20:46 22 Abril 2021
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    O governo da Etiópia afirmou nesta sexta-feira (26) que a Eritreia concordou em retirar suas forças da região de Tigré, após as denúncias de assassinatos, estupros e saques contra civis supostamente cometidos por soldados eritreus.

    O escritório do primeiro-ministro da Etiópia, Abiy Ahmed Ali, emitiu hoje (26) um comunicado, após a visita do chefe de governo à Eritreia, no qual afirma que as forças etíopes assumirão a guarda das áreas fronteiriças "com efeito imediato"

    Abiy admitiu pela primeira vez nesta semana que forças da Eritreia foram mobilizadas durante o conflito entre Adis Abeba e a Frente Popular para a Libertação de Tigré (FPLT), região situada na fronteira entre os dois países, em novembro de 2020.

    A nota emitida hoje (26), no entanto, não menciona quantos soldados da Eritreia estiveram na Etiópia.

    Sobre as discussões com o presidente Isaias Awerki.

    O governo da Eritreia, por sua vez, afirmou em comunicado que Abiy e seu presidente, Isaias Afwerki, discutiram com profundidade "os violentos ataques militares desencadeados nos últimos cinco meses e as campanhas de desinformação concomitantes'', mas não mencionou especificamente a região de Tigré.

    Soldados com uniformes da Eritreia caminham pela cidade de Bizet, na Etiópia
    © REUTERS / Baz Ratner
    Soldados com uniformes da Eritreia caminham pela cidade de Bizet na Etiópia

    O embaixador da Eritreia no Japão, por sua vez, escreveu em um tweet que "a partir de hoje [26], as unidades das Forças de Defesa da Eritreia vão entregar todos os postos de controle dentro das fronteiras da Etiópia que foram desocupados" pelas forças etíopes.

    A partir de hoje [26], as unidades das Forças de Defesa da Eritreia vão entregar todos os postos de controle dentro das fronteiras da Etiópia que foram desocupados pelas Forças de Defesa da Etiópia após os ataques militares selvagens empreendidos pelas forças de Tigré em 4 de novembro de 2020.

    Em 2018, Abiy chegou a um acordo de paz com a Eritreia após longo conflito na região de Tigré, um feito que lhe rendeu o Prêmio Nobel da Paz. No entanto, desde que começaram os confrontos entre o governo central da Etiópia e a região de Tigré em novembro do ano passado, Abiy Ahmed vem sendo acusado de estabelecer uma parceria com a Eritreia para perseguir os agora foragidos líderes da região.

    Na nota emitida hoje (26), Abiy acusa os ex-líderes de Tigré de terem iniciado o conflito após ataques contras as forças federais etíopes, e de terem arrastado a Eritreia para os combates após disparos de foguetes contra a capital do país vizinho, Asmara. 

    ​Ontem (25), a Comissão de Direitos Humanos da Etiópia e o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) anunciaram a realização de uma investigação conjunta sobre as violações dos direitos humanos na região de Tigré.

    Em uma nota emitida pelo órgão das Nações Unidas, as investigações vão abarcar todos os casos de violações dos direitos humanos e de abusos que provavelmente foram cometidos por todas as partes do conflito em Tigré. A missão conjunta deverá começar seus trabalhos em breve.  

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    Tags:
    conflito regional, direitos humanos, conflito armado, Eritreia, Etiópia
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