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    O premiê israelense Benjamin Netanyahu não deveria ter a autoridade para aprovar o ataque de sabotagem contra usina nuclear de Natanz, disse Amos Yadlin, ex-chefe da inteligência militar das Forças de Defesa de Israel.

    "Ações operacionais sensíveis com implicações políticas e de segurança que envolvem escalada potencial devem ser aprovadas pelo governo. O gabinete pode autorizar o departamento de segurança a decidir e o departamento de segurança pode autorizar o primeiro-ministro e o ministro da Defesa. Estes processos não aconteceram, e as decisões foram tomadas excluindo todos os órgãos de decisão. A supervisão do Knesset [parlamento israelense] não tem existido há muito tempo", escreveu Yadlin no Twitter nesta terça-feira (13).

    De acordo com o oficial aposentado, o ataque a Natanz serviu para alimentar descuidadamente as tensões com a República Islâmica, sem coordenação com aliados norte-americanos de Tel Aviv, o que não melhorou a situação de segurança nacional de Israel.

    "Em 48 horas após a explosão em Natanz, ficou claro que o ataque não resultou no fim do programa nuclear do Irã", continuou o oficial, adicionando que, após informação pelas mídias sobre o envolvimento israelense na sabotagem, incluindo "vazamentos irresponsáveis" do interior de Israel, Tel Aviv deve se preparar para retaliação iraniana. Ele acrescentou, no entanto, que esta resposta será "ponderada", devido ao desejo de Teerã de evitar a continuação da escalada.

    Com grande preocupação, Yadlin disse que "em contexto de negociações, é muito provável que o Irã endureça suas posições ou até mesmo fortaleça a mão do [Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica] que apelaram a que o Irã não regresse ao acordo nuclear de 2015".

    O militar também avisou que mesmo que Israel informasse os EUA de antemão sobre seus planos de sabotar Natanz, o momento "não proporciona a construção de confiança" com a administração Biden, uma confiança que, disse ele, é "essencial para coordenar posições e proteger os interesses de Israel".

    Instalações nucleares de Natanz situadas ao sul de Teerã
    © AP Photo / Hasan Sarbakhshian
    Instalações nucleares de Natanz situadas ao sul de Teerã

    Yadlin alegou que Neanyahu provavelmente não tem uma estratégia atualizada para conduzir sua campanha de sabotagem do Irã na era Biden "e, sem dúvida, à sombra da crise política, as discussões essenciais não tiveram lugar".

    "Mesmo com uma visão cautelosa, é duvidoso se nós não estaríamos assistindo a um momento político que influencia o início de uma crise de segurança com objetivo de facilitar para Netanyahu a formação de outro governo. Estas não são as considerações que devem estar na base de tais decisões fatídicas", concluiu o oficial.

    Yadlin serviu como chefe da inteligência militar das Forças de Defesa de Israel entre 2006 e 2010, sob os premiês Ehud Olmert e Benjamin Netanyahu. Antes disso, ele serviu como vice-comandante da Força Aérea e chefe de seu departamento de planejamento. Agora ele é o diretor executivo do Instituto de Estudos de Segurança Nacional da Universidade de Tel Aviv.

    Em 11 de abril, o Irã relatou que na usina nuclear de Natanz foi registrado um incidente na rede de distribuição de energia. O presidente da Organização de Energia Atômica do Irã, Ali Akbar Salehi, chamou o incidente de "uma manifestação de terrorismo nuclear".

    O jornal The New York Times, citando fontes, escreveu que o incidente foi causado por uma explosão arquitetada por Israel. Após isso, o chanceler iraniano também anunciou o envolvimento de Israel.

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    Tags:
    explosão, Irã, Benjamin Netanyahu, Israel
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