01:37 24 Junho 2021
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    Enquanto EUA e Irã não chegam a um diálogo final, Teerã vai turbinando suas usinas com enriquecimento de urânio. O quão perto está o país persa de produzir sua bomba e quais são as consequências caso o acordo não vigore?

    Um dos maiores desafios da diplomacia global atual se encontra no diálogo entre Irã e Estados Unidos para o retorno ao acordo nuclear, conhecido como Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA, na sigla em inglês), o qual Washington se retirou em 2018 sob administração de Donald Trump.

    Desde então, Teerã, que interpreta a saída do país norte-americano como uma quebra do pacto, já que permaneceu no acordo e não teve suas sanções canceladas, vem infringindo várias regras estipuladas pelo JCPOA, e consequentemente, turbinando suas usinas para enriquecer urânio a níveis cada vez mais altos.

    Entre muitas polêmicas e troca de farpas públicas, os dois países decidiram tentar um diálogo conjunto que começou em Viena, na Áustria, no início de abril. Apesar dos encontros, resoluções definitivas não foram acordadas. Enquanto isso, a República Islâmica mantém progresso em suas usinas nucleares.

    Mas caso o acordo não aconteça, quão perto de produzir uma bomba nuclear está o Irã? Para responder a essa questão, a Bloomberg elencou alguns pontos a serem levados em consideração.

    Alto estoque de urânio

    Atualmente, Teerã acumulou urânio enriquecido suficiente para construir várias bombas caso seus líderes decidam purificar o metal pesado até o nível de 90%, justamente o nível aplicado em armas nucleares. Inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), relatam que o país armazenou mais de 3.000 quilos de urânio pouco enriquecido, que é dez vezes o volume estipulado pelo JCPOA, segundo a mídia.

    Esse dado é super importante na análise da questão, pois, obter o material necessário para induzir a fissão atômica é a etapa mais difícil no processo de fabricação de energia nuclear ou bombas, e com esses valores, o país já estaria perto de chegar lá.

    Até agora, Teerã está produzindo pequenas quantidades de urânio altamente enriquecido, purificado a níveis de 60%, demonstrando que seus engenheiros poderiam passar rapidamente para o nível de armamento.

    Técnicos iranianos trabalham em uma instalação de produção de combustível de urânio para um reator nuclear (foto de arquivo)
    © AP Photo / Vahid Salemi
    Técnicos iranianos trabalham em uma instalação de produção de combustível de urânio para um reator nuclear (foto de arquivo)

    Reação do Irã na quebra do acordo

    Quando o acordo foi quebrado, o presidente iraniano, Hassan Rouhani, esperou um ano após o governo Trump ter reimposto sanções antes de dar ordens para quebrar os convênios nucleares estabelecidos pelo pacto. Sem ter as sanções canceladas, seguiu com seu planejamento. A postura iraniana mostra que somente com o cancelamento das sanções o país voltaria às diretrizes do acordo. Enquanto esse impasse persiste, como dito anteriormente, isso ajuda o Irã, e muito, a continuar seu desenvolvimento nuclear.

    JCPOA revivido

    Para voltar a cumprir os limites do acordo, o lado iraniano teria que reduzir drasticamente os estoques de urânio e deixar de lado grande parte de sua tecnologia de enriquecimento, além de permitir o acesso total de inspetores internacionais aos locais onde o material nuclear é produzido. Do lado norte-americano, o país persa obteria isenção de sanções que prejudicaram suas exportações de petróleo e outras atividades econômicas. Embora algumas das limitações nucleares do acordo comecem a expirar em 2025, diplomatas esperam que diálogos posteriores ocorram, e que se concentrem na segurança regional. Isso não quer dizer que o cenário nuclear mundial possa descansar e ficar menos vigilante, porém, seria um grande freio na produção de mísseis balísticos do Irã.

    Um grupo de oposição do Irã protesta em frente ao hotel, durante uma reunião da Comissão Conjunta JCPOA, em Viena, Áustria, em 9 de abril de 2021
    © REUTERS / Leonhard Foeger
    Um grupo de oposição do Irã protesta em frente ao hotel, durante uma reunião da Comissão Conjunta JCPOA, em Viena, Áustria, em 9 de abril de 2021

    Data limite sem acordo

    Se todos os esforços e diálogos não derem em nada, talvez, a situação culmine em conflito militar, como chegou a mencionar Barack Obama em 2015, quando apontou para alternativa de um conflito militar com grandes perturbações para a economia global, segundo a mídia.

    Apesar dessa possibilidade direta não ter acontecido, é importante lembrar que nos últimos três anos, a disputa entre Washington e Teerã agitou o Oriente Médio, alimentando conflitos onde o Irã e aliados norte-americanos estão em lados opostos. Esse cenário fica bastante claro com a entrada de um terceiro ator no contexto: Israel. Tel Aviv ainda é um dos maiores aliados dos EUA na região, e tem a República Islâmica como inimigo declarado.

    Navio israelense atingido por uma explosão no golfo de Omã é visto após a chegada a um porto em Dubai. Israel acusou o Irã de ter realizado o ataque em 28 de fevereiro de 2021
    © REUTERS / Abdel Hadi Ramahi
    Navio israelense atingido por uma explosão no golfo de Omã é visto após a chegada a um porto em Dubai. Israel acusou o Irã de ter realizado o ataque em 28 de fevereiro de 2021

    Na quinta-feira (21), Rouhani declarou que as negociações em Viena deram um "grande passo", e que "o acordo principal foi concretizado". Porém, o presidente também informou que diplomatas ainda se encontram discutindo alguns detalhes antes do acordo final. 

    Enquanto não se encontra uma conclusão definitiva, o país persa vai caminhando em passos largos no seu progresso nuclear, e só o tempo dirá até onde pode chegar.

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    Tags:
    usina nuclear, Teerã, EUA, JCPOA, Irã
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