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27 Junho 2012, 19:33

Paraguai: substituição do presidente preocupa países vizinhos

Paraguai: substituição do presidente preocupa países vizinhos

A destituição do presidente legítimo do Paraguai, Fernando Lugo, provocou perplexidade e indignação em muitos países do mundo.

No domingo, a associação de países do Mercado Comum do Sul, Mercosul, privou o Paraguai do direito de participar da futura cúpula deste bloco econômico-comercial, que será inaugurada a 28 de junho na província argentina de Mendoza. Espera-se que a situação no Paraguai seja um dos principais temas da conferência dos chefes de Estado da região.

Aparentemente, há ainda pouco tempo, semelhantes eventos no Paraguai dificilmente podiam surpreender quem quer que fosse. A América Latina está habituada há muito a golpes de Estado, que são acompanhados frequentemente por guerras civis. Todavia, agora que esta região está ultrapassando com êxito a herança terrível do passado, a demissão forçada neste mês de junho do presidente legalmente eleito, provocou uma  natural indignação.

Um país que depois de décadas da ditadura começou a aprender o bê-á-bá da democracia, volta de repente ao passado. Não constitui segredo para ninguém que mesmo hoje os confrontos da polícia e unidades do exército com operários – grevistas ou com camponeses sem terra, - como ocorreu no Paraguai,- não são um fenômeno raro mesmo nos países mais estáveis e democráticos da região. Basta recordar o México, Brasil, Argentina e Colômbia. Mas o atual conflito no Paraguai faz lembrar um pronunciamento militar, pois as suas conseqüências resultaram totalmente inesperadas.

Na segunda-feira passada, o país viveu sob dois governos, pois o legítimo chefe de Estado, Fernando Lugo, popular entre a população, foi demitido do seu posto por decisão do parlamento, tomada num abrir e fechar de olhos. A acusação que lhe foi apresentada, - a execução inadequada das suas funções, - é evidentemente exagerada. Os deputados colocaram imediatamente em seu lugar Federico Franco, que se apressou a declarar que considera a sua tarefa principal impedir uma guerra civil no país. O ex-presidente ofendido reuniu em resposta os seus partidários fiéis na sede do seu partido, em Assunção. Os jornalistas, pasmados com a troca inesperada do poder, chamaram aos participantes desta reunião “governo paralelo”. Lugo declarou no círculo de políticos de confiança que pretende retornar à grande política, a fim de ocupar de novo o lugar perdido. Ao mesmo tempo, exortou os presentes a preparar-se para novas eleições.

Todavia, em diversos países verifica-se uma preocupação evidente com os acontecimentos no Paraguai. Os primeiros a manifestá-la foram os EUA. Havana comentou imediatamente este acontecimento como um golpe de Estado. Declarações igualmente ásperas foram feitas no Brasil, na Argentina e na Colômbia. Estes países, da mesma maneira que muitos dos seus vizinhos, retiraram à pressa os seus embaixadores de Assunção. O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, também reagiu a acontecimentos no Paraguai. A sua intervenção pode ter conseqüências graves para o Paraguai: é que Caracas ameaça parar os fornecimentos de petróleo a este país.

A essência da intervenção de Hugo Chávez é seguinte: a Venezuela jamais reconhecerá o novo governo que se instalou em Assunção, considerando-o ilegal. 

No entanto, os novos ministros, nomeados pelo recém-empossado chefe de Estado, já prestaram juramento solene no palácio presidencial. Aliás, testemunhas oculares disseram que nos seus rostos não se via grande alegria, pois o novo governo procura em vão incutir à opinião pública internacional que merece confiança. O novo governo considera-se a si próprio como legítimo e pretende permanecer no poder até às próximas eleições, que já foram marcadas para 21 de abril de 2013. O Conselho Permanente da Organização de Estados Americanos já promoveu duras reuniões extraordinárias por este motivo. Por enquanto, não se informa sobre nenhuma medida concreta mas, a julgar por tudo, o grau de preocupação no conselho sobe cada vez mais. Certamente, esta preocupação irá influenciar também os trabalhos da cúpula do Mercosul, a realizar na Argentina.

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