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    Tel Aviv passou anos acusando Teerã de tentar obter secretamente armas nucleares e ameaçando tomar medidas militares unilaterais contra a República Islâmica para impedir que o conseguisse.

    Naftali Bennett, primeiro-ministro de Israel, acusou na segunda-feira (27) o Irã de procurar "dominar" o Oriente Médio usando armas nucleares.

    "O grande objetivo do Irã é cristalino para qualquer um que se preocupe em abrir os olhos. O Irã procura dominar a região, e procura fazê-lo sob um guarda-chuva nuclear", disse Bennett na Assembleia Geral das Nações Unidas.

    "Nos últimos anos, o Irã deu um grande salto em sua P&D [pesquisa e desenvolvimento] nuclear, sua capacidade de produção, seu enriquecimento. O programa de armas nucleares do Irã está em um ponto crítico."

    De acordo com Bennett, Teerã ignorou as regras que procuram limitar o enriquecimento de urânio necessário para desenvolver armas nucleares.

    "O Irã está atualmente violando os acordos de salvaguarda da Agência [Internacional de Energia Atômica] e está se safando. Eles assediam os inspetores e sabotam suas investigações, e estão se safando. Eles enriquecem urânio até o nível de 60%, o que está apenas a um passo do material para armas, e eles estão se safando", queixou-se o chefe de gabinete israelense.

    O primeiro-ministro israelense advertiu que a "tolerância" de Tel Aviv tinha se esgotado.

    "As palavras não impedem as centrífugas de girar. Israel não permitirá que o Irã adquira uma arma nuclear, e quero lhes dizer algo: o Irã é muito mais fraco, muito mais vulnerável do que parece", acrescentou Naftali Bennett, sublinhando que Tel Aviv e seus aliados podem e vão "prevalecer" contra Teerã.

    "Durante as últimas três décadas, o Irã espalhou sua carnificina e destruição pelo Oriente Médio, país após país. Líbano, Iraque, Síria, Iêmen, Gaza. O que todos estes lugares têm em comum? Bem, todos eles estão caindo aos pedaços, seus cidadãos famintos, suas economias em colapso. Como o toque de Midas, o regime do Irã tem o toque dos mulás. Todo o lugar em que o Irã toca, falha!", afirmou o alto responsável israelense, acusando Teerã de patrocinar terrorismo na região.

    Conflito Israel-Irã

    Por sua vez, em seu discurso na semana passada na Assembleia Geral da ONU, o presidente iraniano Ebrahim Raisi chamou Israel de "regime sionista ocupante", e acusou Tel Aviv de ser o maior patrocinador mundial do "terrorismo de Estado", tendo uma "agenda" que "é massacrar mulheres e crianças em Gaza e na Cisjordânia". Raisi dedicou a maior parte do discurso à crítica dos EUA, principais fornecedores de armas a Israel.

    Benjamin Netanyahu (2009-2021), antecessor de Bennett, acusou por anos o Irã de estar prestes a obter armas nucleares, particularmente durante uma sessão na Assembleia Geral da ONU em 2012. Em relação às armas nucleares de Israel, o país refere possuir "ambiguidade nuclear", não reconhecendo nem rejeitando sua existência, mas prometendo poder as usar contra inimigos no Oriente Médio se for necessário.

    Na última década Tel Aviv tem se engajado em ataques a cientistas nucleares iranianos, procurando retardar e até levar ao zero o desenvolvimento de tais armas por parte do Irã.

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    Tags:
    Israel, Irã, Oriente Médio, Líbano, Iraque, Síria, Iêmen, Gaza, ONU, Nações Unidas, Organização das Nações Unidas, Assembleia Geral das Nações Unidas
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