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    Alto funcionário do Irã confirma que houve roubo de arquivo nuclear do Irã por parte de Israel, e crê que Teerã precisa de uma "grande reforma em sua segurança".

    Na quarta-feira (14), Mohsen Rezaee, secretário do Conselho de Discernimento de Expediência do Irã, admitiu que Israel roubou arquivo nuclear do país, no que parece ser a primeira admissão pública da efetividade da operação Mossad 2018 por uma autoridade iraniana. O secretário instou que o Irã "precisa de uma grande reforma em sua segurança", segundo o The Jerusalem Post.

    "O país foi amplamente exposto a violações de segurança, e o exemplo é que em menos de um ano, ocorreram três incidentes de segurança: duas explosões e um assassinato [nas usinas nucleares]. Antes disso, documentos de todo o nosso [arquivo] nuclear foram roubados e alguns drones suspeitos chegaram e fizeram algum trabalho", disse Rezaee citado pela mídia.

    As duas explosões mencionadas aconteceram na instalação nuclear de Natanz, a primeira em julho de 2020, e a segunda no último domingo (11). O assassinato citado foi o do chefe do programa nuclear do Irã, Mohsen Fakhrizadeh, em novembro de 2020. Todos esses episódios teriam sido promovidos pelo Estado israelense, segundo a autoridade iraniana.

    Sobre o arquivo nuclear, o secretário se refere ao ano de 2018, quando a Mossad, agência de espionagem israelense, contrabandeou arquivo nuclear para fora do Irã, o qual o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, usou para apresentar evidências de que a República Islâmica pretendia desenvolver uma arma nuclear. Na época, o Irã negou que os documentos fossem reais, segundo a mídia.

    Rezaee ainda afirmou que o ataque à Natanz na semana passada, foi "um acontecimento ruim em termos de prestígio" e que os israelenses o fizeram "para quebrar nossa resistência na diplomacia". 

    A explosão na usina nuclear não deixou feridos nem causou poluição ambiental, mas de acordo com o The New York Times, "provocou um duro golpe à capacidade do Irã para enriquecer urânio, e que levaria no mínimo nove meses para restaurar a produção em Natanz".

    Em resposta, o país persa anunciou na terça-feira (13) que começaria a enriquecer urânio a 60%, um nível muito mais elevado do que o permitido dentro das normas do acordo nuclear. Assim como deixou claro que se "vingará dos sionistas", conforme declarado pelo Ministro das Relações Exteriores do Irã, Mohammad Javad Zarif.  

    Na quarta-feira (14), a Mossad sofreu um ataque em seu escritório no Iraque, quando "forças de resistência desconhecidas" atacaram a unidade e deixaram vários "espiões israelenses mortos", segundo a Press TV.

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    Tags:
    Mossad, acordo nuclear, israel, Irã
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