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13 Dezembro 2013, 20:08

Inteligência militar no Império Russo: de Ivan, o Terrível, a Pedro, o Grande

história, Rússia, inteligência militar da Rússia

As guerras do Estado de Moscou nos séculos XV e XVI tinham objetivos estratégicos que para serem cumpridos necessitavam de informações militares. Durante os tempos de Ivan, o Terrível surgem os primeiros órgãos de gestão centralizada da inteligência. Em 1549 é criado o Posolsky Prikaz, um serviço que além da diplomacia se ocupava da inteligência política e militar.

O primeiro dirigente desse serviço diplomático foi Ivan Viskovaty. Ele era o responsável pela correspondência do tsar e da Duma Boiarda com os embaixadores estrangeiros, pela escolha dos candidatos ao serviço diplomático e pela formação das embaixadas russas ao estrangeiro. Viskovaty criou um Arquivo do Tsar centralizado, composto pelos códigos manuscritos e documentos de Estado dos grandes príncipes e da família real, toda a documentação de política externa e materiais de investigação diversos.

Ivan Viskovaty era partidário de uma viragem da Rússia em direção ao Ocidente. Por isso ele usou todos os seus esforços diplomáticos para obter uma saída para o Mar Báltico, o que resultaria num conflito com a Polônia, a Suécia, a Livônia e a Dinamarca, que consideravam essa região como uma sua esfera de influências tradicional. Isso levou-o a estudar meticulosamente, com recurso a espiões enviados propositadamente, a situação política da região báltica, tentando enfraquecer a coligação dos países adversários da Rússia.

Assim, o embaixador Ivan Zamytsky, enviado ao rei da Suécia com uma notificação sobre o tratado de paz de 1557, recebeu as seguintes instruções: "Quando Ivan estiver junto do rei deve inquirir: como está o rei Gustavo com o César e com o rei da Dinamarca e com o rei da Lituânia e o grão-mestre da Ordem Livoniana? Está de paz com eles e com os outros países fronteiros? E aquilo que, com a graça de Deus, descobrir que ao regressar relate ao tsar e grande príncipe".

Em 1562 o próprio Viskovaty se deslocou pessoalmente à Dinamarca para desenvolver as conversações entre os dois países. De aí ele regressou a Moscou com um acordo de aliança com a Dinamarca e com um armistício por 20 anos com a Suécia, o que reforçou em muito as posições de Ivan, o Terrível, na sua guerra contra a Livônia. Durante o cumprimento dessa missão ele teve mesmo de recorrer a meios extradiplomáticos: usou dinheiro para atrair para o seu lado nobres dinamarqueses.

Contudo, o favorito do tsar acabou a sua vida na cruz. Em 1570 tentaram que ele confessasse publicamente a sua "conspiração criminosa" contra o tsar e suplicasse pelo perdão. Mas o orgulhoso Viskovaty negou tudo gritando no fim: "Malditos sejam, sanguessugas, e o vosso tsar também!" Ivan, o Terrível, acenou e Viskovaty foi crucificado numa cruz de troncos e esquartejado em vida aos olhos de todos.

As instruções do tsar a outros embaixadores, Rodion Birkin e Piotr Pivov, que foram enviados em 1587 com uma embaixada à Geórgia, diziam: "Estando em terras georgianas, saber em segredo: como está hoje o príncipe da Geórgia com os da Turquia e da Pérsia? E se estiveram enviados ou mensageiros do sultão turco ou do xá da Pérsia com o príncipe Alexandre da Geórgia? E se se esperam guerras entre eles?"

No século XVII surgem as primeiras missões russas no estrangeiro permanentes: na Suécia (1634), na Polônia (1673) e na Holanda (1699) e as suas capacidades começaram a ser usadas para atividades de inteligência militar.

Em 1654, durante o reinado de Alexei Mikhailovich, pai de Pedro, o Grande, é criado o Prikaz Privado – a chancelaria privada do tsar que recebia os processos dos restantes prikazes. Este organismo não estava subordinado à Duma Boiarda e decidia tudo à revelia das suas opiniões. Podemos dizer que se tratava do primeiro serviço secreto oficial da Rússia.

Leia a primeira parte da matéria

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