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7 Novembro 2013, 22:35

Angola e França inscrevem nova etapa nas relações de cooperação

As relações político-diplomáticas e de cooperação entre Angola e França tiveram início em 17 de fevereiro de 1976, ano em que Paris reconheceu a independência de Angola, culminando com a assinatura, em 26 de julho de 1982, do Acordo Geral de Cooperação, que marcou o início das relações formais de cooperação entre os dois países.

De acordo com informações das autoridades angolanas, hoje a França tornou-se o sexto fornecedor de Angola, estando apenas atrás dos EUA, Portugal, China, Brasil e África do Sul. A França é ainda o terceiro maior investidor em Angola, tendo investido nos últimos anos mais de dez milhões de euros. A petrolífera Total é um dos bons exemplos do investimento francês em Angola.

Em 2000, as relações entre Angola e França conheceram constrangimentos de vária ordem, o chamado caso Angolagate, com as autoridades judiciais francesas a indiciarem o governo angolano num caso relativo à venda de armas russas a Luanda por intermédio dos empresários Pierre Falcone e Arkadi Gaydamak.

Passados mais de dez anos, Paris quer "virar a página" na história da cooperação com Luanda, disse, quinta-feira, (31 de outubro) em Luanda, o ministro das Relações Exteriores, Laurent Fabius. Após uma reunião com o presidente José Eduardo dos Santos, no Palácio da Cidade Alta, o chefe da diplomacia francês falou sobre a necessidade de se abandonar o estágio de letargia em que se encontra a cooperação entre os dois países.

O chefe da diplomata francesa disse que o desejo do presidente Hollande é que a sua visita a Angola dê um novo impulso à relação entre Angola e a França, que pode conhecer em 2014 um novo marco com a visita oficial do chefe de Estado angolano a Paris, a convite de François Hollande.

Em nome do governo angolano, Georges Chikoti, ministro das Relações Exteriores, disse que a Paris e Luanda acordaram entrar no sistema de vistos de passaportes diplomáticos e aprofundar não só questões dos vistos ordinários mas também a possibilidade de aumentar a oportunidade de investimentos entre os dois países.

Analistas ouvidos pela Voz da Rússia mostram-se céticos quanto a uma eventual recuperação das relações quer diplomáticas quer econômicas entre os dois países. Apesar disso, acreditam que a França pode jogar um papel importante na imagem de Angola em 2015 como candidato não permanente do Conselho de Segurança ONU, como também no mercado europeu.

Frederico Baptista, especialista em relações internacionais e professor universitário, acha que o caso Angolagate manchou a confiança que existia entre os dois países, que "esse diferendo precisa ser resolvido por meios diplomáticos", sublinhando que a vinda do ministro das Relações Exteriores da França a Angola visa incrementar as relações após o arrefecimento registrado.

O acadêmico pensa que a França está a perder algum terreno no que toca à sua petrolífera Total, que anteriormente era uma das empresas de exploração de petróleo em Angola. Hoje, o país está tendo um crescimento, um boom econômico, tal como algumas economias africanas como a África do Sul e a Nigéria, daí a necessidade da França intensificar essas relações e ver se consegue ter outras oportunidades ao nível da economia.

O docente universitário acredita que "se Angola conseguir estabelecer essa nova parceria estratégica, eu acho que a França dará a possibilidade de Luanda projetar a sua imagem ao nível da União Europeia e granjear outros mercados internacionais".

Por sua vez, o jornalista e escritor Vasco da Gama entende que a nova etapa que Paris quer abrir com Angola está mais virada para o campo econômico, augurando sucessos no novo ciclo de cooperação bilateral entre França e Angola.

O comentarista lembrou ainda o famigerado caso Angolagate, que, no seu ponto de vista, começou a trazer problemas nas transações comerciais quer para o empresariado francês quer para o empresariado angolano.

A comitiva francesa é liderada pelo ministro das Relações Exteriores, Laurent Fabius, e inclui empresários dos setores aeroportuário, petrolífero e outros, cuja finalidade é dar uma oportunidade aos agentes econômicos de Paris em Angola.

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