provável que os nacionalistas flamengos aproveitem estes precedentes. Pois para um flamengo de verdade – herdeiro de Till Eulenspiegel – a comparação com os albaneses do Kosovo e, ainda mais, com os russos ou tártaros da Crimeia – gente tão pouco conhecida – afigura-se algo bastante duvidoso”.

Cumpre acrescentar que, no caso de saída da Flandres da Bélgica, o mais provável que este país simplesmente desapareça do mapa do mundo. A Valónia francófona, caso fique sozinha, procurará passar para a esfera de jurisdição de Paris. Os representantes do partido nacionalista Rassemblement Wallon insistem há muito em que esta região sempre foi uma parte da França “em tudo, menos no nome”. Um dos argumentos que eles apresentam a favor desta tese não é apenas a comunidade linguística mas também relações econômicas estreitas com o país vizinho.

A propósito, os nacionalistas franceses apoiam estas aspirações dos valões. A líder da Frente Nacional Marine Le Pen declarou abertamente a este respeito: “Se a Bélgica se desmoronar e a Flandres proclamar a independência – o que se afigura cada vez mais provável – a França poderia aceitar com prazer a Valónia”.

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