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    Coronavírus no mundo no início de junho de 2021 (22)
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    Cientistas revelaram o caso chocante de uma paciente infectada tanto com HIV (vírus da imunodeficiência humana) como com COVID-19, e que porta mutações da última potencialmente perigosas.

    É importante relembrar que o HIV pode originar AIDS (síndrome da imunodeficiência adquirida) se não for tratado com antecedência. Se uma pessoa ficar infectada com HIV, esse passará a ser um estado permanente, no qual seu sistema imune vai, com o tempo, se deteriorando, facilitando assim o desenvolvimento de determinadas infecções e cânceres fatais.

    O caso da mulher de 36 anos foi detectado em um grupo de estudo de 300 pessoas com HIV na África do Sul, sendo o objetivo da pesquisa estudar a resposta imune à COVID-19. No final, ela acabou por portar o coronavírus por 216 dias, e durante esse tempo o vírus em causa sofreu mutações por 32 vezes.

    Este caso impressionante foi publicado, na semana passada, na revista de medicina medRxiv. No artigo foi revelado que a mulher em estudo tinha sido diagnosticada com HIV em 2006, pelo que até agora seu sistema imune tem vindo a enfraquecer cada vez mais. Após ter ficado infectada com COVID-19, em setembro de 2020, o vírus acumulou 13 mutações em sua proteína de espícula, bem como outras 19 mudanças genéticas que poderiam ter alterado o comportamento do vírus.

    Segundo o estudo, algumas destas mutações seriam "variantes preocupantes", tais como a mutação E484K, que é parte da variante Alfa B.1.1.7 pela primeira vez detectada no Reino Unido, e a mutação N510Y, parte da variante Beta B.1.351, registrada pela primeira vez na África do Sul.

    Contudo, até agora ainda não se sabe se a mulher portadora de tamanhas mutações já as transmitiu a outras pessoas.

    Profissional de saúde atende um paciente em uma enfermaria temporária montada durante o surto da COVID-19, África do Sul, 19 de janeiro de 2021.
    © REUTERS / Pool
    Profissional de saúde atende um paciente em uma enfermaria temporária montada durante o surto da COVID-19, África do Sul, 19 de janeiro de 2021

    Por sua vez, os cientistas sublinham que não pode ser uma simples coincidência que a maioria das variantes tenha surgido em áreas do país como KwaZulu-Natal, onde mais de um em quatro adultos é portador de HIV.

    Porém, ainda há pouca evidência que comprove que pessoas infectadas com HIV tenham maior probabilidade de serem infectadas com COVID-19 e, a partir daí, desenvolverem complicações severas. No entanto, os cientistas advertem que, caso novos casos idênticos ao referido sejam encontrados, os pacientes portadores de HIV avançado, isto é, AIDS, poderiam se "tornar em fábricas de variantes para o mundo inteiro."

    Os médicos supõem que uma pessoa que porte o HIV tem uma probabilidade três vezes maior de ser infectada pelo coronavírus do que uma pessoa que não seja portadora de HIV, pois seu sistema imune já estaria mais enfraquecido.

    Tulio de Oliveira, geneticista na Universidade de KwaZulu-Natal em Durban, na África do Sul, sugere que há uma grande necessidade de expandir os testes e tratamentos para pacientes cujo HIV ainda não foi detectado, uma vez que "reduziria a mortalidade por HIV, reduziria a transmissão do HIV, e também reduziria a chance de gerar novas variantes de COVID-19 que poderiam causar outras ondas de infecções".
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    Coronavírus no mundo no início de junho de 2021 (22)

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    Tags:
    mutação, COVID-19, HIV, mulher, África do Sul
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