01:43 19 Outubro 2021
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    Enquanto Washington se movimenta para tirar suas tropas do Afeganistão até 11 de setembro, o grupo terrorista se articula com outras organizações para expulsar os norte-americanos "do resto do mundo islâmico".

    A presença dos EUA no Afeganistão está prestes a acabar depois que o presidente, Joe Biden, informou que todas as tropas norte-americanas serão retiradas do país entre 1º de maio e 11 de setembro. Porém, a Al-Qaeda (organização terrorista proibida na Rússia e demais países), afirma que mesmo com a saída das tropas, a guerra com os Estados Unidos está longe do fim.

    "A guerra contra os EUA continuará em todas as outras frentes, a menos que sejam expulsos do resto do mundo islâmico", disse um funcionário da Al-Qaeda em entrevista à CNN.

    O grupo declara a vitória de Cabul ao traçarem um paralelo com a retirada da União Soviética do país há três décadas e seu subsequente colapso. Essa linha ecoa a retórica do próprio Osama bin Laden (líder da Al-Qaeda morto em 2011 pelos EUA) que promoveu a ideia de que os soviéticos faliram no Afeganistão.

    "Os EUA estão derrotados. A guerra dos Estados Unidos no Afeganistão desempenhou um papel fundamental em atingir a economia norte-americana", disse o funcionário.

    Segundo a mídia, a organização também se sente mais forte com a retirada dos norte-americanos e pretende fazer uma parceria com o Talibã (organização terrorista proibida na Rússia e demais países) para lutar contra a presença dos EUA em outros lugares do Oriente Médio.

    O funcionário da Al-Qaeda teria elogiado o Talibã "por manter viva a luta contra Washington" e disse que "graças aos afegãos, pela proteção dos camaradas de armas, muitas dessas frentes jihadistas operam com sucesso em diferentes partes do mundo islâmico há muito tempo".

    A CNN informa que tentou entrar em contato com o Talibã para comentar sobre seu relacionamento com a Al-Qaeda, mas não houve resposta, o que na interpretação da mídia foi um insight significativo sobre o que pode acontecer após a retirada das tropas norte-americanas.

    Delegação do governo afegão e do grupo Talibã debatem durante conferência de paz em Moscou, Rússia, 18 de março de 2021
    © REUTERS / Aleksandr Zemlianichenko
    Delegação do governo afegão e do grupo Talibã debatem durante conferência de paz em Moscou, Rússia, 18 de março de 2021

    Peter Bergen, especialista em terrorismo e autor de vários livros sobre Osama bin Laden, disse que a resposta da Al-Qaeda foi "genuína" e destacou os laços contínuos entre as duas organizações, observando que "isso confirma o que a ONU tem dito sobre 'o Talibã ter consultado regularmente' a Al-Qaeda durante suas negociações com os EUA, garantindo que eles 'honrariam seus laços históricos' com o grupo terrorista", disse o especialista citado pela mídia.

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    Tags:
    Al-Qaeda, Talibã, Estados Unidos, oriente médio
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