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7 Março 2014, 17:44

A Crimeia e as sirenes da independência europeia

Catalunha, Ucrânia, Escócia

Em mais lugar nenhum na Europa se segue com tanta atenção os acontecimentos na Crimeia como na Escócia e na Catalunha espanhola. Aí, em 18 de setembro (Escócia) e 9 de novembro (Catalunha) estão marcados referendos sobre a independência.

A 16 de março, os habitantes da República Autónoma da Crimeia irão resolver a questão do seu estatuto depois do golpe destrutivo em Kiev. A esmagadora maioria da população da península da Crimeia considera ilegítimo o poder em Kiev. A primeira coisa que a Rada Suprema (parlamento) da Ucrânia fez, depois de ocupada por nacionalistas radicais, foi proibir a língua russa como língua regional de contacto na Ucrânia.

As sirenes da independência preocupam catalães e escoceses há quase 300 anos. Segundo os últimos dados de um inquérito à opinião pública na Escócia, o campo do “sim” conquistará entre 32 e 37%. David Cameron, primeiro-ministro britânico, claro que está contra a separação da Escócia, embora tivesse de concordar com o plebiscito dos escoceses.

Queremos criar verdadeiras relações de parceria com a Grã-Bretanha e não compreendo totalmente por que é que não nos querem permitir isso, afirma Alex Salmod, líder do Partido Nacional da Escócia:

“Tentamos ser extremamente racionais nesta questão. Queremos conservar a união monárquica, a rainha como chefe de Estado, a união social, monetária. Mas queremos também controlar os impostos, as despesas públicas. Queremos ser nós a decidir se precisamos ou não de armas nucleares na nossa terra. Queremos ser nós a decidir se vamos combater numa guerra ilegítima no Iraque”.

Na Catalunha, o desejo de condescendência é ainda maior, mas a Catalunha é um caso particular. A Constituição Espanhola foi escrita de forma a que qualquer independência tenha de se aprovada pelo parlamento e confirmada num referendo nacional. É problemático que os espanhóis “deixem escapar” a região do país económica e historicamente mais rica. A propósito, é precisamente por insistência de Jose Manuel Garcia-Margallo, ministro dos Negócios Estrangeiros de Espanha, que a UE inclui, em todas as declarações oficiais sobre a situação na Crimeia, o parágrafo sobre a “ilegitimidade” da separação da Crimeia em relação à Ucrânia.

Os catalães dizem com firmeza que irão proclamar unilateralmente a independência se a maioria disser “sim”.

Artur Mas, presidente da Região Autónoma da Catalunha, diz que os espanhóis deturpam totalmente o verdadeiro quadro jurídico e que a autonomia tem todos os direitos legítimos para se “divorciar” de Madrid. Porém, ele, em todas as declarações oficiais, chama ao referendo sobre a independência “consultas” com a população.

“Nisso nada há de ilegal. Só o governo espanhol diz que isso é ilegal, mas é mentira. Já definimos cinco iniciativas legislativas, segundo as quais a Catalunha tem o direito de organizar e realizar consultas (sobre a independência). E elas estão em total harmonia com a Constituição Espanhola”.

Em qualquer caso, entre 60 a 70% da população diz “sim” à “viagem solitária” na Catalunha. Os catalães já fizeram exercícios semelhantes várias vezes, chamando-lhes “referendos consultivos”.

A Bélgica sente também uma “bipolaridade” no campo nacional. Ai, cerca de 60% são flamengos e 31% são valões francófonos. Mas as coisas ainda não chegaram aos referendos. Mas os líderes da comunidade de língua holandesa previnem que se irão orientar pelos resultados dos plebiscitos na Escócia e Catalunha. E talvez na Crimeia.

Todos os peritos e órgãos centrais do poder em Londres, Madrid e Bruxelas reconhecem que têm nas mãos uma verdadeira bomba se se comportarem como o “governo da praça da Independência” em Kiev. Claro que é difícil imaginar que Londres proíba o gaulês da Escócia como segunda língua oficial, que Madrid proíba o catalão e Bruxelas transforme o flamengo e o alemão em tabu.

Na Bélgica há três línguas oficiais: francês, holandês e alemão. Se as autoridades as retirarem da circulação, como fizeram os ultras em Kiev, o “sim” à independência poderá não ser nem de 30, 50 ou 60% dos escoceses, catalães ou flamengos, mas de 100%. Ou, como escreveu um jornal catalão, 200% de todos os habitantes da Catalunha.

Seria também curioso ver o que aconteceria se uma proibição análoga à do movimento da praça da Independência fosse feita em alguns estados dos EUA. Na América não existe o conceito de língua oficial e universal. Mas em muitos estados foram oficialmente reconhecidas as línguas dos segundos grupos étnicos. Por isso, proibir o russo na Crimeia seria o mesmo que se os EUA proibissem no Porto Rico o espanhol enquanto segunda língua oficial deste estado, o francês em Luisiana, o havanês no Hawai. Ou proibir o emprego oficial, paralelamente ao inglês, o espanhol na Califórnia, Florida, Novo México ou Texas. Nos EUA, cerca de 40 milhões de pessoas falam espanhol.

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