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24 Julho 2012, 15:53

Estreito de Ormuz - novo fator-chave da questão nuclear iraniana

Estreito de Ormuz - novo fator-chave da questão nuclear iraniana

O Irã reagiu com calma às acusações de envolvimento no atentado terrorista contra turistas israelenses na Bulgária e deixou a porta aberta para conversações sobre seu programa nuclear.

Na terça-feira, em Istambul, foram realizadas consultas entre o vice representante supremo da UE para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança, Helga Schmidt, e o vice-secretário do Supremo Conselho de Segurança Nacional do Irã, Ali Bagheri.

Hoje em Istambul as partes continuam procurando soluções para conflitos na resolução do problema do programa nuclear iraniano. Todas as partes apresentaram seus próprios projetos de solução da crise nuclear. Agora há que combiná-los de modo a não infringir o direito do Irã à energia nuclear pacífica, e ao mesmo tempo não deixar à comunidade internacional nem sombra de suspeita da intenção de Teerã de desenvolver armas nucleares.

Negociações neste formato foram suspensas mais de um ano atrás. As partes conseguiram retomá-las em abril. Já se passaram três turnos de negociações em larga escala – em Istambul, Bagdá e Moscou.

De muitos aspetos, um ponto de viragem foi a reunião de Moscou, na altura o cenário militar foi afastado, mas no processo de negociação surgiu um novo obstáculo. Em resposta ao severo embargo do petróleo iraniano por parte da UE, introduzido em 1 de julho sob forte pressão dos Estados Unidos, Teerã ameaçou bloquear o Estreito de Ormuz. Por ele passam cerca de 40 por cento dos fornecimentos mundiais de petróleo. No entanto, antes da reunião de hoje, o representante do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica, Alireza Tangsiri disse que o Irã não fechará o Estreito enquanto continuará a usá-lo para exportar seu próprio petróleo.

Embora isto seja um passo para trás, mas Teerã mantem a intenção de usar o Estreito de Ormuz como um trunfo nas negociações sobre seu problema nuclear, afirmou o perito do Conselho de Política Exterior e de Defesa, Vladimir Averchev:

"Evidentemente, o Irã sempre teve em suas mãos a história com a ameaça de bloquear o Estreito de Ormuz. Os EUA, em resposta, declararam de forma bastante rígida e absolutamente inequívoca que nunca tolerariam isso, e que estão prontos a ir até o fim".

O perito acredita que até as eleições presidenciais de novembro Barack Obama não vai recorrer ao pleno uso da força contra o Irã por causa do Estreito de Ormuz. O editor-chefe da revista Geopolítica Leonid Savin, entretanto, não exclui a possibilidade de um conflito local entre o Irã e os EUA:

"Se o Irã começar minando o Estreito, irá causar uma grave escalada da situação. Os EUA, possivelmente, usarão a força armada, isso será, digamos, não uma agressão militar, mas uma espécie de operação militar".

Hoje em Istambul os representantes do Irã e do sexteto deverão, em particular, confirmar a agenda de futuros contatos negociada anteriormente em Moscou. E se o Estreito de Ormuz sempre intervir no processo de negociação, a probabilidade de um cenário militar de resolução do problema nuclear iraniano vai voltar para o primeiro plano.

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