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    Os EUA começaram a retirar suas tropas do Afeganistão. O governo norte-americano pretende terminar a retirada das tropas até 11 de setembro.

    O Pentágono está se preparando para possíveis ataques do Talibã (grupo terrorista proibido na Rússia e outros países) contra os EUA e as forças da coalizão quando elas se retirarem do Afeganistão, uma perspectiva que complica a perspectiva de encerrar a guerra mais longa dos EUA, informa a agência Associated Press nesta sexta-feira (30).

    O general Mark Milley, chefe do Estado-Maior Conjunto dos EUA, disse a repórteres que viajaram com ele na quinta-feira (29) que a retirada das tropas é "complexa e não isenta de riscos".

    Os militares normalmente planejam os piores cenários para tentar evitar serem pegos de surpresa. A retirada do Afeganistão envolve movimentos terrestres e aéreos de tropas, suprimentos e equipamentos que podem ser vulneráveis ​​a ataques. Por razões de segurança, os detalhes da retirada não estão sendo divulgados, mas a Casa Branca confirmou na quinta-feira (29) que a retirada já começou.

    Seth Jones, especialista em contraterrorismo e Afeganistão e diretor do programa de segurança do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS, na sigla em inglês), afirma que o Pentágono é sábio ao se preparar para ataques, embora Jones acredite que o Talibã provavelmente mostrará moderação.

    Presidente dos EUA, Joe Biden, após anúncio de retirada de tropas do Afeganistão, no cemitério militar de Arlington, Virgínia, EUA, 14 de abril de 2021
    © AP Photo / Andrew Harnik
    Presidente dos EUA, Joe Biden, após anúncio de retirada de tropas do Afeganistão, no cemitério militar de Arlington, Virgínia, EUA, 14 de abril de 2021
    "Eles [Talibã] só querem que a gente vá [embora] […]. E qualquer coisa que comece a complicar isso pelo menos corre o risco de sair pela culatra", comenta o especialista.

    Acordo com Talibã e medidas de precaução

    O acordo de fevereiro de 2020 assinado pelo ex-presidente norte-americano Donald Trump e o Talibã, em Qatar, estipulava que os EUA deveriam retirar seus 2.500 soldados do território afegão até 1º de maio de 2021. Como parte desse acordo, o Talibã suspendeu os ataques às tropas dos EUA e ninguém foi morto desde então, recorda a mídia.

    Mas o Talibã afirmou que considerará que os EUA violaram o acordo por perderem o prazo combinado.

    "Tivemos 18 meses de negociações com os norte-americanos e eles concordaram que se retirariam em 14 meses. Este prazo agora vai terminar no final de abril, em 1º de maio, e eles devem sair", declarou, em março, Abdulgani Baradar, chefe do Escritório Político do Talibã em Doha.

    De acordo com a mídia, há atualmente no Afeganistão entre 2.500 a 3.500 soldados norte-americanos, juntamente com cerca de 7.000 soldados da coalizão e milhares de contratados. O presidente dos EUA, Joe Biden, afirmou que a retirada das tropas estará concluída até 11 de setembro.

    O mulá Abdul Ghani Baradar, o vice-líder e negociador do Talibã, e outros membros da delegação participam da conferência de paz afegã em Moscou, Rússia, em 18 de março de 2021.
    © REUTERS / Alekxandr Zemlianichenko/Pool via REUTERS
    O mulá Abdul Ghani Baradar, o vice-líder e negociador do Talibã, e outros membros da delegação participam da conferência de paz afegã em Moscou, Rússia, em 18 de março de 2021
    "Temos que presumir que essa retirada terá oposição", disse o secretário de imprensa do Pentágono, John Kirby, ao explicar por que o secretário de Defesa dos EUA, Lloyd Austin, decidiu manter um porta-aviões no Oriente Médio e mover pelo menos quatro bombardeiros estratégicos B-52 e partes de uma força-tarefa de Rangers do Exército para a região como uma precaução.

    "Seria irresponsável da nossa parte não presumir que esta retirada das tropas e as forças restantes, tanto norte-americanas como dos nossos aliados da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte), pudessem ser atacadas pelo Talibã", acrescentou Kirby.

    Os militares dos EUA encerraram suas operações de combate terrestre contra o Talibã em 2014 e passaram a treinar, aconselhar e apoiar as forças afegãs, incluindo cobertura aérea contra o Talibã. A esperança era que as forças do governo afegão pudessem resistir ao Talibã e que um acordo político pudesse ser alcançado.

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    Tags:
    Talibã, Guerra do Afeganistão, Afeganistão, EUA, Pentágono
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