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31 Julho 2009, 10:25

DISCO VOADOR RUSSO – UM VÔO INTERROMPIDO

No verão de 1999 uma aeronave incomum correu a pista de pouso da Empresa Aeronáutica de Saratov e levantou vôo. O aspecto exterior da aeronave fazia lembrar um “disco voador”.

No verão de 1999 uma aeronave incomum correu a pista de pouso da Empresa Aeronáutica de Saratov e levantou vôo. O aspecto exterior da aeronave fazia lembrar um “disco voador”. E quanto aos seus parâmetros técnicos, este aparelho tinha pouco a dever aos seus “irmãos” fantástico. O modelo teleguiado de um metro e meio de diâmetro foi projetado e construído no consórcio aeronáutico “EKIP”. O seu primeiro vôo passou bem mas a partir de então esta aeronave jamais levantou vôo – foi cortado o financiamento do projeto. http://www.1tv.ru/promovideo/9382  Especialistas estrangeiros em aeronáutica chamaram a esta nave “Objeto Voante Não Identificado da Rússia”. Queriam criar um aparelho idêntico mas não conseguiram nem sequer desvendar os seus segredos. Realmente, a estrutura desta aeronave tem certas particularidades. A artimanha consiste na distribuição de torrentes do ar. A aeronave tem duas turbinas potentes básicas e, aos lados, mais quatro motores auxiliares. Esta combinação de mecanismos produz um efeito fantástico. No caso de falha de todos os motores, o “disco” saberá pousar planando suavemente. Trata-se, realmente, do avião mais seguro do mundo.
Os princípios de asa grossa e de comando da camada limite são conhecidos e utilizados de há muito na aviação. Mas estas aeronaves resultavam pouco econômicas, o que não permitia falar do seu uso prático. Apenas o novo esquema de célula vorticosa, proposto pelo chefe do projeto de EKIP Lêv Schukin, e pesquisas realizadas sob a sua direção permitiram obter o efeito máximo destes fenômenos conhecidos e tornar este aparelho único em seu genero.
O professor Lev Schukin trabalhou durante 20 anos na equipe de Serguei Korolev, grande projetista e cientista, cujo nome está relacionado ao lançamento do primeiro satélite artificial da Terra e ao vôo do primeiro cosmonauta Iuri Gagarin. Lêv Schukin dedicou muito tempo a esta sua obra. A empresa aérea de Saratov já estava pronta a produzir em série o OVNI russo (objeto voante não identificado). Nas oficinas da empresa já foi criado um modelo de 9 toneladas, mas o dinheiro, destinado pelo antigo presidente da Federação Russa Boris Eltsin acabou não chegando ao destinatário e desapareceu não se sabe onde. O mais provável que nesta época inquieta o dinheiro foi simplesmente roubado. Lev Schukin morreu em 2001 — o coração não agüentou. Mas a sua causa continua vivendo. Ficaram os seus discípulos que acreditam que o “disco voador” vai levantar vôo. Hoje milhões de dólares são destinados a projetos que estão em voga mas carecem de qualquer perspectiva. No entanto o Estado não consegue achar, não se sabe porque, o dinheiro necessário para produzir em série um avião praticamente pronto e capaz de tornar a Rússia líder na esfera da aviação.
Já se passaram mais de 15 anos desde o teste do primeiro modelo teleguiado. A propósito, a aeronave está munida de trem de aterragem para pousar. O segundo modelo, — este, com almofada de ar, — foi construído mais tarde, mas os seus testes jamais foram realizados. O que é que se passa hoje com o projeto de Lev Schukin e qual é o destino do aparelho, que se encontra em Saratov? O nosso correspondente Víctor Vóronov pediu ao diretor geral do consorcio EKIP Anatoli Savítski que respondesse a estas e outras perguntas.
Anatoli Savítski: O modelo está montado e pronto. Anteriormente planejava-se submetê-lo, antes dos testes de vôo, a ensaios no túnel aerodinâmico do Instituto Central de Aerohidrodinâmica. Mas o preço deste ensaio, — 400 mil dólares, — resultou demasiadamente alto para nós. Não temos este dinheiro nem hoje. A situação foi agravada ainda mais pela falência da empresa SAZ, que detém a maior parte das nossas ações. Esta empresa não conseguiu cumprir a sua missão – tornar-se base de produção e centro de captação de meios financeiros para este projeto. Por isso, o projeto está suspenso já há vários anos. Todavia o interesse em relação a ele não se extinguiu. Atualmente estão sendo promovidas conversações sobre a cooperação com várias empresas russas, entre as quais – a empresa aeronáutica “Beriev”. Mas seja como for, o apoio do Estado é indispensável.
Víctor Vóronov: Já lhe ofereceram os seus serviços investidores estrangeiros?
Anatoli Savítski: Houve propostas de prosseguir os nossos trabalhos na China. O multimilionário Jan Tisiun pretendia investir uma grande soma no nosso projeto. Já começamos a pensar na produção conjunta – o componente cientifico estaria na Rússia, e a montagem na base de elementos já prontos, na China. Mas estas iniciativas provocaram receios das autoridades chinesas de que este projeto iria impedir a produção de aerobus no seu país. Em resultado disso foi criado um ambiente, em que Jan Tisiun foi afastado do projeto e teve que emigrar para os EUA.
Algo semelhante deu-se também nos EUA, quando um senador, encarregado dos armamentos, fez uma tentativa de ajudar a produção conjunta da nossa aeronave. Foi imediatamente atacado por várias organizações americanas, incluindo o comitê de ética, e a possibilidade de criar uma aeronave não tripulada, com que ele sonhava, esvaiu-se. Quanto à soma de um bilhão de dólares, destinada para a realização deste projeto, este dinheiro foi entregue à firma “Boing”. Tudo isso vem a comprovar que qualquer tecnologia nova acaba com a antiga, — quer se trata dos aerobus ou do Boing.
Víctor Vóronov: Existem semelhantes projetos em outros países, em particular, nos EUA?
Anatoli Savítski: Sim, algo semelhante existe. Mas não em pleno volume. Não existe a camada limite governada, embora eles trabalhem nesta esfera. Não existe a almofada do ar que permita prescindir do trem de aterragem. Portanto, as nossas vantagens são evidentes quando se trata de grandes aviões já existentes. E quanto a despesas….. Vejamos, por exemplo, Boing. Os americanos gastaram 4.5 bilhões de dólares para transformar o modelo 767 em 777. Portanto, quem é que vai permitir cessar a sua produção, uma vez que tanto dinheiro já foi gasto. É muito mais fácil eliminar portadores de novas idéias e investidores leais. De acordo com a estimativa da firma americana de auditoria “Ernst Yang” o custo do nosso “know how” é um bilhão e duzentos milhões de dólares.
Víctor Vóronov: As suas aeronaves são capazes de resolver não somente tarefas militares mas também transportar cargas e passageiros. As suas possibilidades são bem mais amplas. É verdade?
Anatoli Savítski: Pode-se utilizar a nossa aeronave para extinguir incêndios florestais. Por exemplo, a nossa aeronave pode pousar na superfície de água, absorver de vez 150 -200 toneladas de água e lançá-la sobre o foco de inflamação voando à pequena altura e a baixa velocidade, o que permite resolver de vez todos os problemas de extinção de incêndios. Se levarmos ainda em conta o diâmetro de lançamento de água que é da ordem de 100 metros, todas as dúvidas ficam à parte. A título de comparação: o famoso avião – anfíbio Be-200 consegue pegar à volta de 12 toneladas de água. O pessoal da indústria florestal está também interessado em nossas aeronaves de diâmetro menor, capazes de transportar com facilidade pessoas aos locais de incêndios florestais.
Víctor Vóronov: O projeto não se limita à criação de um ou dois aparelhos. O que é o projeto em geral ?
Anatoli Savitski: Sim, existem diversas variantes. Um deles prevê a construção de 50 veículos de nove toneladas, cada um dos quais será capaz de transportar 30 – 40 passageiros. O custo deste projeto é 250 milhões de dólares. Existem também aparelhos maiores, para 160 passageiros, cujo preço é um bilhão e 200 milhões de dólares. E, finalmente, a maior modificação, que pesa cerca de 600 toneladas, é capaz de transportar 2500 passageiros, custa 4.5 bilhões de dólares.
Participou deste programa o diretor geral do consocio aeronáutico EKIP Anatoli Savítski.

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