14:20 04 Agosto 2021
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    A mudança de presidência no Irã não só terá seu peso nas relações entre Teerã e o Ocidente, nomeadamente EUA, mas também, e especialmente, com os Estados do golfo Pérsico.

    Mesmo com a eleição de Ebrahim Raisi, conservador de linha dura, ainda há uma chance para a normalização das relações entre os países do golfo Pérsico, informa a agência Reuters, com base nas opiniões de vários especialistas no Oriente Médio. 

    Parece ser bastante improvável que a política externa iraniana mude radicalmente, incluindo com as potências regionais, aponta o colunista saudita Khaled al-Suleiman no jornal. 

    "As caras podem mudar, mas o líder é [o supremo líder aiatolá Ali] Khamenei", citado pela mídia americana.

    Raisi é, no entanto, aliado de Khamenei, e apesar de ter uma posição negativa ante o Ocidente, concorda que as presentes negociações do Plano de Ação Global Conjunta (JCPOA, na sigla em inglês) devem continuar.  

    "Se as negociações de Viena forem bem-sucedidas e houver uma situação melhor com os EUA, então [com] os de linha-dura no poder, que estão próximos do líder supremo, a situação pode melhorar", apontou Abdulaziz Sager, presidente do Centro de Pesquisa do Golfo.

    Desde o corte abrupto das relações entre Teerã e Riad, em 2016, que a República Islâmica tem trabalhado para consertar seus laços com outras nações na região. 

    De igual modo, nenhum Estado do Golfo quer regressar às tensões de 2019, marcados pelos ataques a petroleiros e às instalações de petróleo sauditas, e pelo assassinato do major-general Qassem Soleimani no início de 2020, sob a ordem do ex-presidente dos EUA, Donald Trump.

    Agora, com o democrata Joe Biden na Casa Branca, vários especialistas acreditam que os EUA poderão ter abordagens mais pragmáticas - e menos militares - do golfo Pérsico, escreve a Reuters. 

    Contudo, Biden vem apresentando exigências a Teerã tanto quanto a seu programa nuclear, como quanto a seu alegado apoio a milícias em várias partes da região, nomeadamente no Iêmen, sendo esta última uma exigência também compartilhada por vários países árabes do golfo.

    Sanam Vakil, analista do think tank Chatham House, no Reino Unido, por sua vez, escreveu na semana passada que as conversações regionais, particularmente sobre segurança marítima, deveriam continuar, mas "só podem ganhar impulso se Teerã demonstrar boa vontade significativa", citado pela agência.

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