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15 Julho 2011, 15:54

Palestina: Estado Número 194?

Palestina: Estado Número 194?

A Liga Árabe pedirá às Nações Unidas que o Estado palestino seja reconhecido como membro pleno da comunidade internacional. Uma declaração nesse sentido saiu em Doha, capital do Qatar, após uma reunião do “Comitê para a Iniciativa de Paz” formado por essa organização, da qual participou o dirigente palestino Mahmud Abbas e vários ministros árabes. No sábado, o tema da criação do Estado palestino será submetido à apreciação de uma reunião ampliada da Liga Árabe a realizar no Cairo.

O prazo de apresentação do pedido não foi especificado. Os presentes em Doha, entretanto, deram a entender que esse papel deverá passar por todos os trâmites até a sessão de setembro da Assembleia-Geral das Nações Unidas. Para alcançar a filiação plena nas Nações Unidas são necessários o apoio de 128 países e a recomendação do seu Conselho de Segurança. Enquanto os votos de pouco mais de cem países já estão praticamente garantidos, não se pode dizer o mesmo em relação ao Conselho de Segurança, porque uma tal resolução seria vetada pelos Estados Unidos. Os Palestinos, entretanto, têm uma variante de reserva: pedir admissão com status de “Estado não membro”. Então só seria necessária a aprovação da Assembleia-Geral. Todos esses passos, entretanto, não poderão conduzir à paz – sublinhou a senhora Dorit Golender, embaixadora de Israel em Moscou. E prosseguiu:

Israel considera que a primeira condição para a criação de Estado palestino soberano são umas conversações diretas entre as partes. Igualmente, a Rússia havia declarado várias vezes que a paz não pode ser imposta de fora. Só as próprias partes opostas podem sentar-se à mesa de conversações para falar sobre umas concessões e compromissos. Quanto ao pedido a ser encaminhado às Nações Unidas, os próprios Palestinos não elaboraram definitivamente suas posições. Por um lado, dizem que vão se decidir por tal passo. E, no entanto, fazem, eles próprios, uma ressalva sobre a possibilidade de conversações diretas. Do ponto de vista de Israel, uma proclamação unilateral do Estado palestino e a aprovação dessa decisão nas Nações Unidas seriam contrárias a todos os entendimentos já alcançados. Sim, haverá euforia no setor palestino, mas pouco tempo depois as pessoas compreenderão que não é esse o objetivo colocado para alcançar a paz, ou seja, dois Estados para dois povos. Há uns dias, fomos testemunhas da proclamação da independência do Sudão do Sul. Nesse país, um conflito travado ao longo de muitos anos acabou sendo resolvido através de conversações diretas.

A proclamação do Estado palestino não vai mudar nada, na realidade. Porque ficarão os territórios palestinos ocupados por Israel e o Exército israelense ao longo da fronteira entre a Jordânia e a Cisjordânia. Enquanto isso, as perspetivas de paz vão se tornando cada vez mais ilusórias – comenta Gheorghi Mirski, colaborador científico sênior do Instituto de Economia Mundial e Relações Internacionais junto à Academia de Ciências da Rússia. E continua:

Depois das eleições gerais, a HAMAS poderá alcançar a maioria não somente na faixa de Gaza, como também já na Cisjordânia. Entretanto, a HAMAS não deseja reconhecer o Estado de Israel e não quer introduzir alterações nos seus Estatutos proclamando a necessidade de uma Palestina árabe comum na condição de Estado islâmico, por sinal. Israel argumenta que não se pode falar com aqueles que não reconhecem você. Eis-nos aqui sentados a uma mesa um em frente do outro. Então somos para nosso interlocutor um lugar vazio, ou seja, eu não existo? Com quem conversar então, uma vez que eles não nos reconhecem? Assim sendo, nada de conversações. Ao que os Palestinos replicam dizendo que a HAMAS obteve maioria através de eleições livres em que o povo palestino manifestou sua vontade. Quem é que pode ditar qual o partido a exercer o poder na Palestina?

São, portanto, umas discordâncias absolutamente sem solução – disse a resumir Gheorghi Mirski. A propósito, uma opinião parecida havia sido manifestada recentemente pelo primeiro-ministro israelense Binyamin Netanyahu. Disse que o conflito no Próximo Oriente não pode ser resolvido em princípio, porque não deriva da disputa territorial.

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