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    Espera-se que o navio Ever Given, atualmente preso no canal de Suez e que está causando o atraso de um grande número de navios e consequentes custos à economia mundial, seja liberado em breve.

    O cargueiro Ever Given, de 59 metros de largura e 60 de altura, operado pela empresa Evergreen Marine de Taiwan, está bloqueando o canal de Suez desde terça-feira (23), após ventos fortes terem empurrado o navio diagonalmente na via navegável.

    Mais de 300 navios estão agora em fila de espera em ambos os lados da hidrovia artificial, esperando para entregar cargas da Europa para a Ásia e vice-versa.

    Mas a crise tem sido de baixa magnitude em comparação com outros episódios do passado, apesar de economistas estimarem que o congestionamento de tráfego está custando ao comércio global cerca de US$ 400 milhões (R$ 2,3 bilhões) por hora, visto que 12% de todas as trocas comerciais mundiais passam por este canal.

    Ever Given, um dos maiores navios porta-contêineres do mundo, encalhado no canal de Suez, Egito, 28 de março de 2021
    © REUTERS / Handout / Autoridade do canal de Suez
    Ever Given, um dos maiores navios porta-contêineres do mundo, encalhado no canal de Suez, Egito, 28 de março de 2021

    1956

    A hidrovia, concluída em 1869 e destinada a encurtar as rotas marítimas, tornou-se alvo de conflito quando Israel, Reino Unido e França invadiram o Egito em 1956, no que ficou conhecido como a Crise de Suez.

    A crise foi precipitada pela tentativa das potências ocidentais de retomar o controle do canal após sua nacionalização por Gamal Abdel Nasser, então presidente egípcio. O canal foi fechado de outubro de 1956 a março de 1957, acabando o Egito por manter o controle da via navegável até hoje.

    1967

    As hostilidades entre Israel e o Egito continuaram a aumentar quando Tel Aviv lançou uma série de ataques aéreos preventivos contra o Cairo em 5 de junho de 1967, resultando na Guerra dos Seis Dias.

    O Egito então fechou ambos os lados do canal para evitar que fosse utilizado pelos israelenses. Quinze navios de diversos países, que ficaram na história como a Frota Amarela, já tinham entrado no canal antes do início da guerra e não tiveram outra escolha senão ficar parados a partir daí.

    1973

    Seis anos depois, eclodiu outro conflito, conhecido como a Guerra do Yom Kippur, com uma coalizão de países árabes liderada pelo Egito e a Síria lançando um ataque surpresa contra Israel. Egípcios e israelenses usaram o canal de Suez para chegar ao território inimigo, enchendo a via navegável com escombros e munições. O cessar-fogo final foi alcançado após 19 dias de guerra e suscitou a esperança de que o canal fosse reaberto em breve.

    1974-1975

    No entanto, ele permaneceu bloqueado até o final de 1974, quando foi realizada uma operação de limpeza dos destroços, minas navais e outras armas de guerra não detonadas. Em 1975 o bloqueio foi levantado e a Frota Amarela pôde finalmente sair do canal. Os navios ficaram presos por oito anos, tornando este o maior congestionamento de trânsito da história.

    O fechamento do tráfego marítimo, que levou algumas nações a desviar suas rotas de navegação para a costa sul de África, duplicando as distâncias, provocou ondas de choque ao redor do mundo. Os custos comerciais para os países que enviavam cargas da Europa para a Ásia aumentaram a partir de 1967, reduzindo o comércio em mais de 20% para alguns parceiros comerciais. As coisas só voltaram ao normal em 1975, quando o canal foi reaberto.

    Imagem de satélite publicada no Twitter por Dmitry Rogozin, diretor-geral da agência espacial russa Roscosmos, mostra o canal de Suez, no Egito, bloqueado pelo navio porta-contêineres Ever Given, em 25 de março de 2021
    © REUTERS / Handout / Roscosmos
    Imagem de satélite publicada no Twitter por Dmitry Rogozin, diretor-geral da agência espacial russa Roscosmos, mostra o canal de Suez, no Egito, bloqueado pelo navio porta-contêineres Ever Given, em 25 de março de 2021

    O Ever Given ficou atravessado na diagonal na passagem estreita, o que está custando à economia mundial bilhões de dólares com o atraso das mercadorias, fazendo subir o preço do petróleo e causando perturbações nos mercados, com o atraso dos embarques de petróleo bruto.

    Osama Rabie, tenente-general e presidente da Autoridade do Canal de Suez, crê que "a tempestade de areia e os fortes ventos no dia do incidente não foram as causas principais", e que é possível que o caso tenha ocorrido por falha humana. Rabie relatou que as operações para liberar o navio incluem dez rebocadores e estão sendo realizadas 24 horas por dia.

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    Tags:
    Taiwan, França, Reino Unido, Guerra dos Seis Dias, Síria, Israel, Egito, Canal de Suez
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