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    Oriente Médio e África
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    A administração Biden informou que espera aumentar a presença dos EUA na África, uma região do mundo onde a presença econômica da China é cada vez mais sentida.

    Parceiros econômicos norte-americanos costumavam contribuir com 15,5% do comércio realizado no continente, em comparação com os 4% referentes à China. Porém, hoje já não é assim.

    No decorrer de 20 anos, as posições se alteraram por completo, sendo que no ano passado o comércio dominado pelos EUA decresceu em 5,6%, enquanto que da parte da China subiu para 25,6%, informa o think tank Conselho Atlântico, referido pelo South China Morning Post.

    De igual modo, a China também se tornou no principal credor bilateral, investindo elevadas quantias de dinheiro em estradas, ferrovias, energia e construção de portos no continente.

    Como podem os EUA recuperar sua influência na África?

    Washington anunciou planos para reativar a iniciativa Prosper Africa (África Próspera), lançada em 2018 ainda sob a administração do ex-presidente republicano Donald Trump, para expandir o investimento e o comércio norte-americano com os países do continente e para conter a crescente influência da China.

    Contudo, a atual influência do gigante asiático vai muito além do comércio, aponta Landry Signé, diretor executivo e professor da Escola Thunderbird de Gestão Global e membro sênior da Iniciativa de Crescimento da África da Instituição Brookings.

    Signé disse ao Comitê de Relações Exteriores do Senado dos EUA na quarta-feira (28), citado pela mídia, que "apesar do tremendo potencial econômico da África, os EUA perderam terreno substancial para parceiros tradicionais e emergentes, especialmente a China".
    O presidente chinês, Xi Jinping, fala com o presidente sul-africano Cyril Ramaphosa (à esquerda), durante a Cúpula do Fórum de Cooperação China-África em Pequim 2018. Os empréstimos da China a países pobres da África e da Ásia impõem condições de sigilo e reembolso incomuns que estão prejudicando sua capacidade de renegociar dívidas após a pandemia do coronavírus
    © AP Photo / Lintao Zhang
    O presidente chinês, Xi Jinping, fala com o presidente sul-africano Cyril Ramaphosa (à esquerda), durante a Cúpula do Fórum de Cooperação China-África em Pequim 2018. Os empréstimos da China a países pobres da África e da Ásia impõem condições de sigilo e reembolso incomuns que estão prejudicando sua capacidade de renegociar dívidas após a pandemia do coronavírus

    O professor informou que o investimento direto chinês cresceu, em média, em 40% anualmente na última década e, além disso, a China "também é o maior investidor em infraestrutura, e no momento já é o principal destino de estudantes africanos falantes de inglês, superando os EUA e [o Reino Unido]", disse ele citado na matéria.

    Dana Banks, diretora sênior para a África no Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca, disse que os EUA se concentrariam em investir em energia limpa, saúde, agronegócios e infraestruturas de transporte no continente em questão.

    Biden propôs recentemente outra iniciativa com o grupo G7 para construir infraestruturas através da B3W (Build Back a Better World ou Construir de Novo um Mundo Melhor, em português), que Washington acredita ser "uma alternativa de alto padrão, transparente e amiga do clima à iniciativa Um Cinturão, Uma Rota".

    No entanto, vários analistas não se mostram tão confiantes em relação a isso.

    Desafios impostos pela China

    Michael Chege, professor de economia política na Universidade de Nairóbi, no Quênia, disse que havia um consenso emergente entre os especialistas em política externa dos EUA que a política de Biden perante a China, até agora, não tem sido muito diferente da de Trump.

    De igual modo, o professor acredita que mesmo a B3W não desafiaria a iniciativa Um Cinturão, Uma Rota na África, além da demora na aplicação dos projetos ocidentais na região.
    Inauguração da base da China em Djibuti, no leste da África, no dia 1° de agosto de 2017
    © AFP 2021 / STR
    Inauguração da base da China em Djibuti, no leste da África, no dia 1° de agosto de 2017

    Apesar de alguns compromissos de alto nível, muitos analistas pensam que a abordagem geral da nova administração democrata dos EUA em relação à África poderia ter sido mais vigorosa e coerente.

    W. Gyude Moore, pesquisador de políticas sênior do Centro para o Desenvolvimento Global e ex-ministro das Obras Públicas da Libéria, disse, no entanto, que iniciativas como a B3W são bem-vindas, pois aumentam os recursos disponíveis para o investimento na África e diversificam as fontes desse investimento.

    "Na melhor das hipóteses, essas iniciativas serão complementares [à Iniciativa Um Cinturão, Uma Rota]. Não consigo imaginar como elas a iriam substituir", disse Moore, citado pelo South China Morning Post.

    "A China mantém uma vantagem em certas competências – fornecendo infraestruturas de qualidade relativamente alta que têm preços competitivos nos mercados africanos [...] Vai demorar um pouco até que essa vantagem seja dissipada, e eu duvido que o seja pelas empresas de construção ocidentais", comentou Moore.

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    Tags:
    África, China, EUA, influência, comércio, infraestrutura
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