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    Com a iminente retirada de forças militares estrangeiras do Afeganistão, parte do povo afegão parece ter começado a tomar suas próprias medidas de defesa no país, de acordo com Reuters.

    Dost Mohammad Salangi, de 55 anos, lidera um pequeno grupo armado de homens atuando nos penhascos da província de Parwan. Ante a atual situação de seu país, Salangi tem uma mensagem para o Talibã (organização proibida na Rússia e diversos países), cujos ataques sobre as forças afegãs têm aumentado, tal como o número de territórios invadidos, cita a agência.

    "Se eles nos impõem guerra, se eles nos oprimem e desrespeitam as mulheres e as propriedades das pessoas, até mesmo nossas crianças de sete anos serão armadas e lutarão contra eles", disse ele citado pela agência Reuters.

    Salangi é um em centenas de antigos guerreiros mujahideen e civis que se sentiram na obrigação de ajudar o Exército afegão a combater a insurgência talibã.

    Milicianos afegãos se juntam às forças de defesa e segurança afegãs durante uma reunião em Cabul para tentar conter a maré dos últimos ganhos de território do Talibã, Afeganistão, 23 de junho de 2021
    © AP Photo / Rahmat Gul
    Milicianos afegãos se juntam às forças de defesa e segurança afegãs durante uma reunião em Cabul para tentar conter a maré dos últimos ganhos de território do Talibã, Afeganistão, 23 de junho de 2021
    O aumento do controle territorial do grupo pode ser em parte explicado pela contínua saída de forças estrangeiras do país. Recentemente, os militares alemães concluíram a retirada do segundo maior contingente de tropas estrangeiras depois dos EUA, consistindo em cerca de 150 mil soldados destacados para a missão, segundo a mídia.

    "Temos de proteger nosso país [...] Agora não temos escolha, uma vez que as forças estrangeiras nos abandonam", declarou Farid Mohammed, um jovem estudante que se juntou ao líder anti-Talibã de Parwan, citado pela Reuters.

    Diplomata russo comenta situação

    Enquanto isso, de acordo com representante especial da Presidência da Federação da Rússia e diretor do segundo departamento da Ásia do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Zamir Kabulov, a maior parte dos territórios ocupados pelo Talibã situa-se na periferia das províncias, e não em seus centros. No entanto, mantém-se o problema de muitos territórios serem abandonados pelo próprio Exército afegão.

    "Comecemos por entender que sim, os talibãs conseguiram tomar controle da periferia, mas eles não tomam esses territórios pela força, os habitantes de lá simplesmente fogem", explicou Kabulov.

    Segundo suas palavras, "as próprias Forças Armadas desmoralizadas os abandonam. Não são eles [talibãs] que os tomam, os distritos 'caem' nas suas mãos".

    Polícia afegã patrulha a cidade de Kunduz após combates
    © AFP 2021 / NAJIM RAHIM
    Polícia afegã patrulha a cidade de Kunduz após combates

    O diretor falou que, até agora, o Talibã ocupou entre 50 e 60 distritos, pelo que ainda é cedo para dizer que o grupo está ocupando todo o território do país.

    "No Afeganistão há cerca de 300 distritos, se falamos disso. Por isso sim, a estação de combates continua […] Mas se os Talibã tivessem ocupado ao menos um ou dois centros provinciais, então poderíamos tirar conclusões. Eles não tomaram nenhum. O que revela que eles também têm capacidades limitadas", acrescentou o interlocutor da Sputnik.

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    Tags:
    armas, conflito, Talibã, civis, Afeganistão
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