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    O governo Biden tem negociado um possível retorno dos EUA ao acordo nuclear com o Irã. Teerã diz que as negociações dependem de uma "decisão política" de Washington.

    A empresa de inteligência The Intel Lab, baseada em Israel, divulgou na terça-feira (8) imagens de satélite da empresa Maxar de uma suposta instalação nuclear secreta do Irã em Sanjarian, a 40 quilômetros de Teerã.

    De acordo com The Intel Lab, as imagens mostram "prédios envolvidos com" o projeto de "armas nucleares" do Irã. Segundo a empresa de inteligência, as atividades em torno desses edifícios nos últimos meses devem "soar alarmes" para funcionários da Agência Internacional de Energia Atômica (IAEA, na sigla em inglês) da ONU.

    ​Imagens de satélite da instalação nuclear do Irã em Sanjarian soam alarmes quando IAEA se reúne em Viena. Análise por The Intel Lab em coordenação e colaboração com ISIS [Instituto de Ciência e Segurança Internacional]

    As imagens foram supostamente captadas em 15 de outubro de 2020, 18 de janeiro de 2021 e 29 de março de 2021, e parecem mostrar as atividades de construção dentro e ao redor da instalação, que é caracterizada como um "local provável de ocultação relacionado ao programa nuclear". As imagens foram publicadas pela primeira vez pela emissora Fox News.

    ​Coincidindo, o Irã desenvolveu outro local cercado por muralhas de segurança próximo ao complexo Sanjarian, adicionando um novo prédio de três andares do tipo escritório ao lado de um anexo de concreto que agora parece externamente completo.

    De acordo com a empresa de inteligência, o papel da instalação em Sanjarian era produzir "geradores de ondas de choque", um componente necessário para a miniaturização de armas nucleares.

    A suposta instalação em Sanjarian foi relatada pela primeira vez pela agência de inteligência e espionagem israelense Mossad em 2018, enquanto Israel pressionava o governo Trump (2017-2021) para desfazer acordo nuclear ou Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA, na sigla em inglês) com o Irã. A descoberta teria ocorrido após um ataque a um depósito de Teerã para apreender o "arquivo nuclear secreto iraniano".

    Série de centrífugas iranianas de nova geração são vistas em exibição durante o Dia Nacional da Energia Nuclear do Irã, em Teerã, Irã, 10 de abril de 2021.
    © REUTERS / Gabinete do presidente do Irã
    Série de centrífugas iranianas de nova geração são vistas em exibição durante o Dia Nacional da Energia Nuclear do Irã, em Teerã, Irã, 10 de abril de 2021

    Destino do JCPOA

    Embora pretenda ostensivamente retornar ao acordo nuclear com o Irã, o presidente dos EUA, Joe Biden, tem sido cada vez mais crítico das atividades nucleares de Teerã e da capacidade da República Islâmica de enriquecimento de urânio, especialmente.

    No fim de maio, a AIEA concordou com uma prorrogação de um mês do acordo sobre câmeras de vigilância nas instalações nucleares do Irã, ganhando mais tempo para as negociações em andamento que buscam salvar o acordo nuclear do país com potências mundiais.

    Em 31 de maio, o chefe da AIEA, Rafael Mariano Grossi, exortou o Irã a esclarecer a origem das partículas de urânio descobertas em locais nucleares não declarados e sugeriu que a recusa de Teerã em fornecer clareza à agência sobre o material nuclear "afeta seriamente" a capacidade da AIEA de certificar e garantir a natureza pacífica do programa nuclear do país persa.

    Teerã rejeitou as críticas dos EUA e da AIEA, enfatizando repetidamente desde janeiro que estaria disposto a reduzir imediatamente seus níveis de enriquecimento e armazenamento de urânio assim que Washington concordar em retirar as sanções contra a República Islâmica.

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    Tags:
    Joe Biden, acordo nuclear, Acordo Nuclear Iraniano, Irã, enriquecimento de urânio, urânio enriquecido, IAEA, JCPOA
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