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    A Comissão de Direitos Humanos da Etiópia e o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) realizarão uma investigação conjunta das violações dos direitos humanos na região de Tigré, no norte do país africano.

    Segundo uma nota publicada pelo escritório de imprensa da ACNUDH, serão investigados todos os casos de violações dos direitos humanos e de abusos, que provavelmente foram cometidos por todas as partes do conflito em Tigré.

    "A Comissão de Direitos Humanos da Etiópia e o ACNUDH acompanham atentamente a situação dos direitos humanos desde o início do conflito em 4 de novembro de 2020. As duas organizações estão preocupadas com as informações sobre as violações dos direitos humanos e as consequências desastrosas do conflito para a população civil. Devido aos vários atores envolvidos no conflito e à gravidade das violações relatadas, uma investigação objetiva e independente é urgentemente necessária", diz o comunicado.

    A missão conjunta para a investigação das infrações e abusos dos direitos humanos começará seus trabalhos em breve. De acordo com as estimativas, as investigações devem durar aproximadamente três meses.

    Homem lê reportagem sobre operação militar do governo da Etiópia contra a província de Tigray, na capital etíope Adis Abeba, 7 de novembro de 2020
    © AP Photo / Samuel Habtab
    Homem lê reportagem sobre operação militar do governo da Etiópia contra a província de Tigray, na capital etíope Adis Abeba, 7 de novembro de 2020

    No dia 4 de novembro de 2020, as autoridades etíopes lançaram uma operação militar na região de Tigré, após acusarem a Frente Popular para a Libertação de Tigré (FPLT), o partido governante na região, de ter realizado ataques contra duas bases do Exército federal. A FPLT negou o ataque e acusou o governo etíope de inventar um pretexto para realizar uma intervenção militar.

    As autoridades federais da Etiópia decretaram o estado de emergência em Tigré por um prazo de seis meses, e estabeleceram um governo local interino, nomeado por Adis Abeba. A nova administração substituiu o governo regional, escolhido nas eleições de setembro de 2020 que, segundo o governo central da Etiópia, foram ilegítimas, já que o pleito foi adiado no restante do país por causa da pandemia do coronavírus.

    O primeiro-ministro da Etiópia, Abiy Ahmed, anunciou no fim de novembro do ano passado o fim da operação militar no Tigré. Contudo, pouco tempo depois, circularam informações de que as hostilidades continuavam na região. Além disso, o conflito fez com que milhares de moradores locais deixassem suas casas e buscassem refúgio no Sudão.

    Soldados com uniformes da Eritreia caminham nos arredores da cidade de Adigrat, no norte da Etiópia
    © REUTERS / Baz Ratner
    Soldados com uniformes da Eritreia caminham nos arredores da cidade de Adigrat na Etiópia

    Por sua vez, o Departamento de Estado dos EUA disse em janeiro deste ano que tinha obtido informações confiáveis sobre a presença de militares da Eritreia em Tigré, que estariam envolvidos em abusos dos direitos humanos, crimes de violência sexual e saques.

    Na última terça-feira (23), a Reuters informou que Ahmed confirmou pela primeira vez a presença de tropas da Eritreia em Tigré durante o conflito na região. Em um pronunciamento no Parlamento, ele também reconheceu que atrocidades como o estupro foram cometidas durante os enfrentamentos e prometeu punição aos responsáveis.

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    Tags:
    investigação, Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH), direitos humanos, conflito armado, Etiópia
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