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16 Novembro 2012, 15:37

Música brasileira aquece os russos

Música brasileira aquece os russos

O Brasil e a Rússia estão geograficamente muito longe um do outro. No entanto, parece que a música, ao penetrar na vida dos vários povos, não obedece às leis da Física. A tradição da música brasileira é algo muito especial que mistura a saudade portuguesa com o otimismo africano. Se calhar é por isso que as pessoas do severo império do Norte se apaixonaram pelas melodias do ensolarado paraíso do Sul.

Nos tempos da URSS, os soviéticos consideravam que o Brasil e, em particular, o Rio de Janeiro, eram um paraíso onde as pessoas, mesmo com falta de algumas coisas, tinham uma vida feliz e sem preocupações. Talvez tivesse sido por isso que a música brasileira se tornou tão popular na União Soviética, despertando grande vontade de dançar e colorindo a cinzenta vida cotidiana no nosso país. Realmente, devido à sua posição geográfica, a Rússia tem poucos dias de sol e, por isso, sempre está em busca de algo que compense os dias frios e cinzentos. Ao encontrar esse algo na América Latina, os russos chamaram ao Rio de Janeiro o paraíso na Terra.

O “sol brasileiro” aqueceu os russos de várias formas. Assim, os soviéticos adaptaram as alegres melodias brasileiras transmitindo-as no original (por exemplo, Mamãe, eu quero de Jorge Goulart, ou a melodia Tico-Tico no Fubá de Zequinha de Abreu na interpretação de Paulo Moura). Muitas eram cantadas na língua original por conhecidos artistas russos (por exemplo, Maia Kristalinskaia, Edita Piekha); em outras, as letras eram traduzidas. Às vezes, nossos cantores combinaram palavras originais com traduzidas, como fez, por exemplo, Nikolai Nikitski com a canção Vagalume.

No entanto, nem só as canções alegres se tornaram populares na União Soviética. Em 1974, os soviéticos viram, pela primeira vez, o filme norte-americano The Sandpit Generals, baseado no romance de Jorge Amado Capitães da Areia que tem uma canção brasileira, História dos Pescadores, de Dorival Caymmi. O grupo Akkord fez uma versão russa da canção, que imediatamente se tornou popular na URSS. Para além disso, em 1997 a canção foi reinterpretada pela banda rock Nestchastni Slutchai, começando sua segunda vida.

Nos anos 1990, uma canção brasileira conquistou toda a Rússia. Ela era cantada em toda a parte, tendo seu videoclipe se tornado ainda mais popular do que o famoso chá-chá-chá. Falamos da canção Chorando se foi (mais conhecida como Lambada) do grupo Kaoma. Enquanto os adultos ouviam a canção a qualquer momento, adolescentes e crianças dançavam lambada nas ruas, em escolas, aprendiam os movimentos em cursos especiais. Até os humoristas tinham uma série de brincadeiras sobre a Lambada. No entanto, devido à mentalidade russa, a dança era mais popular entre as meninas, sendo que os meninos se mostravam envergonhados em balançar os quadris. A canção teve numerosas versões russas, mas a variante brasileira continua sendo a mais popular.

Agora, entre os movimentos musicais brasileiros mais populares na Rússia destaca-se a bossa nova. Vários artistas compõem suas próprias obras neste estilo ou, em certos casos, traduzem as letras de canções brasileiras. Poucos sabem que uma canção do grupo Nautilus Pompilius extremamente popular nos anos de Perestroika e ainda hoje – Poslednee Pismo (A Última Carta, ou também chamada Goodbye, América) – é interpretada no estilo da bossa nova.

A popularidade da bossa nova pode ser explicada facilmente. Esta música faz nos lembrar as coisas que já esquecemos mas que influenciaram seriamente a nossa vida. Às vezes, precisamos reviver estas saudades comoventes, estas emoções, para continuar a viver.

Como bônus apresentamos a canção do filme cômico russo Bom dia, sou vossa tia!, baseado na farsa Charley’s Aunt de Brandon Thomas, considerada como uma canção popular brasileira. É uma interpretação do poema do poeta escocês Robert Burns Love and Poverty (Amor e Pobreza) em tradução do poeta e tradutor soviético Samuil Marchak. Será que os cineastas estavam muito longe da verdade?

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